Poesias

quinta-feira, 29 de julho de 2021

Para se Viver um Grande Amor - Capítulo 19

Flávio e Letícia, já deitados na cama, começaram a fazer planos para o dia que se seguiria.
Estavam animados.
Cecília e Alessandro, também faziam planos.
Mas o que mais ocupava a mente de ambos, eram os preparativos para o desfile de carnaval.
Cecília por exemplo, quase não falava em outra coisa.
Karina e Humberto, beijaram-se e se recolheram.

No dia seguinte Olívia e Karina foram juntas até a padaria comprar frios e pães para o café da manhã.
Karina comentou que estava conhecendo Humberto, e que depois de tanto tempo sozinha, estava reaprendendo a dividir seu espaço com outra pessoa.
Curiosa, Olívia perguntou se Letícia não se opôs ao relacionamento.
Karina respondeu que não. Dizendo que a filha entendia o fato dela precisar de um companheiro, comentou que ela aceitou melhor a situação do que poderia esperar. A mulher revelou então que fora ela, quem mais ofereceu resistência a Humberto. Demorou para encarar a idéia de morar junto com o homem.
Olívia respondeu então, que eles formavam um belo casal.
Nisto, compraram os pães e prepararam lanches de queijo e presunto, salame, de peito de peru, e de rosbife.
Depois de comerem, os quatro casais foram caminhar a beira-mar.
Juntos, aproveitaram o sol a pino para darem um mergulho no mar.
Alessandro carregando Cecília no colo, começou a balançá-la fazendo com que a moça soltasse gritinhos.
Letícia e Flávio caíram na risada.
Foi então que o Flávio começou a jogar água nela.
Letícia revidou.
Olívia e Humberto comentaram então, que pareciam crianças.
A certa altura, a turma voltou para casa.
Almoçaram.
A tarde, novo passeio pela praia.
Mergulhos no mar.
Ao cair da tarde, apreciaram o pôr-do-sol na praia. O céu estava tão bonito que conseguiram até ver estrelas.
Alessandro, fazendo graça, comentou que viajaria até o espaço para buscar uma estrela para Cecília. Ajoelhando-se diante da moça, disse que para ele, ela compunha toda uma ala de uma escola de samba.
Quem estava em volta começou a rir.
Cecília pediu para ele se levantar.
Como Alessandro não se mexia, a moça começou a puxá-lo.
Flávio, percebendo que Cecília estava constrangida, pediu ao moço para que se levantasse.
Alessandro continuou ajoelhado. Disse que estava caído aos pés de Cecília.
Todos riram.
Depois, percebendo que Cecília o fuzilava com os olhos, levantou-se. Não sem antes dizer que ela não o permitia ser romântico.
Karina e Humberto acharam graça.
Olívia comentou que Cecília devia ter paciência com Alessandro.
Ao ouvir isto, Gilberto disse:
- Quem te viu, quem te vê! Quem diria que você defenderia seu genro?

Nisto se seguiram os dias. Passeios na praia, mergulho no mar.
A beleza do sol despontando no horizonte no raiar do dia. Timidamente, surgindo das nuvens. Aparecendo e desaparecendo em meio as nuvens.
Despontando aos poucos, até surgir em todo seu esplendor.
Quente, abrasador.
Juntos confraternizaram.

