Poesias

quinta-feira, 27 de maio de 2021

OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO - CAPÍTULO 16

A certa altura, ao chegar na praia, Elis cansada, sentou-se na areia, e diante do mar, começou a chorar. Dizendo que não esperava sofrer em tão pouco tempo outra decepção, a moça comentou que desde que o conhecera, nunca mais soube o que era ter paz.
Lourival, ao perceber a decepção nos olhos de sua namorada, comentou que não estava fazendo nada de grave. Alegando que a única pessoa a quem estava prejudicando era a ele mesmo, Lourival tentou de todas as formas possíveis, convencer, Elis de que estava sendo sincero quando dizia que queria lhe proporcionar uma vida de rainha.
A moça ao ouvir estas palavras, compreendeu finalmente seu intento, mas dizendo que não era preciso que ele se arriscasse, comentou que podia trabalhar. Alegando que em breve se tornaria professora, Elis insistiu em dizer, que podia perfeitamente trabalhar.
Lourival todavia, ao ouvir as palavras de Elis, comentou que sua futura mulher não iria trabalhar. Dizendo que era homem suficiente para cuidar de sua família, o rapaz comentou que não precisava de ajuda.
Elis tentou retrucar, mas Lourival, teimoso, não queria ouvi-la. Todavia, prometendo que não jogaria mais, conseguiu acalmá-la.
E nos dias que se seguiram, o rapaz não foi jogar.
Elis, percebendo o empenho de Lourival em cumprir com sua palavra, se aquietou.
Com isso, os dois, aproveitando um dia em que Marta e Renato não estavam em casa, dormiram juntos. Lourival, ansioso por ter Elis em seu quarto, dormindo em sua cama, assim que viu seus tios saírem, chamou-a.
A moça porém, relutou muito até aceitar a proposta. Mas Lourival, persuasivo, acabou a convencendo a aceitar o convite.
Foi assim que os dois viveram pela primeira vez, uma noite de casal.
Com isso, feliz com a escolha que fizera, Lourival decidiu finalmente marcar a data de seu casamento.
Desta forma, ao pedir a moça em casamento, Lourival, ouviu prontamente um sim.
Isso por que, Elis, ao ser pedida em casamento, não se fez de rogada. Aceitou imediatamente o pedido.
Diante disso, Lourival, que havia comprado um anel de noivado, ofereceu-o a moça. Visivelmente constrangido, o rapaz comentou que apesar de não possuir um anel repleto de brilhantes como ela merecia, foi o que conseguiu comprar.
Elis, ao notar o acanhamento de Lourival, comentou que apesar de simples, o anel era muito lindo.
O rapaz ao ouvir o comentário, sorriu.
Marta e Renato ao perceberem que as coisas estavam se encaminhando, encomendaram um bolo na confeitaria. Foi assim que eles comemoraram o noivado do sobrinho com Elis.
Lourival então, percebendo que precisava organizar uma grande festa para sua amada, tornou a jogar. Sequioso de lhe oferecer um casamento inesquecível, Lourival voltou a se encontrar com seus companheiros de jogatina.
Estes ao verem-no de volta às mesas de jogo, comentaram surpresos:
-- Nossa! Você por aqui? Quanto tempo!
Lourival, porém, nem um pouco interessado em delongas, comentou que estava ali para jogar. Assim, começou a fazer apostas.

Luciana Celestino dos Santos
É permitida a reprodução, desde que citada a autoria.

