Poesias

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

COISAS DO BRASIL PARTE 4 – REGIÃO SUDESTE - CAPÍTULO 6

Com isso, depois de contar a ‘Lenda do Saci’, Felipe passou a escrever outras histórias, como a do Famaliá. 
Famaliá nos sertões mineiros, é o mesmo diabinho familiar que as crônicas de Portugal nos contam e que São Cipriano ensinava como fazê-lo com os olhos de um gato preto, colocados dentro de um ovo de galinha preta, e posto para chocar na esterqueira. 
Há também umas palavras dirigidas a Lúcifer para sua obtenção. 
Em 1591, já era assinalada sua presença na Bahia. 
O nome, na mudança para o interior, e na viagem através do tempo, deixou de ser Familiar, para ser Famaliá. 
-- Você viu aquela garrafa preta guardada no oratório? 
-- Não. Estava tão escuro que foi difícil distinguir o que estava dentro dela. Ainda bem. Acho que ela foi escondida pelo seu dono. 
-- Ali é que o fazendeiro guarda o seu Famaliá. 
-- Famaliá? Mas o que vem a ser isso? 
-- Você não usa um pé de coelho para dar sorte? Não tem em casa uma ferradura atrás da porta? Estou vendo pendurada nessa corrente uma figa. Para que essa figa? 
-- Para afastar os maus olhados, para dar sorte. 
-- Cada qual com seu amuleto. Pois o Famaliá também é para ajudar, para se conseguir riqueza, enfim tudo o que se queira. Mas, há condições... 
-- Como posso conseguir um Famaliá? 
-- Bem, posso contar, mas é difícil para se conseguir. Aqui no vale do Alto São Francisco. – contou o compadre Saul Martins. – São poucos os possuidores, mas há os que conseguem, depois de muita luta e perseverança, o seu Famaliá. A demora para se conseguir às vezes é de anos. Quem deseja ter o seu Famaliá deve procurar nos galinheiros um ovo de galo. 
-- Mas é por isso que é difícil. O ovo de galo é pequenino, do tamanho de ovo de uma pomba juriti. 
-- É bem pequeno e precisa tomar todo o cuidado quando encontrá-lo. Leva-se para casa e espera-se a quaresma chegar. Na primeira sexta-feira da quaresma, vai-se a uma encruzilhada de caminhos. É bom que não haja luz por perto. À noite, quando vai adiantada, nas horas mortas, quando bater a viração, coloque cuidadosamente o ovo debaixo do braço esquerdo, na axila. Já pode ir para casa deitar-se porque uma febre ataca. A febre ajuda a chocar o ovo. Fique deitado durante quarenta dias, pois à meia-noite, no final da quaresma, o oco picará. Mas não espere que venha um pinto. O que vem é um diabinho de mais ou menos um palmo de tamanho. Cuidadosamente mete-se o diabinho numa garrafa preta, arrolha-se bem e guarda-se em segredo, de preferência num oratório velho, e que ninguém bula a não ser o dono da casa, o fazendeiro que o chocou. 
-- E o que faz o Famaliá? 
-- Bem, faz tudo o que se quer: ele traz riquezas, boa situação social. O seu dono coloca-o na palma da mão e lhe faz o pedido. Imediatamente é atendido. Depois guarda-o arrolhando bem a garrafa preta. 
-- E traz é felicidade? 
-- Bem, esse é outro problema. Será que dinheiro, posição social, êxito é felicidade? 
-- O que não se deve esquecer, e ia me esquecendo, é que para se obter um Famaliá, faz-se um pacto com o diabo. 
-- Então nesse caso o diabo sempre ganha ...

Texto retirado de artigos da internet sobre o folclore brasileiro, e de guias de viagens sobre o Brasil.
Luciana Celestino dos Santos
É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.