Nos dias que se seguiram, começaram a preparar a casa de praia para os festejos de Natal e de Fim-de-Ano.
Montaram uma bonita árvore de Natal de quase dois metros. Karina, Olívia, Humberto e Gilberto trataram de encher a mesma de enfeites.
Animada Olívia colocou uma guirlanda na porta, e espalhou festões pela sala.
Com Karina, Olívia escolheu a louça que iria usar no dia da festa.
Retirou do armário quatro castiçais – decorados com motivos natalinos.
Do lado de fora, muitos pisca-pisca em volta da janela da sala.
As mulheres eram as mais animadas com as comemorações de Natal.
Quando finalmente chegou a véspera do Natal, as quatro mulheres trataram de se arrumar para a ocasião.
Olívia e Karina, vestiram saia e calça sociais, respectivamente. Ambas optaram por vestirem blusas leves.
Letícia e Cecília fizeram questão de usarem roupas novas. Vestidos sociais.
A noiva de Flávio optou por um vestido longo frente única bordô, e Cecília, escolheu um tomara que caia na altura dos tornozelos estampado de flores.
Flávio e Alessandro vestiram calças jeans. Flávio usou uma camisa social e Alessandro escolheu uma camisa pólo.
Gilberto e Umberto, também trajaram-se de forma despojada, com calça jeans e camisas de manga curta.
Na ceia, peru, arroz, farofa, champagne para fazer o brinde, vinho e refrigerante.
De sobremesa, um bolo de chocolate com coco ralado.
Na mesa ornada com uma toalha decorada com motivos natalinos. Além de quatro castiçais.
Mesa de madeira de lei, complementada com cadeiras de espaldar alto.
Todos se sentaram a mesa e celebraram o Natal.
Ao fundo, músicas natalinas.
A meia-noite, muitos brindes.
Lá fora, uma tímida queima de fogos.
Mas o melhor ainda estava por vir.
Comentando sobre a beleza da queima de fogos no ano novo, Cecília, convidou a todos para brindarem o ano vindouro na beira do mar.
Animados, Flávio e Letícia concordaram.
Olívia contudo, queria montar uma ceia bonita na casa de praia.
Gilberto respondeu que eles poderiam antecipar a ceia e após, caminhar na beira da praia para acompanhar a queima de fogos.
Karina e Humberto, ficaram curiosos.
Mal podiam esperar para poderem apreciar o espetáculo.
Durante os brindes, Flávio aproveitou a ocasião para reafirmar o interesse em se casar com Letícia. Participou a todos que se casaria com a moça no próximo ano.
Todos felicitaram o casal.

E assim foi.
Na véspera do ano novo, novo ritual, novas roupas, novos vestidos para as moças.
A mesa, delicadamente posta, a ceia com frutos do mar, paella. O vinho, a champagne.
A ceia antecipada, foi acompanhada por um bom vinho.
Comeram, brindaram, celebraram.
Por fim, alguém sugeriu que se deixasse uma garrafa para ser aberta na praia.
Com isto, uma champagne foi reservada, e providenciadas taças, sendo tudo acomodado em uma cesta de madeira, e cuidadosamente embalados para não quebrarem.
Iriam fazer mais um brinde a beira mar.
E assim, faltando meia-hora para a meia noite, o grupo rumou em direção a praia, acompanhados de uma turba, uma multidão de pessoas.
Caminhando até um residencial, se posicionaram para a acompanhar a queima de fogos.
Ao longo da praia, Karina, Olívia, Cecília, Letícia, Flávio, Gilberto, Alessandro e Humberto, puderam ver outras queimas de fogos longe dali, ao longo da praia.
Quando finalmente começou a queima de fogos no lugar, um espetáculo de luzes e cores. Girândolas coruscantes. O evento tão ansiosamente aguardado, foi espetacular.
Desenhos iluminando os céus. Círculos enfeitando os céus. Guarda-chuvas de luzes. Cascata iluminada.
Uma beleza!
Aproveitando a ocasião, o grupo entrou no mar e pulou sete ondas.
A seguir, abriram a garrafa de champagne, e enchendo as taças com o líquido, brindaram a chegada do ano novo.
Karina ficou encantada com a queima de fogos.
Olívia sugeriu que eles comemorassem também o casamento de Alessandro e Cecília, que aconteceria em breve.

No dia seguinte, as famílias continuaram a celebrar a chegada do novo ano.
No almoço, Olívia e Karina, juntamente com Humberto e Gilberto, prepararam um churrasco.
Com isto, ao voltarem da praia, Letícia acompanhada de Flávio e Cecília, ao lado de Alessandro, molhados, trataram de tomar banho para trocar de roupa, para poderem sentar-se a mesa e almoçar.
Foram dias memoráveis.
Alessandro e Cecília caminhavam de mãos dadas pela beira da praia.
Juntos os dois não paravam de comentar sobre os preparativos do desfile na avenida. Também falavam sobre os preparativos do casamento que aconteceria em maio.
Cecília porém, estava mais empolgada com o desfile.
Alessandro não se cansava de ouvir a moça falando de seus rodopios.
Flávio e Letícia, conversaram sobre os últimos acontecimentos. O moço não se cansava de comentar que não queria perder mais tempo, e que gostaria de se casar o quanto antes.
Olívia e Gilberto estavam felizes ao verem os filhos encaminhados. O casal imaginava o momento em que acompanharia o casamento dos filhos.
Karina também estava feliz ao ver que o sofrimento de Letícia havia acabado. Não se cansava de comentar com Humberto que não agüentava mais ver sua filha sofrendo e saber que não podia fazer nada para ajudá-la.
Humberto comentava que agora ela poderia esperar pelo casamento do casal.
Karina respondia que ainda estava cedo para eles se casarem.
Humberto porém, dizia que se eles haviam passado por tantas coisas e o amor havia resistido a tudo isto, é certo que eles gostariam de recuperar o tempo perdido. Então, o casamento seria apenas questão de tempo.
Karina ficava surpresa com os comentários. Sabia porém que para o casamento de Flávio e Letícia acontecer, seria questão de tempo. Até porque o rapaz já havia deixado isto bem claro no Natal.
Juntos o grupo passeava pela cidade, caminhavam pela praia, entravam no mar, banhavam-se, tomavam sol, almoçavam, jantavam. Apreciavam luares, contemplavam o céu estrelado, ouviam música.
Como Cecília não parava de falar de carnaval, samba era a música que mais ouviam. Sambas de enredo de diversos carnavais. Como por exemplo:

“Explode coração, na maior felicidade
É lindo meu Salgueiro
Contagiando e sacudindo esta cidade ...

(Peguei um Ita no Norte)”

Entre outras, como:

“Ô ô ô yaô quanto amor
Quanto amor
As pretas velhas yaôs - BIS
Vêm cantando em seu louvor

A constelação
De estrelas negras que reluz
Clementina de Jesus
Eleva o seu cantar feliz

A Ganga-Zumba
Que lutou e foi raiz
Do negro que é arte, é cultura
É desenvoltura deste meu país

Êh ! Luana
O trono de França será seu baiana
Pinah êêê Pinah
A Cinderela negra
Que ao príncipe encantou
No carnaval com o seu esplendor

Grande Otelo homem show
Em talento dá olé
E o mundo inteiro gritou, Gol!
É gol!
Gol do grande Rei Pelé ...

(A Grande Constelação das Estrelas Negras)”

As famílias se deliciavam com frutos do mar. Comiam peixes, como cação com leite de coco, camarão frito, ostras com limão. Também tomavam muito líquido, água, sucos, refrigerantes.
Se esbaldaram com diversos tipos de sorvetes.
Karina e Olívia disseram que precisariam fazer uma dieta.
No tocante a isto, Letícia e Cecília eram as mais preocupadas.
Foi a deixa para que Humberto e Gilberto dissessem que elas não precisavam se preocupar com calorias.
Os dias se seguiram amenos.
Mais tarde, todos trataram de fazer as malas e voltaram para casa. Retomaram à suas rotinas...

Algum tempo depois...

