Poesias

quinta-feira, 6 de maio de 2021

O DESTINO DESFOLHOU

‘O nosso amor traduzia
Felicidade afeição
Estrema glória que um dia
Tive ao alcance da mão

Mas veio um dia o ciúme
Humilde que era ficou ...
Deixando em tudo o perfume
Da saudade que ficou ...

Os nossos olhos choraram
O nosso idílio morreu
Os nossos lábios murcharam ...

Venho então a chorar
Sofro tanto
E essa valsa não diz ...
Meu amor
De nós dois
Eu não sei qual é o mais infeliz ...’

(Paulo Sérgio – O Destino Desfolhou)

INTRODUÇÃO

Em um lugar não muito longe dali, aconteceram coisas lamentáveis.
Muito embora fosse outrora um lugar calmo e pacífico, em poucas décadas, veio a se transformar em palco de múltiplos e tristes acontecimentos.
Como agora acontecem em inúmeras cidades do país, nesse um dia, pedaço do paraíso, ocorreram as coisas mais nefandas, mais horrendas e mais lamentáveis.
Nessa terra onde antes só havia alegria, agora paira incerteza e dor.
A dor que provocada por outros homens corrompe a terra e banaliza a violência.
Mas a população deste lugar estava cansada disso.
No entanto, muito embora todos estivessem cansados de tantas mortes, corrupção e violência, ao deixar que a situação chegasse a esse ponto, as autoridades do lugar não sabiam como agir.
Não sabiam o que fazer para que a situação mudasse para melhor. Não sabiam o que fazer para acabar com tudo o que destruía as coisas boas. Não sabiam.
Não sabiam ou não queriam saber?
Não sabem ou não querem fazer?
Mas enfim, a despeito da falta de vontade política ou não, era preciso que as coisas mudassem. Era preciso que o problema se transformasse em solução.
Era preciso acabar com a bandalheira que assolava esta triste cidade.

E é por isso que essa história será contada.
Com isso, passemos a ela.

Luciana Celestino dos Santos
É permitida a reprodução, desde que citada a autoria.

AMARGAS LEMBRANÇAS - CAPÍTULO 12

Margarida, ao ver a filha de volta, espantou-se.
-- Mas de volta tão cedo! O que foi que aconteceu?
Gabriela porém, nada respondeu. Dizendo que estava cansada daquela paisagem bucólica, comentou que sentiu saudade de casa.
Margarida não podia acreditar.

Todavia, mesmo diante da atitude aparentemente conciliadora de Gabriela, o relacionamento entre elas, continuava complicado.
Certa vez, ao voltar mais cedo para casa, Gabriela ouviu um comentário de sua mãe, dizendo que a atitude mais infeliz que teve na vida, foi pegá-la para criar.
Gabriela ao ouvir o comentário, interpelou sua mãe. Indagando o que ela queria dizer com aquelas palavras, exigiu explicações.
Margarida, surpreendida, tentou inventar desculpas para justificar aquela conversa. Nada porém parecia convencer a moça.
Nervosa, Gabriela começou a gritar com Margarida, que irritada, exigiu que ela calasse a boca. Dizendo que uma filha sua jamais responderia daquela forma para ela, deixou escapar que a moça não era sua filha.
Gabriela ficou transtornada.
Sem saber o que fazer, trancou-se em seu quarto. Pensando nas palavras de Margarida, começou a imaginar qual seria sua origem.
A certa altura, de depois de muita insistência de Margarida, Gabriela abriu a porta de seu quarto.
Margarida por sua vez, que percebendo que não adiantava mais esconder a verdade da moça, revelou que a pegara quando ainda era um bebê recém-nascido, de dentro de uma maternidade, em Minas Gerais.
Nervosa, Margarida comentou que tinha interesse em se casar com Cássio.
No entanto, ao descobrir que teria sérias dificuldades para engravidar, resolveu fingir que estava grávida. Mais tarde pensaria no que fazer.
Como estava encontrando dificuldades em arrumar uma criança, Margarida revelou que pensou em fingir que estava tendo um aborto. Isso tudo depois de se casar com Cássio.
Porém, ao tomar conhecimento de que havia uma mulher grávida na cidade, e que esta não possuía interesse em ficar com a criança, ficou ajustado que o bebê seria entregue a Margarida.
Ocorre que a moça desapareceu poucos dias antes do parto.
Desesperada, Margarida não sabia o que fazer.
Foi quando Lúcia deu entrada na maternidade e deu a luz duas crianças.
Quando Gabriela ouviu o nome de Lúcia, ficou perplexa.
-- Lúcia? Que Lúcia?
Margarida teve então que revelar que a Lúcia de que tanto falava era a filha de Orlando.
Gabriela ficou sem saber o que pensar.
-- Meu Deus! E a outra criança? – perguntou.
Margarida respondeu que não sabia do paradeiro da outra criança. Dizia saber apenas que Lúcia pensava ter tido apenas um filho e que este havia morrido.
Gabriela questionou então:
-- Mas esta criança está realmente morta, ou esta é outra mentira? Responda!
Margarida respondeu que quanto a outra criança, não sabia o que havia acontecido.
Nervosa, Gabriela pensou em arrumar suas malas e partir dali.
Foi o que fez.
Aproveitando que Margarida dormia em outro quarto, Gabriela preparou rapidamente uma mala, e sorrateiramente saiu de casa.
Quando Margarida percebeu que a moça havia sumido, ligou imediatamente para Orlando. Acreditando que Gabriela havia voltado para o hotel do avô, Margarida não se preocupou.
Ocorre que a moça não estava lá.
Desesperada Margarida, deixou escapar que aquele sumiço era sua responsabilidade. Se não houvesse falado demais, nada daquilo teria acontecido.
Orlando percebendo o nervosismo de Margarida, exigiu-lhe explicações.
Margarida então, dizendo que não poderia contar tudo por telefone, respondeu que arrumaria suas malas e se encontraria com ele no hotel.
Orlando percebendo a gravidade da situação, concordou.
Ansioso a aguardou.

Ao chegar no Hotel Aquarela, Margarida apresentou-se na recepção. Dizendo que precisava conversar com Orlando, foi imediatamente conduzida para um dos quartos.
Cerca de uma hora após sua chegada, Orlando ligou para seu quarto informando-a que deveria comparecer em seu escritório, para uma conversa reservada.
Margarida atendeu prontamente o chamado.
Ao chegar no local, aguardou cerca de meia-hora. Após, foi chamada para uma conversa reservada.
Nervosa revelou toda a história que havia contado a Gabriela.
Orlando ao tomar conhecimento do relato de Margarida, revelou que sempre achara muito estranha aquela gravidez.
Orlando então relatou que sempre se intrigara com a semelhança física de Lúcia e Gabriela. Dizendo que Cássio não possuía nenhuma semelhança física com a filha, relatou que começou a observar que a moça também não se parecia nem um pouco com Margarida.
Revelando que com os anos sua desconfiança somente aumentou, relatou a mulher que havia contratado um detetive particular para investigar aquela história.
Margarida ficou sem saber o que pensar.

Enquanto isto, Gabriela rumava para Belo Horizonte. Estava disposta a encontrar pistas sobre o paradeiro de seu irmão.
Angustiada, precisava saber se a outra criança estava viva ou não.
Todavia, não sabia onde começar. Sabia apenas que deveria procurar pistas na cidade onde Lúcia fora criada.
Foi lá que começou a procurar.
Perguntando aqui e ali, descobriu onde ficava a maternidade.
Ao chegar no local, descobriu desapontada que os funcionários não poderiam passar qualquer informação a respeito do caso.
Insistente porém, acabou descobrindo por intermédio de alguns moradores que havia um rapaz nascido naquela época, que vivia naquela cidade.
Trabalhava num sitio da região. Dizia-se que não possuía registro de nascimento e que ninguém sabia quem era sua mãe.
Gabriela foi atrás do rapaz.
Quando a moça foi apresentada a ele, ficou penalizada. O rapaz não sabia ao certo quantos anos tinha. Era alfabetizado, mas só possuía o primário. Fora criado livre, ora num canto, ora noutro.
Criança ainda, chegou no lugar, onde recebeu um pouco de assistência dos donos das terras.
O rapaz não se lembrava muito dos anos antes de chegar ao sítio. Apenas que vivera em orfanatos, e que em alguns momentos dormiu na rua.
Lembrava-se que era conhecido como Antonio. E assim passou a ser chamado pelos moradores do sítio.
Gabriela tratou logo de fazer amizade com o rapaz.
Ansiosa, enchia o rapaz de perguntas.
Nervoso Antonio respondia que não sabia de onde tinha vindo.
Gabriela ao perceber que o rapaz não poderia responder suas perguntas, começou a se questionar.
Percebendo que Antonio aparentava ter a mesma idade que ela, começou a observá-lo com mais atenção. Desconfiada, começou a perceber algumas semelhanças de Antonio com Paul.
Receosa, Gabriela procurava se conter. Até por que, poderia ser apenas uma impressão.