COISAS DO BRASIL PARTE 4 – REGIÃO SUDESTE - CAPÍTULO 5

Quanto a ‘Lenda do Saci’, Felipe escreveu que é um serzinho muito arteiro, que vive de pregar peças nas pessoas. 
É como um duende idealizado pelos indígenas brasileiros, como apavorante guardião das florestas. 
A princípio ele era um curumim perneta, de cabelos avermelhados, encantador de crianças e adultos que pertubava o silêncio das matas. 
Em contato com o elemento africano e a supertição dos brancos, recebeu o cognome de Taperê, Pererê Sá Pereira, etc. 
Tornou-se negro, ganhou um gorro vermelho e um cachimbo na boca. 
Em alguns lugares, como às margens do rio São Francisco, adquiriu duas pernas e a personalidade de um demônio rural, que faz travessuras, e gosta de enganar pessoas. 
É o famoso Romão ou Romãozinho. 
Na zona fronteiriça ao Paraguai, ele é um anão do tamanho de um menino de sete a oito anos, que gosta de roubar criaturas dos povoados, e largá-las em lugar de difícil acesso. 
Talvez devido aos vestígios culturais trazidos pelos bandeirantes em suas andanças pelo sul do Brasil, o saci mineiro recebeu, além dessas qualidades do "Yaci-Yaterê" guarani, um bastão, laço ou cinto, que usa como a "vara de condão" das fadas européias. 
Sincretizado freqüentemente como o capeta, tem medo de rosários e de imagens de santos. 
Quando quer desaparecer, transforma-se num corrupio de vento.
Através de Tio Barnabé, um dos seus personagens, Monteiro Lobato descreve o SaciPererê: 
“O saci é um diabinho de uma perna só que anda solto pelo mundo, armando reinações de toda sorte: azeda o leite, quebra pontas das agulhas, esconde as tesourinhas de unha, embaraça os novelos de linha, faz o dedal das costureiras cair nos buracos, bota moscas na sopa, queima o feijão que está no fogo, gora os ovos das ninhadas. 
Quando encontra um prego, vira ele de ponta pra riba para que espete o pé do primeiro que passa.  Tudo que numa casa acontece de ruim, é sempre arte do saci. 
Não contente com isso, também atormenta os cachorros, atropela as galinhas e persegue os cavalos no pasto, chupando o sangue deles. 
O saci não faz maldade grande, mas não há maldade pequenina que não faça. 
Tio Barnabé continua: 
Tinha anoitecido e eu estava sozinho em casa, rezando as minhas rezas. 
Rezei, e depois me deu vontade de comer pipoca. 
Fui ali no fumeiro e escolhi uma espiga de milho bem seca. 
Debulhei o milho numa caçarola, pus a caçarola no fogo e vim para este canto picar fumo pro pito. Nisto ouvi no terreiro um barulhinho que não me engana. 
"Vai ver que é saci!" – pensei comigo. – E era mesmo. 
Dali a pouco um saci preto que nem carvão, de carapuça vermelha e pitinho na boca, apareceu na janela. 
Eu imediatamente me encolhi no meu canto, e fingi que estava dormindo. 
Ele espiou de um lado e de outro, e por fim pulou para dentro. 
Veio vindo, chegou pertinho de mim, escutou os meus roncos e convenceu-se de que eu estava mesmo dormindo. 
Então começou a reinar na casa. 
Remexeu tudo, que nem mulher velha, sempre farejando o ar com o seu narizinho muito aceso. 
Nisto o milho começou a chiar na caçarola e ele dirigiu-se para o fogão. 
Ficou de cócoras no cabo da caçarola, fazendo micagens. 
Estava "rezando" o milho, como se diz. 
E adeus pipoca! 
Cada grão que o saci reza não rebenta mais, vira piruá. 
Dali saiu para bulir numa ninhada de ovos que a minha carijó calçuda estava chocando num balaio velho, naquele canto. 
A pobre galinha quase que morreu de susto. 
Fez cró, cró, cró... e voou do ninho feito uma louca, mais arrepiada que um ouriço-cacheiro. 
Resultado: o saci rezou os ovos e todos goraram. 
Em seguida pôs-se a procurar o meu pito de barro. 
Achou o pito naquela mesa, pôs uma brasinha dentro e paque, paque, paque... tirou justamente sete fumaçadas. 
O saci gosta multo do número sete. 
Eu disse cá camigo: 
"Deixe estar, coisa-ruinzinho, que eu ainda apronto uma boa para você. Você há de voltar outro dia e eu te curo." 
E assim aconteceu. 
Depois de muito virar e mexer, o sacizinho foi-se embora, e eu fiquei armando o meu plano para assim que ele voltasse. 
Na sexta-feira seguinte apareceu aqui outra vez, às mesmas horas. 
Espiou da janela, ouviu os meus roncos fingidos, pulou para dentro. 
Remexeu em tudo, como da primeira vez, e depois foi atrás do pito que eu tinha guardado no mesmo lugar. 
Pôs o pito na boca, e foi ao fogão buscar uma brasinha, que trouxe dançando nas mãos. 
Tem as mãos furadinhas bem no centro da palma; quando carrega brasa, vem brincando com ela, fazendo ela passar de uma para a outra mão pelo furo. 
Trouxe a brasa, pôs a brasa no pito e sentou-se de pernas cruzadas para fumar com todo o seu sossego. Quando quer, cruza as pernas é como se tivesse duas! 
São coisas que só ele entende e ninguém pode explicar. 
Cruzou as pernas e começou a tirar baforadas, uma atrás da outra, muito satisfeito da vida. 
Mas de repente, puf! aquele estouro e aquela fumaceira!... 
O saci deu tamanho pinote que foi parar lá longe, e saiu ventando pela janela fora. 
Eu tinha socado pólvora no fundo do pito – exclamou tio Barnabé, dando uma risada gostosa. – A pólvora explodiu justamente quando ele estava dando a fumaçada número sete, e o saci, com a cara toda sapecada, raspou-se para nunca mais voltar.4

4 Folclore Brasileiro / Nilza B. Megale - Petrópolis: Editora Vozes, 1999. O Saci / Monteiro Lobato. - São Paulo: Editora Brasiliense. S.A. sem/data.

Texto retirado de artigos da internet sobre o folclore brasileiro, e de guias de viagens sobre o Brasil.
Luciana Celestino dos Santos
É permitida a reprodução, desde que citada a fonte. 