Cecília, depois de uma temporada de ensaios na quadra da escola de samba – momentos estes prestigiados por Olívia, Gilberto, Flávio, Letícia, Karina e Humberto – desfilou no sambódromo de São Paulo.
Nos ensaios, Cecília era acompanhada de Alessandro.
O moço ensaiava seus compassos com integrante da bateria.
Cecília era uma passista.
Sandro, Cléber e Júlia desfilavam em uma das alas da escola.
No fim, todos se encontravam.
Era um acontecimento e tanto.
Os pais de Cecília, Karina, Humberto, Flávio e Letícia adoravam acompanhar os ensaios.
Aproveitavam para acompanhar os ensaios na quadra e comer alguma coisa.
Nas semanas que se aproximavam do carnaval, a quadra ficava mais e mais movimentada.
Os ensaios eram verdadeiras aulas de samba no pé.
Flávio e Letícia eram quem mais acompanhavam os ensaios e a dupla Alessandro e Cecília.
Quando finalmente chegou o momento da apresentação do maior Espetáculo da Terra, Cecília estava linda com sua fantasia cheia de brilhos, lantejoulas, paetês, espelhinhos recortados e seu esplendor de plumas artificiais. Um bonito vestido curtíssimo. Nos pés, usava uma sandália plataforma prateada.
Alessandro estava trajando um terno branco, com detalhes em lantejoula, camisa listrada, sapato branco. Nas mãos um bandeiro.
Na coreografia da bateria, o rapaz deveria fazer acrobacias com o instrumento, além de apresentar gingado ao sambar ao lado das passistas. Faria a representação do típico malandro carioca.
O desfile, como sempre, imponente das escolas de samba. Cada Escola mais bonita que a outra.
Um show de cores, de alegorias. Fantasias luxuosas. Lindas coreografias das comissões de frente, tripés complementando apresentações. Carros alegóricos espetaculares, monumentais. Esculturas ricamente trabalhadas, muito luxo, requinte. Alegorias com movimentos, coreografias ensaiadas. Plumas e paetês.
A ala das baianas, ricamente trajada. Alas luxuosas.
Nos desfiles havia fantasias de índios, de tribos africanas.
Um show de alegria, de luxo e de inventividade.
Para completar o quadro, Letícia, Flávio, Olívia, Gilberto, Karina e Humberto acompanharam os desfiles. Apreciaram o espetáculo que a escola em que Cecília e Alessandro desfilaram, proporcionou.
Empolgada, Olívia comentou que fazia anos que a filha desfilava, mas que somente naquele ano estava acompanhando o desfile pelo sambódromo.
Cecília estava animadíssima. Antes de começar a desfilar, já com a fantasia, comentou que estava muito nervosa.
Letícia comentou que pelos ensaios, ela iria tirar de letra.
Alessandro pediu boa sorte a todos.
No que foi prontamente atendido.
Estava visivelmente nervoso.
Quando colocaram os pés na avenida, porém, tudo mudou.
Desfilaram demonstrando confiança. Foram exatos em seus passos.
Alessandro fez todos os passos da coreografia, inclusive os movimentos de deslizar com o pandeiro entre os braços. Também balançou o instrumento com o dedo.
Estava um verdadeiro malandro carioca.
Quando Cecília e Alessandro passaram pelo setor onde o grupo estava instalado, Olívia teve uma certa dificuldade em localizar a filha e o futuro genro.
Gilberto conseguiu localizá-los e indicar onde o casal estava, para a mulher e para todo o grupo.
Olívia, Gilberto, Karina, Humberto, Letícia e Flávio, acenaram para o casal.
O desfile estava lindo!
Muitos esplendores, muitas plumas, muitos carros alegóricos luxuosos, alas coloridas.
Sambas de enredos que contagiavam a arquibancada.
O grupo estava acomodado nas cadeiras de pista. Podiam acompanhar muito de perto o desfile. Dali podiam ver os detalhes dos carros alegóricos, o trabalho caprichado dos artesãos do carnaval.
Durante suas palestras sobre os desfiles das escolas de samba, Cecília comentou que às vezes ela, Alessandro, Sandro, Cléber e Júlia, costumavam visitar os barracões da escola e conversar com as pessoas que transformavam os sonhos dos carnavalescos das agremiações em realidade. Muito ali eram artistas plásticos, tamanha a precisão e qualidade do trabalho empreendido. Esculpiam verdadeiras obras de arte no gesso.
Cecília e Júlia conversaram com as costureiras, e descobriram o trabalho exaustivo que realizavam para confeccionar as fantasias e deixar a escola belíssima.
A moça não se cansava de contar os detalhes que faziam daquele mundo de sonhos e fantasias, uma realidade.
Olívia estava orgulhosa da filha.
Na terça-feira de carnaval, lá estava Cecília acompanhada de Alessandro e de seus amigos Cléber, Júlia e Sandro. Aguardava ansiosa o resultado da apuração. Torciam muito pela escola em que desfilaram.
Olívia preocupada, comentou que eles deveriam tomar cuidado em participar da apuração e ao menor sinal de confusão, deveriam sair do local.
Cecília beijou o rosto da mãe e pediu para que ela não se preocupasse.
A moça e sua turma acompanharam nota a nota.
Ao final, para tristeza de todos, a escola do coração não sagrou-se vencedora. Porém ao menos estaria no desfile das campeãs.