quinta-feira, 20 de maio de 2021

OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO - CAPÍTULO 15

Lourival então agradeceu e conduzindo Elis até o lugar, fechou a porta, e começou a se explicar. Alegando que seu dinheiro estava se acabando, o rapaz comentou que precisava manter ela e a seus tios. Ademais, dizendo que ela sempre vivera como uma princesa, comentou não seria justo ele impor-lhe, uma vida de miséria e tristeza.
Elis, ao ouvir as palavras do namorado, comentou que não pedira nada a ele.
Lourival concordando, respondeu que ainda que ela não tivesse pedido, ele se sentia na obrigação de proporcionar-lhe uma vida de conforto e alegria.
Elis percebendo então, que o rapaz queria provar-lhe algo, comentou que ele não tinha que provar nada a ninguém. Dizendo que gostava dele pelo que ele era e não pelo que tinha, Elis conseguiu deixá-lo comovido.
Lourival porém, a despeito do desinteresse de Elis em dinheiro, respondeu que estava com sorte. Isso por que, todas as vezes em que jogou naquela mesa, nunca perdeu grandes somas. Muito pelo contrário, quase sempre ganhava.
Elis ao ouvir isso, afirmou que esta era uma estratégia que esses donos de cassinos usavam para conquistarem a assiduidade do cliente. Depois que conseguiam ganhar sua confiança passavam a extorqui-lo, até reduzi-lo a nada.
Espantado, Lourival perguntou a moça, como ela poderia saber disso.
Elis, respondeu:
-- Sei disso por que meu pai, viu muita gente perder dinheiro desta maneira.
Lourival começou então a rir. Ao dizer que Bernardo não era a pessoa mais confiável que conhecia, conseguiu atrair a ira da moça, que irritada, respondeu:
-- Escute aqui, Lourival! Meu pai pode ter todos os defeitos do mundo, mas se tem uma coisa que ele não é, é mentiroso.
O rapaz, percebendo que fora indelicado com Elis, desculpou-se. Dizendo que não queria desrespeitar seu pai, comentou que só disse o que disse, para disfarçar seu nervosismo.
Elis ao ouvir as desculpas do rapaz, comentou que ainda estava em tempo de desistir daquela loucura.
Lourival porém, dizendo que precisava proporcionar uma boa vida à sua família, recusou a idéia da moça.
Elis então, percebendo que de nada adiantava discutir com Lourival, aborrecida, resolveu deixá-lo sozinho. Abrindo a porta do escritório, Elis saiu apressadamente da casa de jogos.
Lourival por sua vez, ao constatar que não podia deixar a moça sozinha, pediu licença a seus companheiros de jogo e partiu em seu encalço.
A moça, desapontada com o rapaz, não seguiu para a casa como seria de se imaginar. Triste, Elis tencionava ficar sozinha e por isso, foi caminhando até uma das praias que havia por ali.
Lourival, seguindo-a, pedia para que ela parasse um pouco e o ouvisse.
Elis no entanto, dizendo para ele ir embora, só conseguia deixá-lo aflito.
Com isso, ao ser descoberto, Lourival percebeu que precisava inventar uma boa desculpa para convencê-la a novamente perdoá-lo. E assim, ainda que a situação fosse complicada, Lourival não desistiria de convencer a namorada de suas boas intenções. E foi assim, que imbuído nesse objetivo, o rapaz acompanhou-a em seu percurso. Mesmo diante dos protestos da moça, Lourival, continuou a segui-la.

Luciana Celestino dos Santos
É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.

OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO - CAPÍTULO 14

Lourival a certa altura, com o dinheiro acabando, ciente de que havia prometido a Elis, não mais se envolver com contrabando, passou a jogar. Sequioso de ganhar uma boa quantia, o rapaz passava noites e noites a jogar.
Seus tios – Marta e Renato – ao notarem as constantes saídas de Lourival, começaram a indagá-lo a respeito delas.
O rapaz então, desconversando, dizia aproveitar as noites sem sono, para andar pela cidade.
Renato e Marta ao ouvirem isso, muito embora desconfiados, deixaram de lado as perguntas. Contudo, preocupados com a situação de Elis, questionaram o rapaz a respeito deste assunto. Perguntando-lhe se havia arrumado outra namorada, Lourival, surpreso, respondeu que não.
Seus tios então, deixaram de interrogá-lo.
Elis contudo, certa vez, ao perceber que o rapaz ficava boa parte da noite na rua, descontente com esta situação, esperou por ele por horas. Quando finalmente Lourival chegou, Elis, que a esta hora dormia no sofá, foi despertada por ele.
Surpreso, ao acordá-la, Lourival, quis logo saber por que ela estava dormindo na sala.
Elis então, perguntou:
-- Eu é que te pergunto. O que você faz na rua, até tão tarde da noite?
Lourival ao ser novamente inquirido a este respeito, alegou que não fazia nada demais. Dizendo que saía apenas para caminhar, respondeu que algumas vezes, o sono não vinha.
Elis, nem um pouco convencida disso, perguntou por que ele não aproveitava para ler um livro.
No que Lourival respondeu:
-- Já tentei. Mesmo assim, se o livro é interessante, não consigo ter sono. Se o livro é ruim, eu nem consigo começar a ler.
Depois desta explicação, o rapaz, transido de sono, despediu-se da namorada, e dirigindo-se ao seu quarto, trocou de roupa, e pôs-se a dormir.
Elis, no entanto, desconfiada das razões que levavam Lourival, a sair de casa de madrugada, decidiu por conta própria segui-lo.
Assim o fez. Na noite seguinte, aguardando o momento que o moço sairia de casa, Elis, ficou acordada durante toda a noite.
Quando Lourival finalmente saiu de casa, a moça partiu em seu encalço. Acompanhando-a à uma certa distância, Elis tomou todo o cuidado. Como não queria ser vista, seguiu-o discretamente.
Foi assim, que ela descobriu que todas as noites, Lourival se reunia com alguns rapazes para jogar. Reunidos em uma casa de jogo, os rapazes, passavam toda a madrugada, fazendo grandes apostas.
Ao perceber a nova forma de seu namorado ganhar a vida, Elis ficou chocada. Temerosa de que o rapaz se envolvesse em confusão, ao vê-lo apostar uma vultosa quantia, resolveu aparecer.
Quando Lourival, que estava sentado numa mesa, a viu, espantado, perguntou:
-- Elis, o que você está fazendo aqui?
Indignada a moça retrucou:
-- Eu é que pergunto: o que você está fazendo aqui?
Os demais componentes da mesa, ao verem a moça, ficaram encantados com sua beleza. Cochichando que nunca tinham visto antes uma mulher tão bonita, conseguiram deixar Lourival irritado.
O rapaz então, percebendo que aquele não era o lugar apropriado para conversar, pediu para Aliomar arrumar uma sala para que ele e Elis pudessem ficar a sós.
Prestativo, o dono da casa de jogos, ofereceu o escritório, para que os dois ali conversassem.

Luciana Celestino dos Santos
É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.

OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO - CAPÍTULO 13