Nisso, Orlando, mesmo ciente de que Margarida não fora honesta com sua família, resolveu que não a expulsaria de seu hotel.
Dizendo que ela poderia apresentar mais alguma informação importante, deixou-a ficar.
Ademais, Margarida parecia preocupada com Gabriela. Disposta a encontrar a filha, prometeu que ajudaria em tudo o que fosse necessário.
Desconfiada de que a moça fora encontrar pistas sobre a outra criança que Lúcia tivera, Margarida sugeriu que Orlando a procurasse na cidade onde as crianças nasceram.
Orlando então contatou o detetive que havia contratado anteriormente ,e logo em seguida partiu para Minas.

Assim, foi apenas uma questão de tempo para que se encontrasse com Gabriela.
As coisas porém não correram nada bem.
Revoltada, ao ser descoberta, Gabriela arrumou novamente suas malas e fugiu.
Dirigiu-se até a rodoviária e lá comprou uma passagem para o primeiro lugar que viu.
Com isto, dirigiu-se até o Rio de Janeiro.
Na Cidade Maravilhosa, sem conhecer ninguém, acabou se hospedando num dos hotéis situados nas proximidades da orla marítima.
Foi lá que sem querer acabou esbarrando em figuras perigosas.
Certo dia, andando pela cidade, acabou se perdendo. Não fosse a intervenção de Miguel, e ela certamente teria sido assaltada.
Prestativo e corajoso o rapaz auxiliou-a.
Com isto, os dois acabaram ficando amigos.
Miguel ofereceu-lhe hospedagem. No dia seguinte a ajudaria a voltar para o seu hotel.
Com o passar do tempo, como Gabriela não parecia disposta a voltar para casa, passou a envolver-se com Miguel.
Ficaram juntos por algumas semanas.
Após algum tempo porém, percebendo que precisava descobrir o paradeiro de seu irmão, Gabriela comentou com Miguel que precisava partir.
O rapaz ficou triste, mas percebendo que não poderiam ficar juntos, despediu-se.
Miguel fazia programas para viver.
Gabriela porém, mesmo sabendo disto, se tornou uma grande amiga do rapaz. Dizendo que sempre era tempo de mudar de vida, convidou-o para visitá-la em São Paulo.
Nisto despediu-se do rapaz e voltou para São Paulo.
Ao chegar em casa, surpreendeu-se ao encontrar a mesma vazia.
Após alguns dias, voltou para Minas. Ao chegar no sítio onde Antonio trabalhava, foi informada pelos proprietários que o rapaz fora levado para São Paulo.
Ao ouvir tais palavras, Gabriela concluiu que o rapaz só poderia estar no Hotel Aquarela, na Grande São Paulo.
Diante disto, a moça, no dia seguinte, rumou para lá.
Ao chegar no hotel, percebeu que Margarida se encontrava hospedada no lugar.
Indiferente, Gabriela manteve-se afastada da mulher.
Porém ao ver que Antonio estava lá, ficou extremamente feliz.
Foi então que descobriu que Orlando já vinha a alguns anos, investigando a história de Lúcia. Estava disposto a pôr na cadeia o responsável por aquela maldade praticada contra sua filha. Para tanto, precisava descobrir o paradeiro do bandido, entre outros detalhes da história.
Orlando então confirmou que Antonio era o outro filho que Lúcia tivera.
Paul, filho de Lúcia com Jean, ficou perplexo ao saber da história. Revoltado, prometeu que seu pai seria vingado. Chorando revelou que sentia vontade de matar o responsável por tudo aquilo.
Margarida tratou de consolá-lo.
Orlando ao ver a cena, ficou perplexo.
Gabriela também não entendeu a atitude Margarida.

Nesta época Miguel foi visitar Gabriela em São Paulo.
Ao chegar na cidade, logo foi informado por uma vizinha, que ela estava no Hotel Aquarela na Grande São Paulo. Prestativa a vizinha ofereceu-lhe o endereço.
Nisto, Miguel ligou para o local, informando Gabriela que pretendia visitá-la.
Quando lá chegou e viu a amiga, ficou deveras feliz.
Quem não ficou muito contente com a visita foi Flávio, que tentava se aproximar da moça.
Miguel porém, estava doente e a visita era uma despedida.
Quando Gabriela soube que ele estava condenado, tentou ajudá-lo.
Miguel relatou porém, que preferia permanecer sozinho.
Ao ouvir isto, os olhos de Gabriela encheram-se de lágrimas.
Ao tomar conhecimento do motivo da visita, Flávio tentou consolar Lúcia. Em vão.
A moça, dizendo que devia muito a ele, comentou que não poderia abandoná-lo em um momento de dificuldades como aquele.
Flávio argumentou dizendo que Gabriela conhecera-o vendendo saúde e vitalidade. Para ele, seria muito humilhante que ela o visse definhando pouco a pouco.
Gabriela então compreendeu que deveria atender o pedido do amigo.

Nisto, poucos meses depois, Gabriela soube que Miguel havia morrido.
Penalizada, foi até o Rio de Janeiro, encontrar-se pela última vez com seu amigo.
Flávio a acompanhou.

Enquanto isto, Lúcia continuava desaparecida e sofrendo nas mãos de Hélio.
O tempo passava e Lúcia estava cada vez mais debilitada.
Abatida, não oferecia mais resistência as investidas de Hélio, que parecia cada vez mais feliz com a gravidez de Lúcia.
A certa altura, quase que seus planos foram por água abaixo.
Sem razão aparente Lúcia apresentou um grave mal estar.
Nervoso, Hélio levou a mulher para o hospital. Dizendo que Lúcia estava sofrendo de transtornos mentais, conseguiu convencer a todos que os pedidos de socorro dela, eram fruto de uma mente delirante e perturbada.
De volta para casa...
Hélio se desdobrou em atenções para a mulher. Levava Lúcia para passeios no jardim, mandava preparar comidas saborosas para ela...
Lúcia porém não se importava com nada. Sentia apenas vontade de morrer.

Orlando, exasperado com a falta de notícias de Lúcia, pediu mais empenho da polícia.
Desesperado, pediu auxílio do detetive que havia contratado para investigar o caso de Lúcia.
Auxiliado pelo profissional, Orlando conseguiu descobrir onde Lúcia se encontrava.
Quando a mulher foi localizada, ficou estupefato ao saber que estava grávida.

Debilitada, a mulher foi internada em um hospital.
Poucos dias após, deu a luz um menino.

Hélio por sua vez, ao perceber o perigo, tratou logo de fugir.
Auxiliado por bons contatos, conseguiu escapar da prisão quase certa.
Seus comparsas porém, não tiveram a mesma sorte.

Abalada, Lúcia demorou para se recuperar do evento.
Algum tempo depois, conheceu Nildo.
Encantado com Lúcia, o homem se desdobrava em gentilezas para ela. Sempre que podia, acompanhava a família nos jantares do hotel.
Lúcia ainda abalada, não demonstrava interesse nas investidas do homem.
Margarida percebendo isto, certa vez, aconselhou Lúcia a se dar mais uma chance, se permitindo ser feliz. Comentando que ela não merecia ficar a vida inteira sofrendo por alguém que não prestava, acabou fazendo Lúcia chorar.
Orlando ao notar Lúcia chorando, repreendeu Margarida.
Dizendo que ela não tinha direito de humilhar sua filha, comentou que ela havia ido longe demais. Irritado, exigiu que ela fizesse suas malas e saísse do hotel.
Margarida tentou se explicar, mas Orlando, furibundo, não permitiu que ela abrisse a boca.
Ofendida, a mulher tratou de arrumar suas malas.