COISAS DO BRASIL PARTE 4 – REGIÃO SUDESTE - CAPÍTULO 4

Ademais, depois de escrever sobre a lenda do Corpo-seco, Felipe passou a escrever sobre o Lobisomem. Esta lenda, muito difundida pelo Brasil, é um verdadeiro mito universal, já que foi registrado por grandes nomes como Heródoto, Pompônio, Santo Agostinho, Ovídio, entre outros. 
Essa lenda, é uma conversão de uma tradição religiosa romana. 
Na África existe a tradição sagrada das transformações de animais, como homens-lobos, homens-tigres, etc. 
Dessarte, ao se falar sobre a lenda do lobisomem, é necessário comentar sobre sua dualidade. 
Como homem é extremamente magro, pálido, de orelhas compridas e com o nariz levantado. 
A sua sorte é um enorme fardo que tem que carregar. 
O que para muitos, é resultado de um grande pecado que cometeu. 
Para outros, alguém nasce lobisomem, por conta de um incesto, embora, em muitos casos, tal maldição se deve ao fato de ser o sétimo filho homem de um casal. 
Assim, acontece. 
Numa família numerosa, nasce o sétimo filho homem. 
Este filho, amaldiçoado, aos treze anos, saí de noite pelo descampado, e a partir disso começa sua triste sina. 
Em certas noites, transformando-se em horrenda criatura, saí vagando, visitando sete cemitérios, sete vilas, enfim, numerosos lugares, até regressar ao mesmo lugar onde nascera. 
Lá na flor do dia, readquire a forma humana. 
Assustador, em suas andanças, saí por aí, atravessando lugarejos, onde as pessoas ainda não dormiram. Ladino, apaga todas as luzes, e passando veloz, assusta a todos os que se atrevem a observá-lo. 
Por conta disso, muitos moradores das cercanias desejam matá-lo. 
Temerosos de sua maldição, querem que a tal criatura, desapareça do lugar. 
Mas ao desejarem matá-lo, mal sabem eles, que se, simplesmente o ferirem, o livrarão de todo o fardo. E assim, movidos por muito ódio, os homens saem em seu encalço, com o intuito de destruí-lo. 
Mal sabem eles, que ao matarem-no, herdam sua triste sorte. 
Por isto, quando a fera foi finalmente encontrada, ao contrário do que esperavam, o bravo homem que o pegou, não conseguiu mais do que feri-lo. 
Mas, ferindo-o, conseguiu fazer com que a estranha criatura se desencantasse. 
O homem, ao ver-se livre da maldição, agradeceu ao caçador e partiu, de volta para casa. 
Contudo, em certas paragens, a lenda possuí variações. 
Em certos lugares, para que ocorra o seu desencantamento, é necessário um bala untada com cera que ardeu em três missas de domingo, ou até mesmo em missa do galo – realizada a meia noite no Natal.

Texto retirado de artigos da internet sobre o folclore brasileiro, e de guias de viagens sobre o Brasil.
Luciana Celestino dos Santos
É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.

COISAS DO BRASIL PARTE 4 – REGIÃO SUDESTE - CAPÍTULO 3

E assim, entusiasmado, Felipe continuou a minudentemente, escrever suas narrativas. 
Por isso, ao lembrar-se da história do Corpo-seco, passou a escrever, com suas palavras, a história. 
Corpo-seco, é a história de um homem que passou pela vida semeando malefícios e que seviciou a própria mãe. 
Isso por que, por ser um homem muito ruim, não respeitava a ninguém. 
Jogador e galhofeiro, passava noites a fio em rodadas de jogos e bebedeiras. 
De tão ruim, repelia a todos, que ficavam horrorizados com suas maldades. 
Quando morreu, nem Deus nem o Diabo o quiseram.
A terra, horrorizada com suas maldades, o repeliu, enojada da sua carne. 
E assim, expurgado pela terra, um dia, mirrado, defecado, com a pele engelhada sobre os ossos, da tumba se levantou em obediência ao seu fardo, vagando e assombrando os viventes nas caladas da noite. 2
Também pode significar, as mulheres que tiveram relações com o Demônio. 
Segundo a tradição popular, essas mulheres podem virar lobisomem. 
Quanto as demais mulheres que dormiram com o capeta, sem o saber, estas acabavam portadoras de moléstias horríveis, as quais descamavam a pele toda. 
Essas relações com o Tinhoso trazia às vezes, em conseqüência, uma enfermidade estranha: o corpo da mulher ia definhando, ia diminuindo de tamanho, até ficar como o de uma verdadeira criança. 
A criatura possuída do demônio, se morria, era como lobo. 
Nenhum bicho, nem os corvos, nem as formigas, nem as vespas, lhe atacariam o cadáver. 
Enterrada, à própria terra, anos e anos, repugnava operar a decomposição das suas carnes. 3
A tradição é européia. 
Os amaldiçoados e mortos sem penitência, não serão desfeitos pela terra. 
O corpo seca. 
A deambulação é convergência do mito das almas-penadas. 
Aliás, foi em razão da dificuldade de se decompor, de alguns cadáveres que surgiu a lenda. 
Apesar de ser interpretada com uma maldição que se abate sobre a pessoa, nada mais é do que a conseqüência da acidez da terra, onde a pessoa foi enterrada. 
Mas para o povo caiçara, esta era uma grande verdade, e também uma verdadeira lição de vida. 
Já que, em não se portando bem, quem assim agisse, deveria suportar as conseqüências de seus atos.

DICIONÁRIO:
Engelhada é o feminino de engelhado. O mesmo que: embaraçada, enleada, rugosa, amarrotada, atrapalhada, enrugada, pregueada.

2 Leôncio de Oliveira. Vida Roceira, 12, citado por Basílio de Magalhães, 109. 
3 Veiga Miranda. Mau Olhado, 1925.

Texto retirado de artigos da internet sobre o folclore brasileiro, e de guias de viagens sobre o Brasil.
Luciana Celestino dos Santos
É permitida a reprodução, desde que citada a fonte. 