À certa altura, Elis, cansada de esbravejar e gritar, cansada, atirou-se na cama e começou a chorar. Desesperada, a moça não sabia mais o que fazer. Surpreendida pelo comportamento do pai, Elis depois de um certo tempo, finalmente percebeu que não haveria acordo.
Diante disso, notando que não teria escolha, a moça começou a fazer as malas. Abrindo o armário, Elis pegou roupas, sapatos, objetos de uso pessoal, jóias e livros. Decidida a sair daquela casa de qualquer jeito, a moça fingiu dormir.
Com isso, quando seus pais adentraram o quarto, ao verem-na deitada, logo se aquietaram. Acreditavam que provavelmente, cansada de brigar, Elis acabou adormecendo.
Assim, mais calmos, Bernardo e Claudete também foram dormir.
Nisso Elis, ao notar que em casa todos dormiam, ao se aproximar da porta do quarto, percebendo que a mesma permanecia trancada, pensou na seguinte solução: amarrando vários lençóis – um no outro, formaria uma corda e assim, poderia pular a janela.
Assim fez. Amarrando os lençóis, em questão de tempo, Elis fez uma corda. Em seguida, atando um dos lençóis à janela, Elis, amarrou as malas na corda improvisada, descendo cada uma delas, sem fazer barulho. Depois, foi sua vez descer a janela.
Por fim, quando se viu do lado de fora da casa, Elis, segurando suas malas, saiu pé-ante-pé e ganhando a rua, foi imediatamente para a casa de Lourival.
Lourival que estava aflito, ao vê-la em casa, ficou muito contente. Muito embora surpreso com a situação, imediatamente, o rapaz ofereceu acolhida para a moça.
Não fosse a intervenção de Marta e Renato, e talvez o rapaz tivesse oferecido seu próprio quarto para Elis.
Com isso, na casa de Lourival, depois de muita conversa e explicação, finalmente todos foram dormir.
No dia seguinte, Bernardo, antes de sair para o trabalho, resolveu dar uma olhada na filha. Acreditando que com uma noite de castigo Elis estaria mais dócil, qual não foi sua surpresa ao ver que sua filha havia fugido.
Bernardo ao ver o quarto vazio, tratou logo de abrir as portas do armário. Ao ver que quase todas as roupas haviam sumido, percebeu que Elis saído de casa durante a noite. Quando se aproximou da janela, ao ver uma corda improvisada, constatou que havia perdido sua filha para sempre.
Desapontado, assim que falou com a esposa, Bernardo comentou que Elis havia fugido.
Claudete incrédula, demorou para acreditar no que estava acontecendo. Contudo, ao ver o quarto vazio, o armário quase sem roupas, e uma corda improvisada pendurada na da janela, constatou que o marido estava certo.
Contudo, mesmo percebendo a escolha da filha, Claudete insistiu com o marido para que a trouxesse de volta.
Bernardo, desapontado, ao ouvir as palavras da mulher, comentou que não iria atrás de Elis. Dizendo que a moça já fizera sua escolha, ressaltou que mesmo que ela voltasse por bem, nunca mais as pessoas a respeitariam.
Claudete, percebendo que o marido estava certo, deixou de falar sobre isso. No entanto, mesmo diante do comportamento da filha, Claudete, desejava que Elis voltasse.
Bernardo porém, não queria mais nem saber da filha. Dizendo que Elis estava morta, comentou que nunca mais queria vê-la.
Para Claudete, ouvir seu marido se referindo a moça desta maneira, era muito triste. Todavia, não havia nada que pudesse ser feito para mudar essa realidade.
E assim, o tempo foi passando.