Quando Lúcia soube que Orlando expulsara Margarida do hotel, comentou que ela não tivera a intenção de ofendê-la, e sim ajudá-la.
Lúcia então relatou que Margarida a estava aconselhando a tentar ser feliz novamente.
Orlando, então percebendo a injustiça que cometera, mandou chamar Margarida.
Dizendo-se que Lúcia havia lhe explicado o ocorrido, pediu-lhe desculpas. Dizendo que seu gesto fora inesperado, comentou que ela estava tão mudada, que não sabia o que esperar.
Reiterando seu pedido de desculpas, pediu para que ela permanecesse no hotel.
Dizendo que desde a rusga que tivera com Gabriela, nunca havia se relacionando tão bem com uma nora, comentou que estava arrependido pelo gesto impensado.
Margarida por sua vez, ficou de pensar no pedido.
A resposta veio alguns dias depois.
Com efeito, Margarida decidiu permanecer no Hotel Aquarela para trabalhar.
Orlando surpreendeu-se.
Margarida dizendo que estava cansada de viver do dinheiro do marido, comentou que estava com vontade de fazer coisas que nunca havia feito antes. Diante disto se propôs a realizar qualquer trabalho, já que não tinha experiência, tampouco formação acadêmica.
Orlando então comentou que ela sabia cozinhar muito bem, e que por esta razão poderia trabalhar na cozinha do hotel.
Tudo para parecia transcorrer na mais absoluta paz.
Lúcia estava mais receptiva a Nildo.
Feliz, o homem já estava combinando uma festa para oficializar o noivado de ambos.
Quem não ficou muito feliz com a história foi Paul, que questionou a atitude da mãe de se envolver com outro homem tão pouco tempo após a morte de seu pai.
Lúcia conversando com o filho, comentou que nunca se esqueceria de Jean, mas que durante quase um ano vivera um pesadelo com um homem pelo qual sempre sentiu a mais absoluta repulsa.
Dizendo que todo aquele sofrimento lhe fizera muito mal, comentou que não agüentava mais viver com aquele peso. Chorando, disse que precisava dividir com alguém aquele fardo. Precisava de alguém que a fizesse esquecer, nem que fosse por alguns momentos, todo aquele pesadelo que vivera.
Paul, entendeu então que Lúcia tinha o direito de ser feliz.
Nildo sabia de tudo. Conhecia o sofrimento de Lúcia. Estava disposto a cuidar de seu filho.

Hélio porém, não estava preso. Sua liberdade era um empecilho para a felicidade do casal.
Neste meio tempo, seu filho Pedro se envolvera com a mulher de um traficante e fora morto.
Ofélia ficou transtornada.
Tanto que chegou a seguir Lúcia nas ruas de São Paulo. Agressiva ameaçou-a.
Não fosse a intervenção de Nildo, que a pôs para correr, Ofélia agrediria Lúcia, e sabe-se lá o que poderia ter acontecido.

Lúcia ao tomar conhecimento do paradeiro dos filhos que tivera com Hélio, ficou perplexa. Dizendo que só tivera um filho e que este nascera morto, relutou em acreditar na história.
Com tempo todavia, passou a aproximar-se de Gabriela e de Antonio, que agora completava os estudos.

Tudo parecia correr bem.
Porém, certa tarde, quando a família de Lúcia estava se preparando para a oficialização de seu noivado com Nildo, a mulher foi levada por um estranho.
Muito embora a vigilância no hotel fosse intensa, Hélio conseguiu driblar a segurança.
Com o auxílio de um novo comparsa, conseguiu atrair Lúcia.
Sob o pretexto de que uma criança havia se machucado após cair de um dos cavalos, Lúcia, que estava prestes a comemorar seu noivado, foi até o local.
Quando percebeu que não havia nenhuma criança machucada no local, constatou que havia sido enganada.
Contudo, era demasiado tarde. Mas não havia como fugir. Longe da vigilância dos guarda-costas que trabalhavam no hotel, Lúcia não tinha como pedir socorro. Tão longe ninguém a ouviria.
Desesperada, começou a chorar e a pedir para que a deixassem em paz. Numa tentativa desesperada de se livrar daquela situação, tentou correr.
O homem, por sua vez, não precisou fazer muito esforço para alcançá-la.
Arrastada, Lúcia foi levada para um carro onde estava Hélio, que a aguardava.
Ao vê-lo, começou a chorar compulsivamente. Ameaçou gritar.
Ao ouvi-la dizer para que a soltasse, Hélio colocou um lenço com clorofórmio sobre seu nariz, deixando-a desacordada.
Rapidamente, retirou-a do local, e novamente sumiu com Lúcia.

Quando Nildo percebeu que Lúcia estava demorando para aparecer, já era demasiado tarde.
A mulher já estava longe e em poder de Hélio.
Orlando ao perceber que Lúcia havia sido levada do hotel, comentou que Hélio a havia seqüestrado novamente.
Furioso, prometeu a si mesmo que desta vez ele não conseguiria fazer as maldades que já havia feito em ocasiões anteriores.

Hélio por sua vez, planejava algo diferente para Lúcia.
Acompanhando de longe a vida da mulher, ficou furioso ao saber que Lúcia procurava retomar sua vida.
Mais ainda quando soube que os filhos que tivera dele, estavam todos vivos.
Furioso, quando Lúcia despertou, Hélio fez questão de dizer que sabia que Gabriela e Antonio eram seus filhos. Triste comentou que Pedro havia se envolvido com uma traficante e morrido.
Dizendo que não possuía mais nenhum vínculo com Ofélia, comentou que estava oficialmente separado.
Lúcia parecia não ouvir o que Hélio falava.

Mais tarde ficou sabendo que Hélio estava planejando casar-se com ela.
Já havia convencido um padre a ir até o local. Não sem antes ameaçar Lúcia dizendo que se tentasse fugir ou contasse o que estava acontecendo, a qualquer pessoa que estivesse na festa, seria sua família quem sofreria as conseqüências.
A mulher ficou apavorada.
Com isto, no dia agendado para a realização do suposto casamento, Lúcia estava devidamente vestida de noiva.
Hélio não cabia em si de contente. Louco, acreditando em toda aquela farsa, dizia que aquela união era indissolúvel.
O homem não havia comentado que a papelada relativa a separação com Ofélia era falsa.

Enquanto isto, Orlando fazia contatos com detetives particulares e policiais, para descobrir o quanto antes, onde estava Lúcia.
Não queria que Hélio, continuasse a atormentar sua filha.
Nildo também auxiliava.
Ao descobrir o paradeiro de Lúcia, Nildo, Orlando e Flávio, se encarregaram de ir pessoalmente até o local.
Não sem a presença de alguns policiais à paisana.
Ao adentrar a residência, Nildo descobriu que Lúcia estava prestes a se casar com Hélio.
Revoltado, ao verificar que Hélio pretendia prender Lúcia a ele, puxou a mulher pelo braço.
Lúcia se assustou.
Nildo, percebendo isto, colocou a mão em sua boca e pediu para que ela não gritasse.
Quando então Lúcia viu Nildo em sua frente, ficou muito feliz. Logo em seguida, percebendo que Hélio era um homem vingativo, pediu para que ele fosse embora.
Nildo porém, respondeu que não a deixaria nas mãos de um louco.
Chorando, Lúcia comentou que Hélio havia novamente abusado dela.
Ao ouvir isto, Nildo ficou furioso.