COISAS DO BRASIL PARTE 4 – REGIÃO SUDESTE - CAPÍTULO 2

Conforme escrevia, lembrou-se de uma lenda muito interessante. 
Ouvia-a quando em passeio pela região do Estado de São Paulo. 
A lenda era conhecida na localidade como sendo: ‘A Lagoa Azul’. 
Ainda na época dos bandeirantes – homens que desbravaram o país em busca de ouro e pedras preciosas – surgiu a lenda de uma linda lagoa situada em terras que atraíram o interesses destes desbravadores. 
Tão logo souberam que estas terras eram ricas em ouro e diamantes, diversos homens ousados e ambiciosos rumaram para lá, na esperança de enriquecer. 
Nem todos alcançaram seu objetivo. 
Uns ficaram mais pobres do que eram. 
Outros contudo, conseguiram remediar-se, e alguns poucos ficaram realmente ricos. 
Estes eram, de fato, poderosos e sua vontade era lei. 
Entre estes últimos estava o pai de Dalva. 
Ele possuía importantes garimpos de ouro e diamantes, de onde inúmeros escravos extraíam a riqueza necessária para seu amo viver luxuosamente. 
A moça era filha única, e seu pai lhe dava o que havia de melhor: roupas trazidas do estrangeiro especialmente para ela, jóias que fariam inveja a uma rainha, perfumes finíssimos... 
Enfim, a jovem, vivia uma vida luxuosa. 
O mal era o orgulho dele, que escravizava a filha de tal modo que, muitas vezes, ela desejou ser pobre, mas viver com mais liberdade. 
-- Por que não posso ser como as outras moças? Por que hei de sair sempre com o rosto coberto, como se estivesse escondendo-me de alguém? – perguntou ela, um dia. 
-- Ora, será que você não compreende? Você é a filha do homem mais rico deste lugar! – resmungava ele. 
-- E o que tem isso? 
-- Não é qualquer um que tem o direito de ver seu rosto! Essa gente não merece tal privilégio! 
A moça não tinha outro recurso, senão continuar a sair com o rosto coberto. 
Às vezes, um moço menos avisado aproximava-se da casa do ricaço, movido pela curiosidade de conhecer a bela Dalva. 
Pobre dele! 
Se o homem percebia, mandava alguns de seus escravos mais fortes fazer-lhe uns carinhos com chicotes e porretes... 
Um dia, Dalva quis saber: 
-- Por que o senhor faz isso, meu pai? -
-- Ora, por quê?! Não vê? São uns aventureiros. Pretendem casar-se com você para ficar com o meu dinheiro. Mas podem desistir. Não vai ser fácil, não. Pelo menos, enquanto eu estiver vivo... 
-- O senhor não deveria preocupar-se com isso. Sabe que nem tomo conhecimento da presença deles. Não há necessidade de maltratá-los tanto. 
-- Como não? Eles precisam aprender. 
Por esta razão, os escravos já estavam cansados de tanto surrar os rapazes que tentavam conhecer Dalva. 
Em certa ocasião, quando ela saiu a passeio pelo campo com algumas escravas, resolveu tirar o véu, com o qual sempre cobria o rosto. 
-- Olhe, Sinhá, seu pai não vai gostar disso. Pode ficar bravo. – disse uma das mucamas. 
A moça achou graça: 
-- Ele não quer que os estranhos vejam meu rosto. Mas quem é que vai encontrar-me neste lugar? Só se forem as aves, os bichos. 
-- Sabe como o patrão é. – tornou a mucama – Quando dá uma ordem, é para ser cumprida. 
-- Não tenho medo. – afirmou a moça. – A ordem que ele deu é para a cidade. No campo, não tem valor. 
As escravas acabaram por concordar com a argumentação da moça. 
Dalva e as mucamas sentaram-se então na relva e começaram a conversar sobre os mais variados assuntos. 
Uma das escravas era muito engraçada, e sabia contar anedotas como ninguém. 
Dalva e as outras riam até não poder mais. 
Estavam assim, distraídas, quando surgiu um cavaleiro. 
Vinha devagar, e seu cavalo aparentava cansaço. 
Aproximou-se das moças, tirou o chapéu, e perguntou-lhes diversas coisas sobre a região. 
Enquanto falava não conseguia tirar os olhos de Dalva. 
Nem ela, nem as escravas lembraram-se da ordem de seu pai. 
O cavaleiro ficou encantado com Dalva e ela, por sua vez, não deixou de se impressionar com o porte do forasteiro: forte, decidido, desenvolto. 
Porém de uma simplicidade encantadora. 
Contou-lhe que era um garimpeiro à procura de fortuna. 
Antes de ir embora, o moço perguntou onde era a casa de Dalva. 
Ela deu a informação, diante dos olhos surpresos das mucamas. 
Uma das escravas não resistiu: 
-- Sinhá! Se ele se aproximar da casa será espancado por ordem de seu pai! 
-- Eu ia avisá-lo! – respondeu a moça, e contou ao jovem como era seu pai. 
No que o estranho ficou horrorizado e disse que dinheiro nenhum pagava aquele sofrimento. 
Ele partiu, prometendo escrever-lhe. 
E, assim começou a troca de bilhetes. 
Uma das mucamas, a mais amiga de Dalva, foi escolhida para ser a recadeira. 
Os bilhetes iam e vinham cada vez em maior quantidade, e o namoro foi ficando cada vez mais firme. Como para todo segredo existe um traidor, uma das mucamas incumbidas de fazer companhia à Dalva concluiu que, se falasse ao pai da moça sobre o namoro, por certo seria recompensada. 
O pai de Dalva ao saber disso, porém, ficou furioso e tomou todas as providências para castigar o audacioso garimpeiro. 
Colocou escravos espiões atrás do moço, para que ele fosse surpreendido no momento de enviar algum bilhete. 
Mandou que os escravos acompanhassem a mucama e lhes disse: 
-- Procurem ter certeza de que ele é o homem. Depois, fiquem atrás dele, até surgir uma boa oportunidade. Aí... já sabem o que fazer, não é mesmo? – e fez um gesto significativo. 
Por outro lado, avisado pela escrava traidora, surpreenderia a mucama recadeira, para lhe dar o castigo que achava merecido. 
Guiados pela escrava, não demorou muito, para que vissem a mucama de confiança de Dalva receber um bilhete de um moço. 
Então, era aquele! 
Trataram de ir atrás do namorado. 
Ele saiu a cavalo e os escravos, também. 
Enquanto isto, a mucama foi entregar o bilhete à sua patroa. 
Neste exato momento exato, o pai de Dalva apareceu. 
-- Muito bem! Quer dizer que você esqueceu as minhas ordens?! Pois nunca mais esquecerá nada, pode ficar sossegada! – disse ele, resoluto. 
Imediatamente, ele chamou alguns escravos e mandou que levassem a mucama para o tronco, pois merecia sofrer o devido castigo. 
De nada valeram os gritos da infeliz. 
Dalva implorou ao pai que não castigasse a escrava, pois a culpa era sua e de mais ninguém. 
Ele contudo, não quis saber de nada. 
Mandou que a filha fosse para o quarto e de lá não saísse, até segunda ordem. 
Depois, ele foi assistir ao castigo da mucama. 
O homem, mandou então que amarrassem a escrava num poste de madeira, e ordenou aos escravos que batessem, até que ela não se queixasse mais. 
A coitada não resistiu às chicotadas e morreu ali mesmo. 
Um pouco mais distante, os escravos, que estavam seguindo o namorado de Dalva, encontraram a esperada oportunidade. 
O garimpeiro apeou perto da lagoa, conhecida por Lagoa Azul, para dar de beber ao seu cavalo. 
Um escravo apontou-lhe uma espingarda e atirou. 
Ao ver-se ferido de morte, teve tempo anos apenas, para pronunciar o nome de Dalva. 
E assim, depois de realizado o serviço, o escravo tratou de lhe enterrar. 
O garimpeiro, foi enterrado ali mesmo, na beira da lagoa. 
O pai de Dalva ficou muito satisfeito com o resultado. 
Tanto, que resolveu dar pessoalmente à sua filha o que ele considerava uma boa notícia. 
-- Pois é, minha filha. – disse ele, com uma expressão de alegria. – Posso afirmar-lhe que a mucama recadeira não fará mais o que fez. Creio que ela ganhava dinheiro daquele malandro, que só queria a minha riqueza. Agora, ele não tem mais quem lhe traga os recados. Sabe por que? Porque ela está morta. E também, ele não precisará mais dela, já que não poderá escrever mais. 
A moça, percebendo que algo de ruim tinha acontecido ao namorado, perguntou, aflita: 
-- Por que? O que aconteceu a ele? 
O ricaço deu uma gargalhada e respondeu bem devagar: 
-- A esta hora, ele está descansando, para sempre, perto da Lagoa Azul. 
Dalva, completamente transtornada, correu para fora da casa, montou um cavalo e partiu para a lagoa, em cujas águas se atirou. 
Em sua perseguição, vinham o pai e diversos escravos, mas, com a força do desespero, ela corria mais depressa que o vento, e eles não conseguiram alcançá-la. 
Dalva nunca mais foi encontrada. 
Os garimpeiros têm muito medo de chegar perto deste lugar. 
Alguns afirmam já ter visto ali, a pobre moça, chorando na beira da lagoa, em noites de luar. 
Como até hoje ela tem esperanças de encontrar o seu namorado, costuma atrair, com seus olhos lindos e luminosos como diamantes, o garimpeiro que se aproxima, levando-o para o fundo das águas. 
Ela quer ver, de perto, se ele não é o seu amado...1

