Poesias

domingo, 29 de março de 2020

O Cangaço

Nesse mesmo ano, o mais famoso cangaceiro, Lampião, também conhecido como Capitão Virgulino, e sua companheira, Maria Bonita, foram mortos no refúgio de Angicos, fazenda da região do Raso da Catarina, na divisa entre Bahia e Sergipe.
Junto com eles, morreram mais nove integrantes do bando.
Alguns dos bandos de jagunços, que formavam as tropas dos grandes proprietários rurais nordestinos, tornaram-se cangaceiros, e passaram a atuar por conta própria no final do século XIX.
Extremamente violentos, percorreram os sertões assaltando viajantes nas estradas, invadindo propriedades, pilhando vilarejos e aterrizando populações.
Entraram em confronto com o poder dos coronéis, da polícia, do governo estadual e federal.
Entre os cangaceiros mais famosos e temidos estavam Antônio Silvino (Manuel Batista de Morais), Lampião (Virgulino Ferreira da Silva) e Corisco (Cristiano Gomes da Silva).
Lampião, valente e de hábitos refinados, foi acompanhado por Maria Bonita e tornou-se figura conhecida até no exterior.
Apesar do banditismo, o Cangaço virou lenda no Nordeste e em todo o país.

Luciana Celestino dos Santos
É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.

O Estado Novo

Em 1937, baseado na existência de um suposto Plano Comunista (Plano Cohen) divulgado pelo General Góis Monteiro em 30 de setembro para tomar o poder pela luta armada, Getúlio Vargas implantou, a partir de um Golpe de Estado, o Estado Novo, anunciado pelo rádio como a nova ordem do país.
Autoritarismo, centralismo e corporativismo foram as características do novo regime, que o teve o apoio dos setores sociais mais conservadores.
Nesse cenário, a Quarta Constituição foi outorgada.
Em nome da segurança nacional, o Congresso foi fechado, foram abolidos os Partidos Políticos, suspensas as eleições livres, os tribunais e os juízes independentes.
Mais tarde ficou evidente que o Plano Comunista que justificava a instalação do regime ditatorial, foi uma fraude montada por partidários do governo.
A Constituição de 1937, foi apelidada de Polaca por sua clara inspiração em constituições de regimes facistas europeus, como os da Polônia, de Portugal, da Espanha e da Itália.
A nova Constituição institucionalizou o regime ditatorial do Estado Novo.
Estabelecia a pena de morte (extinta na Constituição seguinte, promulgada em 1946), suprimiu a liberdade partidária e anulou a independência dos poderes e autonomia federativa.
Permitiu a suspensão da imunidade parlamentar, a prisão e o exílio de opositores.
Instituiu também eleição indireta e mandato de seis anos para presidente da República, que passou a concentrar a maior parte do poder político.
Em 1938, para centralizar o controle da burocracia oficial, Getúlio Vargas criou por meio de decreto-lei o Departamento Administrativo de Serviço Público (Dasp).
No campo econômico, avançou o controle estatal das atividades ligadas ao petróleo e aos combustíveis com a criação do Conselho Nacional do Petróleo (CNP).
O Período do Estado Novo, apesar do autoritarismo e da eliminação das liberdades democráticas, garantiu grande avanço nas políticas sociais e econômicas, pela implantação de ampla legislação trabalhista e pelo apoio à industrialização, com projetos oficiais nas estratégicas áreas siderúrgica e petrolífera.
Uma tentativa de golpe foi reprimida.

Luciana Celestino dos Santos
É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.