Foi quando Hélio surpreendeu-os.
Nildo comentou então, que ele estava cercado, ou saía do local sem reagir, ou os policiais invadiriam a casa para prendê-lo.
Hélio riu.
Irritado, Nildo comentou que ele estava perdido e que levaria Lúcia para longe dali.
O homem ao se sentir ameaçado, investiu contra Nildo.
Lúcia ficou desesperada. Ao perceber que Nildo corria perigo, começou a gritar por socorro.
Foi quando policiais adentraram a casa, que estava cheia de convidados para o casamento.

Nisto, em que recinto isolado da casa, Nildo e Hélio lutavam entre si.
Hélio percebendo que perdia a briga, sacou sua arma e apontou-a para Nildo.
Lúcia entrou em pânico.
Nildo então, percebendo que Hélio se distraíra por um instante com o barulho vindo da casa, tomou a arma de suas mãos.
Furioso, Hélio tentou tomar sua arma de volta, sem sucesso.
Na luta, a arma disparou acidentalmente.
Lúcia assustou-se.
Nervosa, começou a chorar.
Nildo então levantou-se.
Hélio estava com sua camisa branca manchada de sangue.
Ao perceber que fora baleado, colocou a mão no local. Ao notar a gravidade da situação, pediu ajuda.
Lúcia ficou estática.
Arrastando-se com dificuldade, aproximou-se de Lúcia. Disse-lhe que fizera tudo o que fizera por amor, e que não se arrependia de nada. Com grande dificuldade, revelou que só sentia por não haver conseguido fazê-la entender, que o destino deles era ficar juntos.
Nildo ao perceber que Lúcia estava em estado de choque, empurrou Hélio para longe dela.
Chamando-o de covarde, respondeu que ele não faria mais nenhuma maldade com ela.

Hélio então, mesmo sentindo fortes dores, riu.
Comentou que os dois já haviam tido muitos momentos juntos, que possuíam três filhos em comum, e que estes laços não se apagam. Irônico, insinuou que Lúcia poderia estar novamente grávida, já que haviam passado algum tempo juntos.
Ao ouvir isto, Nildo empurrou Hélio. Dizendo que ele era um verme, comentou que somente um ser desprezível como ele seria capaz de constranger uma mulher a tanto.
Hélio respondeu então, que uma mulher deveria se submeter às vontades do marido.
Nildo ficou horrorizado com as palavras de Hélio. Tanto que retrucou:
-- Você é um louco! Um doente!
Em seguida, puxou Lúcia pelo braço. Seu vestido branco estava manchado com sangue.
Estava em choque. Só conseguia chorar.

Quando a polícia adentrou o recinto onde Hélio estava, o homem já estava morto. Passou seus últimos minutos chamando por Lúcia.

Com relação a isto, Nildo não ficou preso. Auxiliado por Orlando, conseguiu um bom advogado e respondeu o processo em liberdade.
Em sua sentença, o juiz o absolveu.
Algum tempo depois, Nildo casou-se com Lúcia.
Gabriela por sua vez, passou a se entender com Flávio.
Antonio e Paul também arranjaram namoradas. Com o tempo, os dois se tornaram grandes amigos.
Margarida continuou trabalhando no hotel, e Orlando prosseguiu sua vida.
Depois destes fatos, Lúcia nunca mais trabalhou com moda. Preferiu auxiliar Orlando na administração de um hotel em Minas. Assim poderia ficar mais próxima de seus pais de criação Etevaldo e Júlia.
Sim, Orlando havia comprado um terreno, e pretendia construir um novo hotel, nos moldes do que já existia em São Paulo.
Gabriela, Antonio e Paul a acompanharam neste projeto.
Margarida concordou que Gabriela que acompanhasse Lúcia. As duas precisavam se conhecer melhor.
Orlando ficou um pouco triste, mas sabendo que Lúcia precisava respirar novos ares, respeitou sua decisão. Respeitou também a decisão de Gabriela, Antonio e Paul, acompanharem Lúcia.
Pediu apenas para que não sumissem, e que de vez em quando aparecessem no hotel.
Nisto, Lúcia, o bebê, Nildo, Gabriela, Antonio e Paul partiram.
As namoradas ficaram.

Mais tarde, Flávio se juntou a Gabriela, deixando o emprego de professor, e auxiliando Lúcia na construção do hotel.

Otávio, casado com Cristina, chegou a visitar o hotel quando o mesmo foi inaugurado.
Gabriela ficou intrigada com a cara de pau do casal.
Após a tentativa frustrada de realizarem um golpe, fugiram do hotel.
Depois, do incidente soube-se que os dois foram presos.

Fim.

Luciana Celestino dos Santos
É permitida a reprodução, desde que citada a autoria.

AMARGAS LEMBRANÇAS - CAPÍTULO 11

Gabriela, por sua vez, estava cada vez envolvida com Otávio.
O rapaz, insinuante, fazia de tudo para agradá-la. Aproveitando-se da situação e da carência de Gabriela, Otávio, parecia tentar consolá-la. Aparentando ser seu amigo, ouvia pacientemente os desabafos da moça, sugeria passeios, encontros à sos... 
Flávio porém, sempre que os via juntos, ficava incomodado. Não acreditava na sinceridade daquele sujeito.
Isto porque, Flávio já o havia visto aos abraços com Cristina, em uma situação muito suspeita para quem estava namorando firme a neta do dono de tudo aquilo. Desconfiava da atitude do rapaz. 
O tempo mostrou que ele não estava de todo errado em desconfiar de Otávio. 
Certo dia, após uma comemoração no hotel, Otávio acompanhou Gabriela até a porta de seu quarto. Insistente pediu várias vezes para entrar em seu quarto. Abraçou-a, beijou-a. 
Mas mesmo diante de muita insistência, Gabriela não cedeu. 
Um dia porém, após um jantar, Otávio quase conseguiu convencê-la a deixar entrar em seu quarto. 
Não fosse a intervenção de Flávio e Otávio, conseguiria concretizar seus planos. 
Almejava enredar Gabriela e casar-se com ela, e com isto conseguir a fortuna de Orlando.
Otávio estava combinado com Cristina. 
A moça sugerira até que ele a engravidasse, para atingir mais facilmente seus planos. 
  
Com efeito, Flávio ao presenciar Otávio assediando Gabriela, disse que havia visto Cristina, e comentou que ela gostaria muito de falar-lhe.
Foi o bastante para deixar Gabriela intrigada e assim, a moça mudou de idéia.
Otávio ficou furioso com Flávio.
Insatisfeito, chegou até a ameaçá-lo. 
Flávio contudo, não tinha medo de Otávio. 
Gabriela no entanto, só deixou o relacionamento com Otávio de lado, quando finalmente viu o rapaz com Cristina. Estavam abraçados e sorrindo. A certa altura, quase se beijaram.
Gabriela ao presenciar a cena, ficou mortificada. 
Furiosa saiu em desabalada carreira. 
Flávio, ao perceber o que havia acontecido, foi atrás da moça. 
Em vão tentou consolá-la.
Gabriela porém, não estava interessada em consolo. Enraivecida, só conseguia dizer que não queria mais saber de Otávio. Dizendo que nenhum homem prestava, comentou que faria com os homens o que eles faziam com as mulheres. Que dali por diante, trataria a todos como mercadoria. 
Dali por diante, as coisas só se complicariam.
Ao tomar conhecimento da história de Otávio, Orlando quase o expulsou do hotel. 
Não fosse a intervenção de Flávio, e Otávio teria sido expulso a pontapés. 
Orlando porém, analisando melhor a situação, decidiu chamar o rapaz para uma conversa. 
Em seu escritório, Orlando avisou Otávio, que o mesmo estava sendo convidado a se retirar de seu hotel. 
Atrevido, o rapaz respondeu que não sairia dali. Comentou que não poderia partir sem dar explicações a Gabriela. 
Orlando ao ouvir tais palavras, ficou furioso. Dizendo que sua neta o vira aos beijos e abraços com outra moça,  respondeu que estava cansado de lidar com tipinhos interesseiros.
Otávio tentou retrucar, mas Orlando o interrompeu avisando-lhe que ele tinha até o meio-dia para sair do hotel, sob pena de ser acompanhado por seus seguranças. 
Contrariado, Otávio tentou argumentar que tudo não passara de um engano e que estava sendo vítima de uma arbitrariedade. 
Em vão.
Desta forma, só restou ao rapaz e a Cristina, arrumarem as malas e partirem do hotel. 
Não sem antes de Otávio dizer que se vingaria de Orlando.  
   