1 Histórias e Lendas do Brasil (adaptação do texto original de Gonçalves Ribeiro) – São Paulo: APEL Editora, sem/data, tirado do site: www.terrabrasileira. net/folclore/regioes/3contos/entesnor.html.

Texto retirado de artigos da internet sobre o folclore brasileiro, e de guias de viagens sobre o Brasil.
Luciana Celestino dos Santos
É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.

COISAS DO BRASIL PARTE 4 – REGIÃO SUDESTE - CAPÍTULO 1

Não muito distante dali, em outras cercanias, os cinco colegas, Agemiro, Fábio, Flávio, Felipe e Lúcio, fizeram uma nova parada. 
Neste lugar, conheceram outras lendas e costumes relativos a cultura do Brasil. 
Assim, diante de tantas descobertas, Felipe, que era o mais interessado em lendas e folclore, passou então a escrever sobre estas. 
Interessado que estava nisso, passou a anotar o que de mais interessante acontecia na viagem, em seu diário. 
Mitólogo de profissão, aproveitou o longo passeio que estava fazendo, para unir o útil ao agradável. Enquanto se divertia, para aproveitava para escrever sobre a cultura da região que estava visitando. 
Em seu diário, escreveu sobre as lendas que ouvira durante os passeios que fizera. 
Comentou sobre a impressão que teve das pessoas e aproveitou também, para visitar museus e bibliotecas das cidades por onde passava. 
Dedicado, nem parecia estar de férias. 
Depois de muito tempo viajando, sentia que precisava retornar ao trabalho. 
Contudo, não podia negar que adquirira uma notável bagagem cultural, durante a viagem. 
Conhecer ‘in loco’, tudo aquilo que muitos brasileiros nem sequer imaginam existir em seu país, é um privilégio para poucos. 
Isso estimulou Felipe, que passou a anotar em seu diário, os acontecimentos da viagem que estava fascinando a todos. 
Misterioso, não contou para os agora amigos, qual era o seu intento, ao anotar minuciosamente as lendas e costumes dos lugares que visitou. 
Quando interrogado a respeito disso, dizia simplesmente: 
-- Mero interesse profissional. 
E assim, impedia que a curiosidade dos amigos fosse mais longe. 
Enquanto escrevia, aproveitava para se lembrar dos detalhes da viagem. 
Dentre eles, das lendas que passaram a conhecer.

Texto retirado de artigos da internet sobre o folclore brasileiro, e de guias de viagens sobre o Brasil.
Luciana Celestino dos Santos
É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.


