Poesias

domingo, 23 de fevereiro de 2020

A Abdicação

Em 1826, Dom Pedro I renunciou ao trono de Portugal em favor da filha Maria da Glória.
Após a morte de Dom João VI, Dom Pedro I envolvera-se cada vez mais com a sucessão em Portugal.
Para os portugueses, ele continuava herdeiro da Coroa, mas, para os brasileiros, o Imperador não tinha mais vínculo com a Metrópole.
No ano de 1830, o apoio que Dom Pedro I buscava entre os portugueses instalados na burocracia civil-militar e no comércio, desagradou à oposição liberal brasileira.
Por esta razão, incidentes políticos graves, como a morte do jornalista oposicionista Líbero Badaró, em São Paulo, a mando de policiais ligados ao governo imperial, reforçaram o afastamento dos liberais brasileiros.
Dom Pedro por conta desses acontecimentos, foi responsabilizado pelo assassinato.
Aos 7 de abril de 1831, Dom Pedro I abdicou do trono brasileiro.
A queda de sua popularidade ficou exposta quando foi recebido com frieza em Minas Gerais, numa visita que era sua última tentativa de recuperar prestígio político.
O apoio público dos portugueses que viviam no Rio de Janeiro, desencadeara a retaliação dos setores antilusitanos.
O Imperador bem que tentou reagir aos tumultos, mas terminou por desistir, ao ver que não tinha mais sustentação política.

Luciana Celestino dos Santos
É permitida a reprodução, desde que citada a fonte. 

A Guerra Cisplatina

Entre os anos de 1825 a 1828, tropas uruguaias lideradas por Antonio Lavalleja e Fructuoso Rivera e apoiadas pela Argentina, cercaram Montevidéu em 1825 e declararam a Independência do Uruguai.
Foi o início da Guerra da Cisplatina.
Esse território fora anexado ao Brasil em 1821 como Província Cisplatina.
A região tinha importância estratégica na navegação e no comércio de todo o Rio da Prata.
Em 1827 tropas brasileiras foram derrotadas na Batalha denominada Passo do Rosário.
No ano de 1828, se encerrou a guerra, com o reconhecimento pelo Brasil e Argentina, da independência da região.

Luciana Celestino dos Santos
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Confederação do Equador

Mas, ainda no final de 1823, havia chegado a Pernambuco, a notícia da dissolução da Assembléia Constituinte por Dom Pedro I, no Rio de Janeiro.
Os líderes provinciais reagiram imediatamente à decisão autoritária do Imperador.
O movimento cresceu quando Dom Pedro outorgou a Constituição do Império, em março de 1824, sem convocar eleições para a Nova Constituinte.
Nisso, as elites pernambucanas contestaram a legitimidade dessa Constituição e, com a adesão da Paraíba, do Rio Grande do Norte e do Ceará, anunciaram a formação de uma República, a Confederação do Equador.
A revolta foi violentamente reprimida pelas tropas imperiais.
Em setembro, os rebeldes foram derrotados na capital e fugiram para o interior, onde muitos acabaram aprisionados ou mortos.
Frei Caneca, ideólogo do levante, foi executado em 1825.

Luciana Celestino dos Santos
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A Constituição de 1824

No ano de 1823, realizaram-se as eleições para a Assembléia Constituinte, da Primeira Constituição do Império Brasileiro, dissolvida pelo Imperador no mesmo ano, como resultado de suas divergências com deputados brasileiros.
Dom Pedro I exigia poder pessoal superior ao do Legislativo e do Judiciário.
Mesmo assim, no ano 1824, foi elaborada pelo Conselho de Estado, a Primeira Constituição Brasileira, outorgada por Dom Pedro I no dia 25 de março.
Concluiu-se o processo de separação entre Colônia e Metrópole.
Esta Constituição, manteve os princípios do liberalismo moderado, e fortaleceu o poder pessoal do Imperador, com a criação do Poder Moderador, acima dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
Ela estabelecia que as províncias passassem a ser governadas por presidentes nomeados pelo Imperador, e a Câmara dos Deputados, fosse eleita por voto indireto e censitário.
Os eleitores votavam num Conselho Eleitoral, que escolhia os deputados.
Apenas homens livres que cumpriam algumas condições, inclusive de renda, participavam das eleições.
Esses requisitos eram chamados de censos.