Enquanto isto, Gabriela começou a flertar com os hóspedes. 
Quem não gostou nada desta atitude, foi Orlando, que censurou a neta. 
Aborrecida, Gabriela discutiu com seu avô. 
Depois, arrumou suas malas, e dizendo que voltaria para casa, despediu-se secamente de Orlando. Seu único pedido, foi que lhe informassem as novidades a respeito de sua tia Lúcia. 
Após, conduzida por um motorista do hotel, Gabriela chegou a rodoviária. De lá pegou um ônibus e voltou para São Paulo.

Luciana Celestino dos Santos 
É permitida a reprodução, desde que citada a autoria.   



AMARGAS LEMBRANÇAS - CAPÍTULO 10

Com isto foi questão de tempo, para Hélio se aproximar de Lúcia.
A certa altura, aproveitando-se do fato de encontrá-la sozinha, sem qualquer funcionário, hóspede ou visitante por perto, Hélio preparou o cenário perfeito para colocar seu plano em prática.
Acompanhado de um capanga, Hélio aproximou-se de Lúcia.
A mulher ao ver-se frente a frente com Hélio, tencionou fugir.
Ao ver que Lúcia pretendia montar o cavalo e sair em disparada, Hélio ameaçou-a com um revólver.
Sem saída, Lúcia tentou argumentar com Hélio. Dizendo que suas vidas haviam tomado rumos diferentes, tentou convencê-lo a se afastar de uma vez por todas.
Hélio retrucava dizendo que eles deviam ficar juntos.
Lúcia dizia porém, que não podia ser. Dizendo que estava casada e muito feliz, comentou que Hélio não poderia levá-la. Agora não estava mais sozinha.
Hélio porém, não se importava. Alegando que possuía dinheiro, comentou que ninguém os encontraria.
Ao proferir estas palavras, o homem pegou Lúcia pelo braço.
Lúcia tentou resistir.
Hélio então, apontou novamente a arma em sua direção.
Neste momento, apareceu Jean, que resolveu fazer um passeio a cavalo.
Ao ver o estranho homem, apontando uma arma para sua mulher, Jean ficou furioso. Disposto a enfrentá-lo, exigiu que Hélio soltasse sua mulher.
Lúcia ao ver que Jean corria perigo, pediu para que ele não reagisse.
Jean porém, não lhe deu ouvidos. Furioso, avançou em direção a Hélio.
Foi então que o capanga que acompanhava Hélio, atirou em Jean, o qual caiu do cavalo.
Lúcia gritou.
Ao ver o marido morto, tentou resistir a investida de Hélio.
Queria em vão, socorrer o marido.
Hélio ao perceber que o tiro poderia chamar atenção de alguém, tratou logo de colocar um lenço com clorofórmio no nariz de Lúcia que mesmo se debatendo, acabou inconsciente.
Nisto Hélio, carregou Lúcia nos braços, sendo auxiliado pelo capanga, que ajudou a colocá-la num carrinho de golfe.
O homem dirigiu o veículo até a saída do Hotel, onde um carro o aguardava.
Lúcia foi colocada dentro do veículo.
Dali, rumaram até uma fazenda. Após, seguiram para a residência que seria o cativeiro de Lúcia.

Com o passar das horas, percebendo o sumiço de Lúcia e Jean, Orlando tencionou procurá-los. Preocupado com a demora da filha e do genro em retornar, Orlando solicitou que alguns funcionários, vasculhassem o hotel em busca do casal.
Em vão.
Os funcionários palmilharam todo o lugar. Foi quando encontraram o corpo inerte de Jean.

Quando Orlando e os netos tomaram conhecimento do ocorrido, ficaram horrorizados.
Paul, o filho, ficou arrasado.
Lúcia porém, continuava desaparecida.
Orlando tratou logo de chamar a polícia.

Os dias que se seguiram foram tormentosos para a família.
Quando Etevaldo e Júlia foram informados do desaparecimento de Lúcia, entraram em pânico.
Imaginaram logo que Hélio poderia estar envolvido no assassinato de Jean e no sumiço de Lúcia.

Nisto, quando Lúcia finalmente despertou, percebeu que estava prisioneira de Hélio.
Desesperada, lembrou-se do marido.
Ao ver-se trancada em um quarto, Lúcia levantou-se, dirigiu-se a porta, a qual tentou abrir.
Percebendo que estava trancada, começou a gritar.
Chorando, pedia para que Hélio a libertasse. Argumentando que não poderia ficar ali, comentou que sua família devia estar preocupada e que seria pior para ele, se ela não fosse libertada.
Angustiada gritou perguntando pelo marido. Ao ver que não seria atendida, começou a bater e chutar a porta. Desesperada, ao perceber que não teria como escapar, chamou Hélio de assassino.
Hélio, que estava por perto, ouviu o desabafo.
Lúcia trancafiada, sentou-se no chão e começou a chorar.

Horas depois, Hélio adentrou o quarto, Lúcia ao vê-lo em sua frente, tentou investir contra ele.
O homem porém, mais forte, segurou seu braço.
Lúcia ao perceber que não conseguiria agredi-lo, exigiu que ele a soltasse.
Hélio porém, segurando-a firme, segurou seu rosto e beijou seus lábios.
Lúcia então mordeu a boca de Hélio, o qual revidou dando-lhe um tapa no rosto.
Nervoso, Hélio gritou com ela.
Dizia:
-- Nunca mais faça isto, ou vai se arrepender!
Em seguida, segurando Lúcia pelo braço, abriu um armário mostrando-lhe várias peças de roupa. Dizia que havia preparado tudo para ela.
Apresentando o quarto Lúcia, comentou que aquele seria o lugar em que ela viveria pelos próximos meses.
Lúcia comentou então:
-- Eu não posso acreditar. Lutei tantos anos para ser feliz! E agora está tudo destruído... Eu não sei o que aconteceu com meu marido. E eu estou aqui ... com um louco... Eu quero ir embora daqui. Me deixe ir embora. Se não eu morro...
Lúcia começou a chorar.
Hélio respondeu que não fora ele quem atirou em Jean. Por esta razão não poderia ser responsabilizado pelo ocorrido. Respondeu ainda que ela estava iniciando uma nova vida e que o ocorrido deveria ser esquecido, e assim toda a sua vida, que segundo ele, ela deveria ser deixada para trás.

Lúcia caiu em profunda tristeza. Não queria saber de comer.
Hélio, nervoso, tentava obrigá-la a se alimentar. Mas Lúcia mesmo diante dos gritos e ameaças do homem, não se importava.

O homem então, mudando sua estratégia, mandou preparar um jantar para ela.
Exigiu que Lúcia então, colocasse um longo azul frente única, que havia comprado para que ela usasse em uma ocasião especial.
Ansioso, obrigou Lúcia a vestir o vestido que havia comprado.
Hélio então preparou um sofisticado jantar, o qual Lúcia não apreciou. Incomodada com toda aquela situação, não se importava com as atenções dispensadas a ela.
Tanto que a certa altura, ameaçou se levantar da mesa.
Hélio a proibiu.
Lúcia porém, cansada de toda aquela situação, levantou-se.
Irritado, Hélio a seguiu.
Assustada, Lúcia tentou se trancar no banheiro do quarto, mas não conseguiu.
Mais rápido, Hélio segurou a porta.
Lúcia tentou então, afastá-lo.
Em vão. Por ser mais forte, o homem segurou-a pelo braço.
Lúcia tentou lutar contras as investidas de Hélio, que a puxava para mais perto de si.
Na luta, rasgou o vestido de Lúcia, que tentou se esconder.
Hélio então, desabotoando sua calça, aproximou-se de Lúcia.
A mulher por sua vez, tentou lutar contra as investidas de Hélio.
O homem porém, conseguiu o que queria.
A certa altura disse:
-- Você está mais linda hoje que a dezoito anos atrás!
A Lúcia só restou chorar.