COISAS DO BRASIL PARTE 3 – REGIÃO SUL CAPÍTULO 21

 Ao passearem pela região de Contestado, os turistas descobriram que, em 1912, gente caminhava sem rumo pela região, depois de serem expulsas de suas terras: os fazendeiros registravam em cartório tudo que era gleba, e, em seguida, mostravam aos posseiros a verdade do documento lavrado – com aval da fé e da ganância. 
Quando os sem-terra já eram muitos, ameaçadores, o governo despachou treze expedições militares para dizimar a horda – na mais sangrenta guerra do estado, a do Contestado, que matou vinte e cinco mil pessoas, um terço da população de Santa Catarina na época. 
Hoje, duas cidadezinhas se destacam na região, pela excelente qualidade de vida e pelos hábitos europeus. 
Treze Tílias, austríaca, são os Alpes Verde-amarelos que honram o apelido e a tradição. 
E Fraibugo, alemã, vive das maçãs que colhe de seus vastos pomares. 
Depois em Lages, os turistas se depararam com uma fazenda centenária, antiga pousada de tropeiros, atrás das montanhas. 
Lá o camargo matinal é um café moído com açúcar queimado, e um esguicho de leite tirado na hora para espumar. 
O cavalo selado indica que a manhã é reservada a cavalgadas, com paradas às margens dos rios, para pesca ou mergulho. 
Quando a fome aperta, o ar do casarão da fazenda está impregnado do aroma do feijão tropeiro e da paçoca de pinhão que serão servidos no almoço. 
À tarde, os turistas foram aprender a domar potros, mas a inevitável sesta vespertina é ante-véspera da noitada – posto que entre elas aprecia-se um bolinho de chuva da vovó, que é pra primeira cachaça no bolicho (taberninha) não arranhar. 
Quando a lua chega e ar esfria, é hora de churrasquear no fogo de chão, sapear o pinhão (assá-lo na brasa), ouvir moda de viola e histórias do folclore serrano, e prosear tomando vinho quente e chimarrão. 
A região perdeu parte de seus bosques de araucária, mas ainda possui fauna e flora riquíssimas, especialmente se vêem aves raras e animais silvestres desgarrados cruzando o caminho. 
À estrada do Rio do Rastro vai rodeando montanhas escarpadas de pedras, quase sempre cobertas de vegetação (ou de neve), e vai subindo, subindo, formando despenhadeiros de onde mal se vê o precipício. 
Há mil trezentos e sessenta metros está São Joaquim. 
Conhecida pela neve produzida pelas temperaturas mais baixas do país, nas temporadas de inverno, promove festas todo o fim-de-semana – são rodeios, churrasco, vinho, chimarrão, danças e músicas típicas, com todos vestidos a caráter. 
O artesanato inclui blusas, luvas, gorros, mantas e lã de carneiro. 
Segunda produtora de maçãs no estado, depois de Fraiburgo, São Joaquim, sedia a Festa Nacional da Maçã, nos anos pares. 
No Centro da Maçã, lojinha do seu Eliézer – que todos conhecem –, mel, e derivados como geléias e pães, quinze tipos de maçãs, e o afrodisíaco vinagre de maçã, são vendidos no local. 
Em Curitiba, os turistas foram conhecer o Largo da Ordem. 
No setor histórico, conserva um antigo bebedouro que servia à cidade e matava a sede dos tropeiros que seguiam rumo ao sul. 
Em volta, lampiões e velhos casarões coloniais dos séculos XVIII e XIX provam que Curitiba respeita sua história e não tem preconceito contra pichações artísticas: as paredes das casas preservadas trazem poemas de Paulo Leminski, que traduziu a cidade em sua forma mais perfeita. 
Feira de artesanato e shows animam os domingos. 
Na Igreja da Ordem, os turistas descobriram que esta, é a mais antiga da cidade. construída em 1737, tem altar em talha dourada. 
Ao lado, o Museu de Arte Sacra, que reúne imagens preciosas de santos como a da padroeira Nossa Senhora dos Pinhais de Curitiba, do século XVIII. 
Na Casa Romário Martins, os turistas se depararam com o último exemplar da arquitetura colonial portuguesa do século XVIII. 
Foi armazém de secos e molhados e desde 1973 abriga o Armazém da Memória. 
Além disso, uma exposição de fotos conta a imigração de italianos e menonitas, grupo étnico-religioso integrado pelos alemães-russos que chegou ao Brasil em 1930. Na Fundação Cultural de Curitiba, os turistas se depararam com a construção de 1877, que é o antigo Palacete Wolf e já foi sede da Câmara e da Prefeitura, quartel, loja e moradia. 
Em 1975 transformou-se em fundação cultural e abriga exposição de fotografia, cerâmica, artes plásticas. 
No Relógio das Flores, os turistas se depararam com um relógio de seis metros de diâmetro, formado por flores de muitos matizes, plantadas de acordo com a estação. 
Nas Ruínas de São Francisco, os turistas observaram a construção, ou que sobrou dela, iniciada em 1809. 
Deve-se atentar também, quanto ao fato de que a obra da capela não terminou. 
Ao lado, barzinhos e cafés com lampiões ficam lotados à noite. 
E um palco com arquibancadas ao ar livre acolhe ‘happenings’ e grupos teatrais populares de Curitibas. Ao passarem pela Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, no marco zero, os turistas observaram a construção, em estilo gótico, dedicada à padroeira da cidade. 
Substituiu uma igreja de taipa demolida em 1876. 
Na Rua das Flores, os turistas caminharam no primeiro calçadão brasileiro, de 1972, com canteiros de flores bem-cuidados e todos os serviços que alguém espera numa área central – com bares, lanchonetes, antigas confeitarias em prédios centenários e um serviço de creche que funciona num bondinho, para as mamães que querem fazer as compras sossegadas. 
Ao passarem pela Boca Maldita, os turistas ao passearem no famoso calçadão, se depararam com uma bocarra simbolizando o espírito do lugar. 