Luciana Celestino dos Santos
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Independência ou Morte

Durante o Primeiro Reinado, os portugueses anularam a convocação da Assembléia Constituinte Brasileira e exigiram, com ameaça de envio de tropas, o retorno imediato de Dom Pedro.
Todavia, ele não acatou as exigências das Cortes, e no dia 7 de setembro se deu a Independência do Brasil, com a declaração oficial de separação política entre a Colônia e a Metrópole Portuguesa.
Dom Pedro foi aclamado Imperador pelos pares do reino, em outubro e, dois meses depois, foi coroado pelo Bispo do Rio de Janeiro, recebendo o título de Dom Pedro I.
Assim, voltando para São Paulo, após uma viagem a Santos, Dom Pedro recebeu notícias vindas de Portugal às margens do Riacho do Ipiranga, e elas eram desanimadoras.
Convencido da necessidade de separação entre a Colônia e a Metrópole, ele arrancou do chapéu as cores de Portugal e, aclamado pelo séquito gritou: Independência ou Morte.
É assim que tradicionalmente era contada a Independência do Brasil.
As origens desse processo estavam ligadas ao agravamento da crise do sistema colonial, sinalizado pelas revoltas do final do século XVIII e começo do XIX, como a Inconfidência Mineira, A Conjuração Baiana e a Revolta Pernambucana de 1817.
As idéias liberais e republicanas era ainda reforçadas pela Independência dos Estados Unidos, declarada em 1776, e pela Revolução Francesa, processo que foi de 1789 à 1799.
Internacionalmente cresceu a condenação ao absolutismo e, uma época de livre comércio aumentaram as pressões contra o monopólio comercial português, e o excesso de impostos.
Também concorreu para a independência, a instalação da Corte Portuguesa no Brasil, em 1808, que tomou medidas contra a abertura dos portos e a criação do Reino Unido do Brasil, que na prática cortou os vínculos coloniais e preparou a independência.

Luciana Celestino dos Santos
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sábado, 22 de fevereiro de 2020

O Fico

Em 1822, pressionado pelas Cortes Constituintes, Dom João VI exigiu que Dom Pedro retornasse a Lisboa.
O príncipe regente contudo, resistiu as pressões, temeroso de que não seria nada mais do que uma vã tentativa, de esvaziar o poder da Monarquia.
Em 9 de janeiro, sua decisão de permanecer no Brasil foi anunciada como o Dia do Fico.
Para tanto ele contou com a ajuda de políticos brasileiros, defensores da manutenção do Brasil como Reino Unido, que organizaram um abaixo-assinado pedindo-lhe que não deixasse o país.
No mesmo ano, Dom Pedro recusou fidelidade à Constituição Portuguesa, e convocou a primeira Assembléia Constituinte Brasileira.
Após ter declarado inimigas as tropas portuguesas que desembarcassem no Brasil, o Princípe Regente assinou o Manifesto às Nações Amigas, redigido por José Bonifácio, o Patriarca da Independência, justificando o rompimento com as Cortes Constituintes de Lisboa, e assegurando a Independência do Brasil, mas como reino irmão de Portugal.

Luciana Celestino dos Santos
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Dom João VI

Nos idos de 1818, com a morte de sua mãe, Dona Maria I, o regente é coroado Rei de Portugal, do Brasil, e de Algarves, no Rio de Janeiro, com o título de Dom João VI.
Em 1821, o Brasil anexa a Banda Oriental (atual Uruguai), a seu território, como Província Cisplatina.
Localizada na entrada do estuário do Prata, a Cisplatina era uma área de alto valor econômico e estratégico, para brasileiros e argentinos em relação ao controle de navegação e o comércio de toda a Bacia Platina.
Cinco anos antes, com a Independência da Argentina, o Vice-Reinado do Prata havia se desagregado.
Neste mesmo ano, as Cortes Constituintes – o Parlamento Português – impuseram a Dom João VI, o juramento antecipado da primeira Constituição Portuguesa, e exigiram sua volta.
No ano anterior havia eclodido em Portugal a Revolução do Porto, movimento liberal e antiabsolutista da burguesia.
Diante disso, depois de se comprometer com a futura Constituição, Dom João regressou a Portugal, deixando Dom Pedro, seu filho mais velho, como regente do Reino Unido do Brasil.
Assim, Dom João submeteu-se ao Regime Constitucionalista e readquiriu seus poderes monárquicos em 1823, enfrentando a luta de sua mulher, a espanhola Carlota Joaquina, e do filho Miguel pelo trono.

Luciana Celestino dos Santos
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