Nos meses que seguiram, o assédio se intensificou.
Certo dia, ao perceber que seu capanga a observava de longe, Hélio foi questionar Lúcia a este respeito.
A mulher sem nada entender, comentou que não sabia do que ele estava falando.
Nervoso, Hélio começou a sacudi-la, e ela em dado momento, começou a sentir-se mal.
Sem ter tempo de correr para o banheiro, vomitou no chão do quarto.
Diante disto, Hélio soltou o braço de Lúcia e deixou-a correr até o banheiro.
Ao perceber que o mal estar não havia passado, auxiliou-a, mesmo diante de seus protestos.
Depois de algum tempo, Hélio acomodou-a na cama.
Mais calmo, pediu para que ela descansasse.
Lúcia, sem forças, dormiu.
Enquanto isto, Hélio tratou de limpar o quarto.
Quando finalmente soube que Lúcia estava grávida, ficou felicíssimo.

Quem não gostava nada de seu sumiço, era sua família. Orlando, Gabriela e Paul, não tinham sossego.
A todo momento aguardavam notícias de Lúcia.
Para Paul era pior. Além de haver perdido o pai, restava a dúvida em saber se sua mãe estava viva.

Luciana Celestino dos Santos
É permitida a reprodução, desde que citada a autoria.

AMARGAS LEMBRANÇAS - CAPÍTULO 9

No dia seguinte, aproveitando a linda manha de sol, Gabriela aproveitou para fazer um passeio à cavalo, pelo lugar. Foi neste passeio que conheceu Otávio, que pareceu-lhe muito simpático.
Dizendo que gostaria que ela lhe apresentasse o hotel, fez de tudo para ganhar sua amizade.
Quem não gostou nem um pouco do sujeito, foi seu avô Orlando.
Flávio também.
Aliás, desde que Flávio conquistara a amizade de seu avô, vivia muito próximo a ele.
Quem não gostava disto era Gabriela que achava ser o rapaz quem influenciava seu avô contra Otávio.
Flávio, sempre que ouvia estes comentários da moça, respondia que Orlando era bem grandinho para se deixar influenciar por alguém. Que o mais provável, seria ele ser influenciado pelo avô da moça do que o contrário.
Tais palavras eram o suficiente para deixar Gabriela irritada.

A irritação da moça só passou quando sua tia Lúcia retornou da França.
Lúcia ao voltar para o Brasil, passou alguns dias em São Paulo, planejando primeiramente visitar seus pais Etevaldo e Júlia e após, passar uma temporada no Hotel Fazenda de Orlando.
Dito e feito. Lúcia passou alguns dias na casa de seus pais de criação, juntamente com seu filho Paul e Jean.
Etevaldo e Júlia ficaram felicíssimos com a visita. Afinal de contas, fazia anos que não viam a filha, o genro e o neto.
Alguns dias depois, sob os protestos de Etevaldo e Júlia, Lúcia partiu.
Iria encontrar-se com Orlando.

Quando a família finalmente chegou ao Hotel Fazenda, Orlando não cabia em si de contente.
Feliz, mandou preparar dois dos melhores quartos do hotel para que a família ficasse bem instalada.
Gabriela que adorava Lúcia, assim que teve oportunidade, perguntou-lhe sobre como era o dia-a-dia da família na França.
Lúcia respondeu-lhe que a cidade era uma festa. De tempos em tempos, Paris se modifica: são novos eventos, novas exposições, etc.
Quanto ao trabalho, continuava trabalhando com moda. Mas em razão da idade, estava trabalhando em outros segmentos da moda.
Jean e Paul aproveitavam estes momentos em que ambas ficavam conversando, para passearem pelos arredores do hotel.
O lugar, como já foi dito antes, é bastante aprazível. Com muitas áreas verdes para serem percorridas, jardins, gramados, etc.
O Hotel Aquarela era um lugar como poucos.

A grande distância dali, estava Hélio, um rico empresário no setor de exportações, em seu trabalho.
Casado com Ofélia tinha um filho de 16 anos, chamado Pedro.

Com efeito, mesmo passados longos anos desde a última vez que vira Lúcia, o homem continuava acompanhando seus passos.
Por haver se tornado uma modelo de sucesso, era constante sua presença em capas de revistas. Também se comentava muito sobre sua vida nas colunas sociais.
Quando Hélio soube que Lúcia arrumara um namorado e como ele se casou, vindo em seguida a ter um filho, ficou furioso.
Sua reação inclusive, provocou ciúmes em sua mulher, a qual não se conformava com a obcessão de seu marido por Lúcia.
Quando a mulher engravidou de seu primeiro filho, Hélio então se descontrolou.
Dizendo que Lúcia não podia fazer isto com ele, prometeu para si mesmo que iria se vingar. Jurando a si mesmo que tornaria a vê-la, prometeu que os dois voltariam a ficar juntos.
Com efeito, o tempo passou e Hélio continuava obcecado por Lúcia.
Colecionava todas as revistas em que ela aparecia (fosse na capa ou em alguma matéria), recortes de jornal.
Quem não gostava nada disso era Ofélia, que ameaçava o tempo inteiro jogar toda aquela porcariada fora.
Hélio por sua vez, sempre que ouvia tais palavras, respondia dizendo:
-- Não se atreva a mexer neste material!
Ofélia porém continuava a insistir em destruir aquela papelada.
Hélio retrucava dizendo, que se ela continuasse insistindo naquela idéia, o que Ofélia veria, seriam papéis queimando de um lado, e ele saindo de outro, para nunca mais voltar.
Ofélia, ao ouvir tais ameaças, desistia da idéia.

Com isto Hélio, continuou alimentando sua obcessão por Lúcia.
Quando soube que a mulher retornara ao Brasil para uma estada com sua família no Hotel Fazenda de seu pai biológico, Hélio se armou de esperança.
Dizia a si mesmo:
-- Este é o momento!
Isto por que, em todas as suas vindas para o Brasil, Lúcia fazia visitas rápidas a seus pais. Visitas as quais, só eram divulgadas quando ela estava de volta a França.
Mas Hélio não desistia de seu intento.
Em dados momentos, chegou até a cogitar viajar até Paris para localizá-la.
Uma vez quase chegou a ir a cidade, mas um sócio, relatando que tinha preferência em viajar para lá, acabou afastando seu projeto de ir até o local.

Agora porém, era diferente. Lúcia estava por perto.
Diante disto, Hélio começou a realizar contatos.
Estava disposto a colocar seus planos em prática.
Nisto, alguns dias após a chegada de Lúcia, Hélio arrumou suas malas e rumou para o Hotel Aquarela.
Precavido, registrou-se com um nome falso.
Com isto, passou a espiar Lúcia.

Em dado momento, a mulher, percebendo a presença de um estranho a observá-la na piscina, correu em disparada em direção a seu quarto. Assustada, trancou-se.
Não fosse a insistência de seu marido Jean, e ela teria permanecido reclusa em seu quarto.
Assustada, comentou que teve uma sensação muito ruim ao se sentir observada. Chorando, comentou que não queria mais ter aquela sensação.
Jean então consolou-a.
Mais tarde, Lúcia saiu do quarto, foi passear com o marido e com o filho.
Após, arrumou-se e foi jantar com Orlando, Gabriela, Jean e Paul.

Hélio discretamente, os observava à distância.
Estava pronto para colocar seu plano em prática.

Luciana Celestino dos Santos
É permitida a reprodução, desde que citada a autoria.

AMARGAS LEMBRANÇAS - CAPÍTULO 8

Gabriela, intrigada com os sonhos que vinha tendo, comentou o novo sonho que tivera com o avô.
Mencionando que parecia estar assistindo um filme, comentou que a história que sonhara tinha começo, meio e fim.
Orlando só ouvia.