sábado, 14 de março de 2020

A Intentona Comunista

Em 1935, ex-tenentes, comunistas, socialistas, líderes sindicais e liberais, excluídos do poder, criam no Rio de Janeiro a Aliança Nacional Libertadora (ANL).
Lideranças políticas democráticas e de esquerda, reproduziram o modelo das frentes populares européias, para enfrentar o Facismo na Europa, e o Integralismo no Brasil.
A ANL aprovou um programa de reformas sociais, econômicas e políticas, que incluíam o aumento de salário, nacionalização das empresas estrangeiras, proteção ao pequeno e médio empresário, e defesa da liberdade pública.
Luís Carlos Prestes, foi convidado para a Presidência de Honra da organização.
Aproveitando o apoio popular à causa antifacista, Prestes lançou um manifesto, pedindo a renúncia de Getúlio Vargas.
O governo reagiu, decretando a ilegalidade da Aliança, que, impedida de atuar publicamente, se enfraqueceu.
O presidente manteve o país sob Estado de Sítio, com suspensão dos direitos constitucionais, e forte repressão policial, justificadas como defesa do país, contra o Comunismo.
Nisso, no mesmo ano, o Partido Comunista Brasileiro (PCB), com a ajuda de Luís Carlos Prestes e a adesão de simpatizantes, em importantes unidades do exército, preparou uma rebelião político-militar.
A intenção era derrubar o Presidente Getúlio Vargas, e instalar um governo de caráter socialista.
O levante nos quartéis, seria o sinal para um levante geral, e o início da revolução popular.
A revolta, que ficou conhecida pelo termo depreciativo, como Intentona Comunista (Intentona – vem de evento louco e irresponsável), começou precipitadamente nas cidades de Natal (capital do Rio Grande do Norte) e do Recife (capital de Pernambuco), nos dias 23 e 24 de novembro de 1935.
Isso fez com que os líderes do movimento, apressassem a mobilização no Rio de Janeiro.
O palco das revoltas foi o 3º Regimento de Infantaria, na Praia Vermelha, e a Escola de Aviação, no Campo dos Afonsos, na madrugada do dia 27.
No entanto, o governo estava preparado.
Com o apoio das Forças Armadas, dominou os rebeldes no mesmo dia.
Com isso, revoltosos e simpatizantes foram perseguidos e presos, em todo o país.
Alguns líderes, foram torturados e mortos.
Prestes, ficou na prisão entre os anos de 1936 à 1945.
Sua mulher, a judia alemã Olga Benário, mesmo grávida, foi entregue à polícia da Alemanha nazista, a Gestapo, e morreu num campo de concentração daquele país, em 1942, algum tempo depois de dar à luz uma menina.

Luciana Celestino dos Santos
É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.

A Constituição de 1934

Em 1934, para conquistar trabalhadores e transformá-los em base de sustentação política, o governo Vargas estabeleceu a jornada de trabalho de 8 horas diárias, e tornou obrigatória a carteira profissional.
O Sindicalismo entrou então em nova fase, e o movimento operário não era mais considerado questão de policia, como durante a República Velha.
A luta dos sindicatos em defesa de melhores condições de trabalho, e de outros interesses comuns, havia surgido no Brasil com a chegada dos imigrantes europeus, no final do século XIX.
,Neste mesmo ano, Getúlio Vargas foi eleito Presidente, pelo voto indireto da Assembléia Nacional Constituinte, em 15 de julho, com mandato até 1938.
A partir daí, as eleições seriam diretas.
A Terceira Constituição, foi promulgada pela Assembléia Constituinte.
Esta nova Constituição, promulgada após a Revolução de 1930, reproduziu a essência do modelo liberal anterior (de 1891).
O Governo Federal, no entanto, teve mais poder, e ela assimilou as disposições do Código Eleitoral de 1932, entre as quais estava a extensão dos votos às mulheres.
Ela também previu a criação da Justiça Eleitoral, e da Justiça do Trabalho, e estabeleceu o ensino primário gratuito e obrigatório.

Luciana Celestino dos Santos
É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.

Os Integralistas

Também em 1932, Plínio Salgado e Gustavo Barroso, fundaram em São Paulo, a Ação Integralista Brasileira (AIB), de inspiração nazi-facista.
O movimento, defendia o estado autoritário e nacionalista, a sociedade baseada em hierarquia, ordem e disciplina social, e o reconhecimento da suprema autoridade jurídica do Chefe da Nação, sobre os indivíduos, as classes e as instituições.
Alguns de seus ideólogos, deram ao integralismo, fundo racista, ao defender a superioridade da população branca brasileira sobre os negros, mestiços e judeus.
O programa da AIB, misturava idéias nacionalistas e a defesa da autoridade do Estado, diante do que chamavam de anarquia liberal, com o lema: Deus, Pátria e Família.
O prestígio político do integralismo, diminuiu com o golpe que instalou o Estado Novo, em 1937, e extinguiu os partidos políticos.
Desiludidos com Getúlio Vargas, os integralistas promoveram um assalto ao Palácio Presidencial, no Rio de Janeiro.
Depois disso, foram perseguidos e seus líderes, presos.
O movimento se desarticulou.