Luciana Celestino dos Santos
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OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO - CAPÍTULO 12

Elis, desesperada, despedindo-se de Lourival, partiu no encalço de Abelardo. No entanto, não conseguiu alcançá-lo.
Lourival, percebendo o desespero de Elis, bem que tentou ajudá-la, mas a moça, dizendo que tinha que resolver aquela história sozinha, pediu para ele voltar para casa.
Lourival, mesmo preocupado, ao notar que não ajudava em nada, acabou concordando. Mas não sem antes dizer, que as portas de sua casa estariam sempre abertas para ela.
Elis, agradeceu a oferta. Nisso, voltando para casa, ao lá chegar, constatou que Abelardo já havia revelado tudo o que sabia.
Bernardo, furioso, ao saber que sua filha o enganara, ameaçou colocá-la de castigo.
Abelardo, que ainda estava na casa, ao perceber a fúria de Bernardo, comentou que revelou o que sabia, para que ele ficasse mais atento com Elis. Contudo, não queria que Bernardo batesse na moça.
Bernardo, ao ouvir isso, prometeu que não bateria na filha. Porém, dizendo que tamanha desobediência não poderia ficar sem castigo, alegou que ela ficaria alguns dias sem sair de casa.
Abelardo, ao ouvir isso, respondeu que assim ficava mais tranqüilo. Em seguida, saindo da sala, despediu-se de Bernardo e Claudete.
Com isso Bernardo, notando que precisava ficar a sós com a filha, pediu a esposa para que saísse da sala.
Claudete, temendo que o marido batesse em Elis, pediu insistentemente para que ele não fizesse nada do que pudesse se arrepender depois.
Bernardo irritado, ainda assim, prometeu a esposa que não surraria a filha.
Só assim, Claudete deixou a sala.
Nisso, furibundo, Bernardo se dirigiu a filha:
-- Quando eu penso que eu já vi tudo o que poderia, eu me surpreendo com mais um absurdo. Onde já se viu uma filha desobedecer seu pai?
Elis ao perceber a visível irritação do pai, tentou se explicar, mas Bernardo, iracundo, nem a deixou falar. Afirmando que estava decepcionado com o seu comportamento, Bernardo comentou que não esperava esse tipo de atitude por parte dela. Alegando que já ouvira histórias parecidas, sempre imaginou que sua filha era diferente.
Elis ao ouvir estas palavras, tentou novamente se explicar, mas outra vez Bernardo a impediu de falar. Profundamente irritado, comentou que diante dos últimos acontecimentos, só cabia a ele colocá-la de castigo. E assim, Bernardo, afirmou que ela só poderia sair de casa, acompanhada.
Elis então, percebendo que precisava dizer algo, comentou que não sairia de casa acompanhada por ninguém. Dizendo que era dona de seu nariz, respondeu que desde há muito tempo, resolvia seus assuntos sozinha. Assim, não seria agora que seria tolhida em sua liberdade.
Bernardo ao notar a postura da filha, retrucou:
-- Mocinha! Não seja petulante! Você não está em condições de discutir comigo. Além disso, que modos são esses?! Não foi assim que eu te criei.
-- Não. Não foi mesmo! Você me criou para ser uma esnobe, uma pessoa arrogante. Só que eu não sou. Não sou, e não vou desistir de ficar com Lourival por sua causa. Eu gosto dele. Será que não dá para você entender?
-- Não. Não dá para entender. Como eu vou entender que uma moça tão delicada e tão educada, possa gostar de um sujeitinho desclassificado? Minha filha, esse rapaz além de pobre, é um bandido.
Elis respondeu:
-- Não. Não é não. Ele mudou. Agora ele está trabalhando num escritório. Ele está seguindo um caminho correto agora.
-- Minha filha. Como você pode ter tanta certeza? Ele já te enganou antes.
-- Mas agora é diferente. Ele me prometeu. – respondeu ela.
-- Promessas. Desde quando verdadeiras?
-- Desde quando eu o vi trabalhando. Ele mudou. – insistiu ela.
-- Sim. E daí. Isso não muda o fato dele não ser homem para você. Eu não criei minha filha para cair nas mãos do primeiro safardana que aparecer.
Elis ao ouvir as palavras nem um pouco elogiosas de seu pai, a respeito de Lourival, respondeu num tom agressivo:
-- Ele não é um safardana. É um homem bom. Só que mal orientado. Mas agora, ele está no caminho certo. Posso assegurar.
-- Até quando minha filha? Até aparecer uma proposta melhor? Escute, Elis, eu sei o que estou dizendo, esse tipo de gente, não muda nunca.
-- Muda sim pai. Muda e muda tanto, que ele está pensando até em casamento.
Bernardo então, comentou:
-- Casamento. Parece que esse seu namoradinho não perde tempo mesmo. Mal passou a te ver e agora já esta pensando em matrimônio. Minha filha, não vê que esse miserável está querendo te aplicar o golpe do baú?
Elis ao ouvir isso, irritada, respondeu:
-- Ele não é um golpista. E eu irei me casar com ele, mesmo que contra sua vontade.
-- Ah, é mesmo?! Será que ele vai te aceitar sem dinheiro? – perguntou Bernardo em um tom provocativo.
-- Vai sim, ele não está interessado no meu dinheiro.
-- É isso que nós vamos ver. – respondeu Bernardo em tom de desafio.
-- Pois bem, veremos. Eu te garanto que o senhor está enganado. – respondeu ela.
-- Pode ser. Mas enquanto eu vivo for, a senhorita não se casará com este desclassificado.
-- Me casarei sim, mesmo contra sua vontade.
-- Não se casará não. – respondeu Bernardo gritando.
A seguir, um pouco mais calmo, comentou:
-- E agora, a senhorita vai fazer o favor de se trancar em seu quarto, e não vai sair de lá enquanto eu não te autorizar. Está ouvindo?
Elis mais uma vez tentou retrucar, mas Bernardo, segurando-a pelo braço, arrastou-a até o quarto. Em seguida trancando a porta, deixou a filha gritando, pedindo para sair.
Claudete ao ouvir a discussão, tentou convencer o marido a não deixá-la trancada em seu quarto. Em vão.
Profundamente aborrecido, Bernardo não queria mais nem ouvir falar neste assunto.

Luciana Celestino dos Santos
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OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO - CAPÍTULO 11