Ao término do relato da neta, Orlando comentou que Lúcia também já havia sonhado com com um assassinato.
Gabriela aproveitando o gancho, insistiu para que o avô revelasse o que havia ocorrido com Lúcia.
Orlando, incomodado com a insistência de Gabriela, comentou que aquela era uma história muito triste.
Gabriela comentou que já havia percebido um ar de melancolia nos olhos da tia.
Mas Orlando estava reticente em relatar a neta o acontecido com sua filha, Lúcia.

Gabriela porém, desconfiada, relatou que já ouvira comentários de sua mãe, a respeito do que teria ocorrido a tia.
Orlando, surpreso com as palavras da neta, perguntou a ela, o que Margarida dissera a respeito de Lúcia.
Gabriela então relata que sua mãe comentara com seu pai Cássio, que não se podia esperar nenhuma atitude nobre de Lúcia, tendo em visto o que havia acontecido entre ela e Hélio, de quem tivera um filho.
Orlando ficou chocado.
Como Margarida podia saber do ocorrido? E mais! Como tivera a leviandade de comentar isto com Gabriela?
Gabriela então confessou que Margarida não sabia que ela estava ouvindo.
Orlando, percebendo que não podia mais esconder de Gabriela o que havia acontecido a Lúcia, resolveu contar o ocorrido.

Orlando então revelou que a quase vinte anos, Lúcia fora assediada por este tal Hélio, que a raptou.
Aproveitando-se do fato que Lúcia costumava andar sozinha pelos arredores da cidade onde então morava, o rapaz resolveu segui-la.
Certo dia, aproveitou para se aproximar da moça.
Lúcia, que não queria conversa com Hélio, tentou se afastar. Em vão.
Mais forte, Hélio empurrou Lúcia para um matagal, onde mesmo diante dos gritos desesperados da moça, rasgou sua roupa e deitou sobre ela.
Lúcia tentou se defender do agressor, mas Hélio, percebendo a resistência da moça, a estapeou.
Minutos depois, levantou-se, se recompôs e saiu dali apressado.
Lúcia ficou deitada, chorando.
Minutos depois, desorientada, levantou-se e ficou vagando pela região, até ser encontrada por uma senhora que cuidou dela, até ela se restabelecer do ocorrido.
Esmeralda acolheu Lúcia em sua casa e auxiliou-a. Emprestou uma roupa ela vestir, deu banho, abrigo.
Envergonhada, a moça precisava encontrar coragem para voltar para casa.

Nisto Etevaldo e Júlia ficaram desesperados. Preocupados com o sumiço de Lúcia, procuraram a moça por toda a cidade.
A certa altura, chamaram a polícia.
Mas Lúcia não foi encontrada pela polícia.
Etevaldo e Júlia só voltaram a ter notícias de Lúcia, quando dias depois, a moça retornou para casa.
Abatida, a moça não queria revelar o que havia acontecido.
Seus pais ficaram deveras preocupados. Percebendo que algo de muito grave havia acontecido, tentaram fazer com que Lúcia revelasse o que havia acontecido.
Todavia, sempre que era questionada a respeito, a moça só conseguia chorar.

Com o tempo, Lúcia retornou ao colégio.
Sempre que passava pelo pátio do colégio, era observada por algumas garotas e rapazes.
Hélio, feliz da vida, comentou com alguns colegas que havia conseguido passar uma noite com Lúcia.
Empolgados, alguns garotos a partir daí, começaram a convidar a moça para passear de carro com eles.
Um deles chegou até a comentar que não sabia por que ela recusava tantos convites para passear, já que havia passado a noite com Hélio.
Ao ouvir isto, Lúcia, ficou arrasada.
Retornando do colégio, a moça chegou a pedir aos pais, para mudar de escola.
Etevaldo e Júlia, desconfiados do pedido de Lúcia, começaram a perguntar se alguém no colégio a estava incomodando.
Lúcia respondeu que não.
Mas ambos estavam desconfiados.
Certo dia, resolveram conversar com Cássio e Bruna, amigos de Lúcia, para quem pediram para que contassem o que estava acontecendo.
Preocupados, os dois revelaram que também não sabiam de nada.
Mas desconfiados de que poderia haver o dedo de Hélio em toda aquela história, prometeram que ficariam de olho em Lúcia.

Isto porém não foi o bastante.
A certa altura, depois de um longo tempo sem se aproximar da moça, Hélio aproveitou um momento de distração de Lúcia, para arrastá-la até seu carro e sumir com ela.
Ao perceberem o sumiço da moça, Cássio e Bruna, foram imediatamente ao encontro dos pais dela e relataram que havia mais de quarenta minutos que estavam procurando-a.
Etevaldo e Júlia perceberam que então que só poderia ser alguém do colégio que estava fazendo isto.

Nisto, Hélio carregou Lúcia desacordada para uma cabana. Lá amarrou a moça a uma cama.
Quando despertou, ao observar o lugar em que estava, Lúcia tentou gritar. Em vão.
Estava amordaçada.
Quando Hélio percebeu que Lúcia estava acordada, foi logo lhe dizendo que ela estava em sua nova casa, e que ali eles passariam a viver juntos.
Foi começo de seu martírio.
Freqüentemente era abusada por Hélio, e quanto a isto, nada podia fazer.
Humilhada, Lúcia só pensava em morrer.
Certa vez, aproveitando-se de uma distração de Hélio, a moça aproveitou para pegar uma faca que estava perto de sua cama.
Estava tentando se desamarrar das cordas que a mantinham presa.
Enquanto tentava se desvencilhar das cordas, notou a aproximação de Hélio. Percebendo isto, Lúcia mirou a faca contra o próprio peito.
Não fosse o rapaz tomar a faca de suas mãos, e a moça teria se matado.
Lúcia chorando, disse para que ele a deixasse morrer.
Hélio respondeu que ela não podia morrer.

Com o tempo, o rapaz passou a soltá-la. Deixava Lúcia percorrer a casa.
Abatida, a esta altura, a moça já estava grávida.

Um dia, Hélio deixou Lúcia caminhar pelos arredores desamarrada.
Foi neste dia, que Lúcia conseguiu fugir de Hélio.
Isto por que, a polícia finalmente encontrou-a.
A moça, enfraquecida e debilitada, por pouco não conseguiu escapar de Hélio.
Aproveitando-se do fato de estar livre, correu.
Hélio, ao perceber que Lúcia tentava fugir, começou a gritar.
Em dado momento, a moça caiu ao chão.
O rapaz percebendo isto, correu ao encontro da moça.
Sentindo um forte mal estar, Lúcia foi pega por Hélio.
Percebendo uma movimentação próxima, Hélio tentou fugir com Lúcia. Carregou-a em seus braços.
Contudo, percebendo que não daria tempo para se esconder com Lúcia no matagal, deixou-a sentada num banco e fugiu.
Não sem antes dizer que voltaria para buscá-la.
Quando os policiais encontraram Lúcia, a moça estava sentindo muitas dores.
Foi logo encaminhada para um hospital.
Lá deu a luz prematuramente a um filho, o qual, segundo lhe foi informado, nasceu morto.

Etevaldo e Júlia, ao tomarem conhecimento de que Lúcia estava grávida, perceberam que o primeiro sumiço da moça fora por causa de Hélio.
Em apuros, o rapaz fugiu do estado.
Lúcia, sem condições de continuar freqüentando o mesmo colégio, terminou seus estudos em casa.
Encerrando o colegial, Lúcia poderia sair da cidade.
Deprimida, não agüentava mais encarar os olhares, ora de piedade, ora de reprovação.
Com isto, após terminar os estudos, partiu com seus pais para São Paulo.
Lá foi descoberta por Nelson, enquanto caminhava pelas ruas da cidade.
Foi então que sua vida começou a mudar.

Gabriela ouviu a todo o relato atenta. Agora compreendida o ar de pesar de sua tia, e o quanto seu avô ficava incomodado e indignado com a história.
Dizendo que nunca sentira ódio de ninguém, Orlando comentou que sentia ganas de matar Hélio.
Revoltado comentou que cedo ou tarde o encontraria para acertar suas contas com ele.
Gabriela tremeu quando o avô proferiu estas palavras.

Luciana Celestino dos Santos
É permitida a reprodução, desde que citada a autoria.