Luciana Celestino dos Santos
É permitida a reprodução, desde que citada a fonte. 

A Revolução de 1932

Em 1932, a oligarquia paulista, derrotada pela Revolução de 1930, defendia a instalação de uma Constituinte, para fazer oposição ao Governo Provisório de Getúlio Vargas, a quem acusavam de retardar a elaboração da Nova Constituição.
Iniciou-se então a Revolução Constitucionalista de 1932.
No dia 23 de maio, durante comício no centro da capital paulista, a repressão policial aos manifestantes, resultou na morte de quatro estudantes – Martins, Miraguaia, Dráusio e Camargo.
Em homenagem a eles, o movimento passou a se chamar MMDC – as iniciais dos rapazes mortos –, e ampliou-se a base de apoio na classe média.
A rebelião armada começou em 9 de julho, proclamada pelo ex-Governador paulista Júlio Prestes e pelo Interventor Federal Pedro de Toledo, que aderiu à campanha.
As frentes de combate, com efetivo de quarenta mil homens, incluindo milhares de voluntários civis, ficaram na divisa com Minas Gerais, Paraná e no Vale do Paraíba.
Os revoltosos esperaram apoio de outros estados, que não chegou, e São Paulo foi cercado pelas tropas legalistas.
 Em virtude disso, os paulistas se renderam no dia 3 de outubro.

Luciana Celestino dos Santos
É permitida a reprodução, desde que citada a fonte. 

Revolução de 1930

A seguir, eclodiu a Revolução de 30, ocorrida no mesmo ano.
Tratava-se de um movimento político-militar que derrubou o Presidente Washington Luís, e acabou com a República Velha, levando Getúlio Vargas ao poder.
Durante a década de 20, a mobilização do operariado, as Revoltas Tenentistas e as dissidências políticas, enfraqueceram as oligarquias, ameaçando a aliança entre São Paulo e Minas Gerais.
O paulista Washington Luís, então Presidente, enfrentou o endividamento interno e externo e a retração das exportações.
Alegando defender interesses da cafeicultura, lançou como candidato à sua sucessão o governador de São Paulo, Júlio Prestes, e rompeu com a Política do Café com Leite.
Em represália, o Partido Republicano Mineiro (PRM) passou para a oposição e formou a Aliança Liberal, lançando a candidatura do gaúcho Getúlio Vargas à Presidência.
Em março de 1930, os candidatos da chapa oficial ganharam, e a oposição se desmobilizou.
Em julho, no entanto, o paraibano João Pessoa, candidato a Vice-Presidente de Getúlio Vargas, foi assassinado num crime passional, e os aliancistas atribuiram motivos políticos ao crime.
Em resposta a isso, uma rebelião foi organizada e, em outubro, deflagrou no Nordeste.
No final do mês, os ministros militares depuseram Washington Luís e, em 3 de novembro, Getúlio Vargas chegou ao Rio de Janeiro, vindo do Rio Grande do Sul, e assumiu o Governo Provisório.
Após a Revolução de 1930, que encerrou a primeira fase da República, e levou Getúlio Vargas ao poder, num Governo Provisório, o eixo da política econômica assumiu caráter mais nacionalista.
O Presidente Vargas anunciou a determinação de implantar a indústria de base, o que permitia ao país reduzir a importação, estimulando a produção nacional de bens de consumo.
Também suspendeu o pagamento da dívida externa, e criou o Conselho Nacional do Café.
Para reduzir a oferta e melhorar os preços, mandou queimar o produto estocado, e erradicar cafezais, pagando pequena indenização aos produtos.
A chamada Era Vargas seguiu até 1945.
No ano de 1932, o Novo Código Eleitoral, instituiu o voto secreto, e o direito das mulheres de votar e serem votadas.

Luciana Celestino dos Santos
É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.