Feliz, Elis mais tarde voltou para casa. Ao abrir o portão para entrar na residência, a moça foi abordada por Abelardo.
Elis, ao ser repentinamente inquirida pelo jovem, levou um susto. Abelardo ao perceber isso, desculpou-se. Porém em seguida, perguntando onde ela havia estado, ouviu como resposta:
-- Desde quando eu lhe devo satisfações?
Abelardo ao receber esta resposta, desculpou-se, mas dizendo que estava muito preocupado com ela, comentou que fazia muito tempo que os dois não se viam mais. Alegando que desde o passeio que fizeram no parque, – após o encontro com aquele estranho rapaz – nunca mais os dois se viram, Abelardo cobrou de Elis, um pouco mais de atenção.
A moça então, percebendo que precisava ganhar tempo, comentou que ultimamente estava muito ocupada com seus estudos, por isso, não podia ficar com ele.
Abelardo aborrecido, comentou que quando se quer muito alguma coisa, se arruma tempo.
Elis, sentindo-se pressionada, relatou que assim que pudesse os dois voltariam a conversar. Agora, no entanto, dizendo que precisava se preparar para as provas, Elis relatou que não podia ficar à toa.
Abelardo, notando que não seria nada fácil convencê-la a sair com ele, acreditando que Elis estava realmente preocupada com as provas, despediu-se. No entanto, dizendo que ao termino das avaliações voltaria a encontrá-la, afirmou que era muito paciente e sabia esperar.
A moça ao ouvir isso, ficou deveras preocupada. Contudo, de certo modo, aliviada por ter se livrado ao menos durante algum tempo do cerco de Abelardo, Elis adentrou a casa.
Abelardo por sua vez, se relembrando do passeio que fizera no parque com Elis, começou a ficar desconfiado. Ao se lembrar que Elis só o acompanhara no parque, depois de o fazer prometer que não contaria nada sobre o encontro dela com Lourival aos pais, Abelardo constatou que a moça não estava sendo sincera. Furioso, ao perceber que fora usado, tomado de um ímpeto, pensou em novamente se dirigir à casa da moça e exigir explicações. Depois porém, pensando no assunto, Abelardo chegou a conclusão de que se pressionasse a moça, certamente ela lhe responderia com evasivas. Ademais, prevenida da desconfiança, passaria a ter mais cuidado. Não. Não era uma boa idéia. Pensou ele.
Assim, Abelardo, pensando em outra idéia, chegou a conclusão de que a melhor coisa a fazer era segui-la. Sim, desta forma mais cedo ou mais tarde acabaria descobrindo a verdade.
E assim passou a proceder. Sempre que Elis saía de casa, lá estava Abelardo – quase como uma sombra – a segui-la.
Elis porém, ávida por se encontrar com Lourival, com o passar do tempo, deixando de lado os cuidados que tinha em observar se não era seguida, passou a ficar cada vez mais relapsa. Muito embora ainda olhasse em volta, Elis, sempre que via Lourival, sem preocupar com o que as pessoas iriam pensar, acorria em seu encontro.
Com isso, Abelardo, depois de algum seguindo-a, ao ver a cena, ficou chocado. Ao constatar que o rapaz que saía de braços dados com Elis, era o mesmo moço que ele deixara conversar com ela, Abelardo constatou que havia sido enganado. Furioso, ao ver a cena, pensou logo em contar toda a verdade aos pais da moça. Contudo, controlando seu impulso, continuou a seguir Elis. Tudo com o intuito de saber o que o casal fazia quando estava junto.
Assim, Abelardo descobriu que Elis e Lourival, adoravam caminhar de mãos dadas, bem como conversar. Muito embora os dois não fizessem nada de errado, Abelardo considerou uma falta de respeito o comportamento de Elis. Tanto que ao ver os dois se despedirem com um longo e demorado beijo, Abelardo, num ímpeto de fúria, pôs tudo a perder. Sentindo-se traído, ao ver a cena, foi até eles, e exigindo explicações, perguntou:
-- O que significa isso?
Elis ao ver Abelardo à sua frente, perguntou o que ele estava fazendo ali.
Abelardo, ao ouvir a pergunta da moça, respondeu que não era ele quem deveria responder as perguntas.
Lourival, aborrecido com o atrevimento do rapaz, perguntou:
-- O que é que você tem com isso?
Abelardo ao ouvir a pergunta, respondeu a Lourival que ele não devia se intrometer naquele assunto, já que era ‘persona non grata’.
Lourival ao ouvir isso, respondeu que sim, devia sim se intrometer, já que ele era namorado de Elis.
Abelardo ao ouvir estas palavras, perguntou a Elis se o que Lourival dizia era verdade.
-- É sim, Abelardo. Nós estamos juntos. – respondeu Elis.
O rapaz ao notar que os dois estavam saindo juntos há algum tempo, chegou a pensar que nada faria Elis desistir da idéia de ficar ao lado de Lourival. No entanto, tencionando separá-los, Abelardo revelou que contaria tudo o que vira a Bernardo.
Elis ao ouvir a ameaça, chegou a pedir ao rapaz para que não contasse nada a seu pai, mas Abelardo decidido, revelou que não desistiria da idéia.
Por isso mesmo, Abelardo deixou-os sozinhos, e se dirigindo à casa da moça, assim que chegou lá, pediu a Claudete para conversar com Bernardo.