É palco de manifestações políticas, de declamação de poesias e ponto de encontro de discussão dos boatos políticos, do dia-a-dia ao futebol. 
Mais tarde, os turistas, passeando na Rua Vinte e Quatro Horas, descobriram que a primeira rua do tipo no Brasil, é um território livre para notívagos de oito à oitenta anos. 
Com teto de vidro e estrutura de arcos de ferro, tem de tudo um pouco: bares, sorveterias, restaurantes, doçarias, lojas de presentes, farmácia e minimercado. 
O agito aumenta logo que anoitece: a rua vira um ‘footing’ moderninho, com mesas coalhadas de gente bebendo chope ou vinho quente, nas noites mais frias. 
Na Torre Mercês, os turistas se depararam com a torre da companhia de Telecomunicações de Curitiba (Telepar) e que virou um concorrido mirante. 
Do ponto mais alto da cidade (cento e dez metros), o pôr-do-sol é de cair o queixo. 
Na Pedreira Paulo Leminski, os turistas puderam apreciar um amplo gramado à beira do lago, com capacidade para trinta mil pessoas, que tem como pano de fundo uma pedreira desativada. 
Palco ao ar livre dos eventos mais descolados da cidade, acolheu show dos tenores Pavarotti, Domingo e Carreras, no aniversário de trezentos anos de Curitiba, em 1993. 
Ao passearem pela Ópera de Arame, os turistas observaram o teatro com mil e oitocentos lugares na platéia, e seiscentos nos camarotes construídos em ferro tubular e de cobertura transparente. 
A estrutura lembra a Ópera de Paris. 
Tem casa de chá e a Pedra da Fama, em que placas de metal assinalam seus visitantes ilustres, como Paul McCartney e Chico Buarque. 
Mais tarde, foram conhecer a Universidade Livre do Meio Ambiente. 
Lá a ecologia é o tema central desta universidade encravada num bosque de mata nativa, com trinta e sete mil metros quadrados. 
À beira do lago, uma construção rústica usa como pilares, antigos postes de madeira e oferece cursos rápidos de formação ambiental. 
Depois, no Bairro Santa Felicidade, os turistas foram passear no local fundado por imigrantes italianos, que preserva casas típicas do início da colonização, no século passado. 
Ao longo da Avenida Manoel Ribas, são mais de vinte restaurantes com o melhor rodízio, acompanhado de massas e polenta. 
Até as churrascarias servem o rodízio acompanhado de massas e polenta. 
Aproveitando, os turistas compraram um vinho, o Durigan, numa réplica de adega européia. 
Lá também, há ofertas, de licores, queijos e salames. 
No Bosque João Paulo II, os turistas descobriram que os imigrantes poloneses são o público habitual. Criado após a visita do Papa a Curitiba, em 1980, o bosque é Memorial da Imigração Polonesa do Paraná. 
Tem cinqüenta mil metros quadrados, e é composto por sete casas de troncos de madeira, em estilo polonês, onde se pode comprar artesanato típico. 
Após, os turistas foram comprar velas, porta-canetas, almofadas, marcadores de livro, pratos com desenhos ucranianos, lindas caixas de madeira para instrumentos de sopro e os ‘pêssanka’ – ovos de Páscoa pintados à mão. 
Em Paranaguá, os turistas foram ver a Igreja de Nossa Senhora do Rosário. 
Primeira igreja do Paraná, foi construída entre 1575 à 1578. 
Na Igreja de São Benedito, os turistas se depararam com uma construção em estilo colonial, erigida por escravos no século XVIII. 
No Teatro da Ordem, os turistas observaram a construção em estilo barroco, a antiga igreja do século XVIII que virou teatro depois de um incêndio. 
No Palácio de Nacar, os turistas admiraram a construção em estilo neoclássico, que possuí ruínas de uma antiga senzala. 
No Mercado Municipal do Café, os turistas observaram a estrutura de ferro fundido trabalhado, em detalhes art-noveau. 
Lá, lojinhas de artesanato e bares especializados em frutos do mar. 
Na Fonte Velha, os turistas se depararam com a construção do século XVII que abasteceu a cidade até 1914. 
No Museu do Instituto Histórico e Geográfico, os turistas observaram jornais, moedas, porcelanas, armas e mobiliário dos séculos XVII e XVIII. 
Na Rua General Carneiro, na antiga Rua da Praia, sobrados coloniais testemunham a colonização portuguesa. 
Na Ilha do Mel, os turistas se utilizaram do acesso de barco a partir do Pontal do Sul. 
Na área de preservação ambiental, com quatro vilarejos e apenas trilhas para percorrer a pé ou bicicleta, os turistas aproveitaram para fazer um passeio. 
Depois, caminharam por praias tranqüilas e pousadas rústicas. 
Entre as construções históricas, estão a fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres, de 1767, e o Farol das Conchas, todo em ferro fundido, de 1872. 
Além disso, as piscinas naturais e as lendas cercam a Gruta das Encantadas, perto da Praia de Fora: os pescadores dizem que é a casa das sereias. 
Na Ilha da Cotinga, os turistas aproveitaram para fazer um passeio de barco. 
Além disso, o lugar que conta com as lendas de navios piratas naufragados e tesouros escondidos, oferece trilhas na mata. 
Mais de trezentos degraus de pedra levam à antiga capela construída em 1677 em homenagem a Nossa Senhora das Mercês, de onde se vê o mar e toda a Paranaguá. 
Na Ilha dos Valadares, os turistas resolveram fazer um passeio a pé. 
Mais tarde, foram conhecer um pouco melhor o modo de vida dos pescadores, que cultivam tradições no artesanato – cestas e cerâmica –, na culinária – o barreado – e na mais tradicional dança típica do estado, o fandango. 
Na Praia Pontal do Sul, os turistas apreciaram suas águas tranqüilas e boas para banho. 
Na Praia de Leste, os rapazes se esbaldaram com seu mar agitado, ótimo para surfe e bodyborad. 