AMARGAS LEMBRANÇAS - CAPÍTULO 7

Dias depois, Gabriela teve um sonho ainda mais estranho.
Em plena década de 40, a moça viu uma mulher confabulando com dois homens de fardas verdes. Chamava-se Clotilde.
Arthur, um antigo admirador, estava em seu encalço.
Ao vê-la conversando com os dois homens, esperou a oportunidade para se aproximar.

Quando a moça terminou a conversa, Arthur esperou os dois homens se afastarem para se aproximar de Clotilde.
Surpresa ao se ver diante de Arthur, perguntou-lhe o que estava fazendo ali.
Arthur respondeu-lhe que ali quem fazia as perguntas era ele.
Clotilde tentou inventar uma desculpa para se afastar. Em vão.
Arthur não estava disposto a perdê-la de vista.
Estava furioso por haver sido enganado por ela.
Clotilde havia descoberto um segredo de sua fábrica e revelado aos integralistas.
Quando o homem descobriu que havia sido enganado, começou a caçá-la.
Procurou-a em vários lugares até encontrá-la.
Satisfeito com o encontro, revelou que foi difícil encontrá-la, mas que a espera valeu a pena.
Nervoso porém, começou a discutir com Clotilde, que respondia com evasivas as suas perguntas.
A certa altura, exaltado, acabou chamando a atenção de autoridades policiais que passavam no local.
Resultado, acabaram detidos.
Contudo, por se tratar de um rico empresário e de uma espiã que prestara relevantes serviços para o país, não ficaram muito tempo detidos.
Nisto, Clotilde, evitando confrontos, pediu para ser libertada primeiro. Não queria se encontrar com Arthur, o qual estava furioso com ela.
Queria livrar-se de sua presença incômoda.
Dito e feito.
Foi libertada antes, para desgosto de Arthur, o qual tivera tanto trabalho para encontrá-la.

Mas não demorou para que ele novamente a encontrasse em uma boate, disfarçada de cantora.
Possuidora de dotes vocais, Arthur ficou impressionado com sua voz. Também causou admiração a transformação pela qual a moça havia passado.
Nem parecia a mesma mulher que ele conhecera, a qual trabalhara como secretária em sua fábrica.
Assim, foi questão de dias para que Arthur descobrisse onde a moça estava escondida.
Interessado em passar a limpo a revelação de segredos industriais que muito o prejudicaram, Arthur estava disposto a se vingar de Clotilde. Estava disposto a prejudicá-la também.

A vingança foi apenas questão de tempo para ser colocada em prática.
Isto por que, acompanhando os passos de Clotilde à distância, descobriu que ela continuava a trabalhar com espiã.
Certa vez, ao perceber que Arthur a observava, Clotilde dirigiu-se até sua mesa.
Incomodada com sua presença, comentou que seu plano já havia sido descoberto e que já havia revelado seu segredo industrial. De formas que não havia mais nada a ser feito.
Arthur não acreditou em suas palavras. Dizendo que ela estava blefando, comentou que estava esperando de camarote sua queda.
Percebendo que Arthur estava obcecado com suas idéias de vingança, Clotilde resolveu sair de circulação.

Foi se refugiar na fazenda de Bernardo.
Arthur porém, acabou por descobrir onde a moça estava.
Quando a viu de braços dados com Bernardo, não conseguiu acreditar. Tanto que chegou a alertar o fazendeiro de que tudo aquilo não passava de um golpe.
Bernardo porém, não acreditou nas palavras do industrial.
Clotilde não havia falado de seu passado, muito embora Bernardo desconfiasse de que havia algo de estranho em sua vida.
A maneira como havia chegado até aquela fazenda... Dormindo no celeiro, fazendo esforço para não ser vista, reconhecida. Sem vontade de ir até a cidade. Abatida...
Clotilde ao ver que Arthur havia descoberto seu paradeiro, comentou com Bernardo que precisava partir.
O fazendeiro porém, não a deixou partir. Dizendo que ela tinha dizer-lhe o que estava acontecendo, afirmou que não a deixaria sair da fazenda.
Determinado, Bernardo expulsou Arthur da fazenda.
Furioso, o homem prometeu se vingar.

Sem alternativa, Clotilde revelou seu passado. Dizendo ser muito pobre, mas muito bonita, revelou que recebeu muitas propostas para se tornar amante de empresários. Contudo, como não tinha interesse em se vender, recusava a todas as propostas.
A certa altura, intimidada por um homem que a vivia cercando, se viu em grande dificuldade. Não fosse a ajuda de um soldado que passava, ela estaria perdida.
O homem, que na verdade não era um soldado, comentou que sabia de suas dificuldades e de onde poderia ganhar dinheiro, sem precisar se vender.
Desconfiada, Clotilde inicialmente rechaçou a proposta.
O homem porém, insistiu. Passou-lhe um endereço.
Por muito tempo relutou. A curiosidade porém era maior. Sem emprego, precisando de dinheiro, acabou concordando em ir até o local.
Aos poucos foi descobrindo que tratava de uma agência de espionagem.
Seu primeiro trabalho foi descobrir os segredos industriais de um empresário.
Clotilde revelou então, que estava arrependida de seu trabalho. Comentando que era preferível ter ficado na miséria, relatou que não valeu a pena ganhar dinheiro com isto.
Desde que Arthur descobrira ter sido enganado, não tinha paz.
Não bastasse isto, estava sendo obrigada a realizar outros trabalhos como espiã. Precisava fugir.
Bernardo, tocado com a história, prometeu ajudá-la.
E auxiliou-a.

Não sem muita dificuldade.
Arthur seguia todos os seus passos.
Quando soube que o fazendeiro pretendia vender sua propriedade, ficou ainda mais intrigado.
Tanto que comentou:
-- Bernardo, esta mulher está te enganando. Clotilde é muito esperta! Se é que este é realmente seu nome.
Bernardo porém, não dava ouvidos ao industrial. Dizia que Clotilde não estava mais em sua fazenda.
A certa altura, tentando se livrar de Arthur, comentou que estava vendendo as terras por que havia descoberto um negócio muito mais promissor, do que plantações de café.
Mas Arthur permanecia desconfiado.
Por pouco não estragou os planos do fazendeiro.
Isto por que, no momento em que Bernardo finalmente conseguiu vender sua propriedade, Arthur apareceu inesperadamente em sua fazenda. Pretendia vasculhar toda a propriedade.
Obcecado, ameaçou chamar a polícia.
Bernardo porém, tinha prestígio na região e Arthur ao surgir na delegacia da cidade, pedindo autorização para realizar uma varredura na fazenda, acabou sendo ignorado pelo policial.
Um policial porém, aceitando suborno, comentou que conhecia a fazenda e que poderia ajudá-lo a descobrir onde Clotilde estava.

Nisto, Bernardo, combinado com Clotilde, ajustou que a meia-noite a moça pegaria suas malas e partiria de carro. No dia seguinte quem partiria seria ele.
Quando Clotilde saiu de seu esconderijo, Arthur e o policial partiram imediatamente em seu encalço.
Não fosse a intervenção do fazendeiro, e a moça teria sido pega.
Prevenido, Bernardo contratou um guarda-costas.
Com isto, conseguiu surpreender Arthur e o policial.
Surpreso com a presença do policial, mandou amarrá-los.

Percebendo que seu plano havia descoberto, Bernardo tratou de pegar suas malas e partiu com Clotilde.
Arthur e o policial só foram descobertos horas depois.
Quando finalmente foram soltos, Clotilde e Bernardo já haviam pego o trem e partido.
Arthur ficou furioso. Prometeu que ainda iria descobrir onde os dois estavam.
Contudo, quanto mais passava o tempo, ficava mais difícil de localizá-los.
Ora ouvia boatos de que estavam na Argentina, nos Estados Unidos. Quando a guerra findou-se, ouviu comentários de que Clotilde e Bernardo foram vistos juntos na França, Alemanha e outros países da Europa.
Encontrá-los novamente, Arthur nunca mais os encontrou.

Luciana Celestino dos Santos
É permitida a reprodução, desde que citada a autoria.