Luciana Celestino dos Santos
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OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO - CAPÍTULO 10

No dia seguinte os dois passearam. Mais tarde, depois de se despedir do moço, Elis, aproveitou para olhar algumas vitrines no centro da cidade. A seguir, verificando se não era seguida, a moça foi até a residência de Lourival.
Quando Elis se deparou com a casa – uma bela e ampla construção toda em azul, que parecia um pequeno palácio –, notou que esta, não ficava nada a dever a sua residência. Espantada com as dimensões do imóvel, assim que entrou na casa, Elis, ao ser atendida por Marta, perguntou se eles possuíam aquele imóvel há muito tempo.
Marta educadamente, respondeu que não. Em seguida, perguntando o por quê da curiosidade, ao saber que Elis era amiga de Lourival, foi logo chamá-lo.
Em questão de minutos finalmente, Lourival descendo às escadas, dirigiu-se a sala.
Ao se deparar com Elis, o rapaz ficou profundamente feliz. Comentando que não esperava vê-la tão cedo, Lourival respondeu que estava em seu quarto, lendo um pouco.
Elis ao constatar que ele e sua família estavam muito bem instalados, comentou que era muito estranho que um simples pescador, tivesse condições de morar numa casa tão boa quanto aquela.
Lourival, ao ouvir o comentário, respondeu que durante um longo tempo, guardou parte do dinheiro que ganhava para comprar uma boa casa. Afirmando que ele também tinha o direito de ter uma boa vida, respondeu que não precisou roubar dinheiro de ninguém para tanto. Alegando que sempre trabalhou, comentou que há muito tempo, não estava mais envolvido com contrabando.
Ao ouvir isso, Elis, respirou aliviada.
Lourival, então, insistindo em dizer que estava disposto a mudar de vida, acabou por convencê-la, de que não se envolveria mais com o bando.
Foi assim que os dois voltaram a se entender.
Com isso, precavidos, Lourival e Elis evitavam se encontrar em lugares muito freqüentados, para que assim, nenhum conhecido de Bernardo, avistasse o casal. Elis, acreditava que em assim procedendo, estaria a salvo da severidade de seu pai.
Ledo engano. Contudo, levaria algum tempo até que essa história caísse nos ouvidos de Bernardo.
Com isso, sempre que podiam os dois se encontravam. Felizes, Elis e Lourival tornaram a ver o belíssimo jardim que os encantara tempos atrás.
Elis, ao observar os lírios que haviam no campo, comentou que uma bonita passagem da Bíblia, contava por meio de uma metáfora, a respeito da excessiva preocupação das pessoas com o dia de amanhã.
Lourival ouvindo atentamente o relato da namorada, perguntou-lhe qual era a relação de tudo isso, com a vida deles.
A moça respondeu que:
-- Olhai os lírios do campo.
O rapaz intrigado, perguntou-a ela o que estava querendo dizer com estas palavras.
Elis explicou então, que nesta passagem da Bíblia, estava escrito que as aves não fiam e nem tecem. Não obstante isso, nunca lhes falta o que comer. Assim, a excessiva preocupação dos homens com o dia de amanhã é desnecessária. Isso por que, em se trabalhando, nunca faltará o que o comer.
Lourival ao ouvir, isso, comentou que era muito bonita esta passagem da Bíblia. Mas dizendo que nem tudo eram flores na vida das pessoas, relatou que nem todos os homens podiam se dar ao luxo de não terem que se preocupar com o dia de amanhã.
Elis ouviu atentamente as palavras do namorado.
O rapaz então, dizendo que já passara necessidade, deixou-a comovida.
Elis, que nunca tivera a mínima idéia do que era passar fome, ao ouvir que ele e seus tios passaram por provações, relatou que agora entendia o apelo sedutor que poderia haver em ganhar dinheiro fácil.
Lourival ao ouvir estas palavras, comentou que nunca mais viu Raul.
A moça ao ouvir isso, sorriu.

Luciana Celestino dos Santos
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