A seguir, os turistas assistiram a Festa de Nossa Senhora dos Navegantes, onde apreciaram a procissão marítima, a queima de fogos, comidas típicas e bailes. 
Já durante a Festa da Tainha, os turistas acompanharam regatas, shows e pratos à base de tainha. Depois, os turistas foram conhecer o litoral. 
Lá, os mares navegados testemunharam muitas vidas, muitas culturas. 
Dos guarás, dos mico-leões, dos papagaios-de-cara-roxa, dos índios que a quase tudo deram nome. Esses mares deram passagem aos brancos, aos piratas, aos corsários, aos portugueses e espanhóis. 
Cada grupo à sua maneira deixou suas digitais nesta costa. 
Os guarás carmezins, que freqüentavam aos bandos o litoral paranaense, provam que eram abundantes nos balneários de Guaratuba – muitos guarás – e Guaraqueçaba – o pouso dos guarás. 
Antonina é eloqüente na presença colonial. 
Os turistas, curiosos, perguntaram a um pescador se havia uma ilha que escondia tesouros, e ele indicou uma. 
Como já era de se esperar, ele mandou-os à Superagui. 
Estava correto. 
O ouro pode não ser encontrado, mas sua fortuna está lá na forma de um dos maiores viveiros de peixes do mundo. 
Em Vila Velha, do lado oposto às verdes colinas que se perdem no horizonte, gigantescas rochas formam paredões e desenham uma paisagem árida e silenciosa, num cenário de terra vermelha e vegetação rasteira. 
Os índios chegaram, olharam, batizaram de Itacueretaba – cidade extinta de pedras – e trataram de se mandar para paragens mais animadas. 
Até hoje, os únicos habitantes destes vastos campos são lobos-guarás, jaguatiricas, perdizes e tamanduás-bandeiras. 
A atração do Parque Estadual de Vila Velha são vinte e dois enormes blocos areníticos esculpidos pela chuva, pelo vento e movimentos da terra, ao longo de trezentos e cinqüenta milhões de anos. 
Neles, o tempo imitou a arte nas figuras de um camelo, um leão, uma bota, um rinoceronte, a proa de um navio, a cabeça de um índio, uma taça, cogumelos. 
Para conhecer as formações rochosas caminha-se duas horas por uma trilha que vai ziguezagueando as esculturas ou se embarca no ‘bondinho’ – duas carretas abertas puxadas por um trator –, que segue circulando as rochas até uma curiosa gruta onde a erosão destruiu parte do teto. 
No local, lanchonetes, churrasqueiras e sanitários. 
A três quilômetros das formações de arenito, estão as Furnas – três enormes crateras circulares, erodidas por rios subterrâneos ao longo de milhares de anos. 
Com cem metros de profundidade e água até a metade, proporcionam uma deslumbrante viagem ao interior da Terra. 
Um elevador panorâmico desce por uma delas até cinqüenta e quatro metros, onde há uma plataforma sobre o lago. 
As águas que brotam das paredes da fenda formam pequenos arcoíris, em meio a revoadas de andorinhas. 
Outros três quilômetros adiante, mais um capricho da natureza, a Lagoa Dourada. 
Rodeada por mata exuberante, ela se cobre de ouro ao entardecer, quando o sol reflete sua cor no fundo do leito de mica. 
Fora do parque, lendas de tesouros escondidos no Rio São Jorge, que brinca de descer escadas, formando cachoeiras. 
Já o Rio Quebra-Perna se esborracha de trinta metros de altura e desaba numa fenda geológica, verdadeiro anfiteatro subterrâneo, chamado de Buraco do Padre. 
A seguir, em Foz do Iguaçu, os turistas descobriram que a vocação deste magnífico sítio, é brilhar. 
Há cento e oitenta milhões de anos, dizem os especialistas, não havia uma gota d’água por aqui, e todo o espaço ocupado hoje pelas maiores cataratas do planeta em volume de água era um tremendo deserto, de fazer corar de vergonha o Saara – pelo tamanho e pela aridez. 
Foi quando se operou uma revolução para lá de milenar, das placas tectônicas, que transformou a grandiosidade que havia, em seu exato oposto: muita água e vegetação. 
Foi cavalgando por estas florestas, em 1916, que Santos Dumont, maravilhado com o turbilhão de águas que se lançavam do alto da fronteira do Brasil e da Argentina, rebelou-se com o fato de tudo isso pertencer a um certo Jesus do Val – um só homem dono de tanto iguaçu (água grande, para os índios). Iniciou então, uma campanha pela criação de um parque. 
As cataratas então, foram logo declaradas de utilidade pública, mas viraram parque nacional somente em 1939, ganhando cento e oitenta mil hectares de matas preservadas e virando um dos maiores parques do país. 
As cataratas alimentam um frágil ecossistema onde vivem animais selvagens, alguns ameaçados de extinção, como onça-pintada, furão, mão-pelada, jacaré-do-papo-amarelo, veado campeiro. 
Nas Matas Atlântica e de Araucárias, há trezentas e cinqüenta espécies de aves. 
Algumas bem raras, como a enorme jacutinga, o gavião harpia e o estridente papagaio-de-peito-roxo. Competindo com o espetáculo de milhares de gotas que ricocheteiam das cataratas em queda, nuvens de borboletas em revoada, também chamadas de panapanás. 
São mais de mil espécies colorindo a bruma branca que abraça Iguaçu. 
Megaestrelas como sempre, as águas do Rio Iguaçu ostentam a coroa de gerar energia para a maior hidrelétrica do Brasil, em capacidade, Itaipu. 
O lado de lá da fronteira é reservado a outro tipo de inundação. 
Os sacoleiros fazem a farra dos importados de procedência duvidosa nas lojas e shoppings da Argentina e do Paraguai. 
A roleta também gira fácil nos cassinos. 
É só atravessar a ponte para pisar em outro país, sem passaporte. 
Nas compras ou no jogo, boa sorte. 
Os turistas precisavam.

Texto retirado de artigos da internet sobre o folclore brasileiro, e de guias de viagens sobre o Brasil.
Luciana Celestino dos Santos
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