Olívia que não era uma entusiasta do carnaval, ainda assim acompanhou o desfile pela televisão. O Desfile das Campeãs.
Acompanhando atentamente o desfile, a mulher conseguiu ver em uma fração de segundos, a filha ao lado do noivo.
Cecília ficou falando sobre o desfile por semanas.
Adorava carnaval.
Passado o período das festas pagãs, a moça começou a se ocupar de seu enxoval, da montagem de sua nova casa.
Continuariam morando no apartamento que haviam financiado.
Cecília já estava advogando há algum tempo no escritório de Flora e Euclides.
Nas horas vagas se ocupava dos preparativos para o casamento. Olívia a auxiliava na tarefa.
Cibele – a futura sogra de Cecília – também prontificou-se em ajudar o filho nos preparativos.
Nos últimos tempos, a mulher estava mais próxima de Cecília e da família da moça.
Havia sido finalmente apresentada a moça e aos pais dela.
Cibele comentou que ao saber do que acontecera com Flávio, torceu muito por sua recuperação.
Encantou-se com Letícia e a persistência do amor dela e de Flávio.
Emival, o pai de Alessandro, brincava dizendo que iria ajudar bebendo e comendo muito na festa de casamento.
Mas ele também ajudou, recebendo cortinas, móveis, entre outras coisas, no apartamento comprado pelo filho.
Como presente de casamento, Flávio presenteou a irmã com uma bela viagem para o nordeste. A moça ficaria dezesseis dias passeando e conhecendo sete, dos nove estados do nordeste.
Olívia ao perceber a extravagância do presente, censurou o filho. Perguntando-lhe se ele não pretendia se casar, comentou que ele deveria juntar dinheiro para tanto.
Flávio respondeu a Olívia que ela não deveria se preocupar. Disse que havia se tornado sócio do escritório de advocacia e contabilidade juntamente com seus amigos.
Sim, Bruno, Carlos, Vicente, Francisco, Cleide, Leandro, além de Margarida – a secretária, todos estavam juntos na empreitada.
Otávio por sua vez, resolvera sair do escritório, pois havia prestado concurso para juiz e logrado êxito. Ao tomar conhecimento disto, Bruno e Leandro resolveram chamar Flávio para voltar a trabalhar no escritório, agora na qualidade de sócio.
O moço inicialmente relutou, mas depois, com muita conversa, Flávio acabou convencido por seus amigos. Afinal de contas, se Otávio não estava mais no escritório, não havia mais motivos para se manter afastado. Assim, acabou aceitando a proposta.
Com isto, Flávio comentou que já estava fazendo seu pé-de-meia para o casamento e que aquele dinheiro já havia sido guardado com aquela finalidade. Dizendo que sabia que Cecília se casaria dentro em breve, pensou no que daria de presente a irmã. Comentou que gostaria de presenteá-la com algo diferente. Pensando nisto, começou a guardar dinheiro antes do acidente.
Ao ouvir isto, Olívia ficou com um nó na garganta.
Flávio comentou então que era muito importante para ele fazer o oferecimento.
Olívia não questionou mais a atitude do filho.
Quando a moça recebeu o presente do irmão, ficou encantada.
Sem jeito, Cecília chegou a dizer que não poderia aceitar um presente tão caro.
Olívia porém, ao perceber que Cecília estava em dúvida quanto a aceitar o presente, comentou reservadamente, que se ela recusasse o presente, estaria ofendendo Flávio. Disse que o moço havia começado a guardar dinheiro para presenteá-la, antes mesmo do acidente. Falou ainda que aquilo significava muito para ele, já que sabia que ela não havia formalizado sua união com Alessandro, por que acreditava que ele iria se recuperar e ser padrinho de seu casamento.
Diante disto, a moça, depois de sua relutância inicial, aceitou o presente.
Alessandro ficou entusiasmado com o presente.
Quando soube de tudo o que envolvera o oferecimento, ficou visivelmente emocionado. Tanto que chegou a comentar que não iria recusar um presente tão raro.
Carlos, Vicente, Francisco, Cleide, Bruno e Leandro, se cotizaram, e presentearam o casal com um carro.
Feliz com o casamento da filha, Olívia fez questão de convidar Jair.
Margarida – a secretária – presenteou Cecília com um jogo de cama.
A moça agradeceu o presente.
Quanto a Jair, o homem presenteou o casal com uma bela toalha de mesa feita renda. Comentou que o trabalho fora confeccionado por sua avó, que é artesã.
Cecília ficou encantada.
Letícia também presenteou a moça, em que pesem os protestos de Olívia, Gilberto, Flávio, e da própria Cecília que disseram que o maior presente que ela poderia ter dado a família ela já havia oferecido, que era devolver o sorriso aos lábios de Flávio, que vivia tristemente depois de recuperado do acidente.
A moça, com a ajuda da mãe, presenteou Cecília com um jogo de porcelana. Junto com o presente, levou uma orquídea e um envelope com uma mensagem.
Cecília ao receber o presente e a flor, percebeu o envelope, tratando de abri-lo.
Ao ler a mensagem, se emocionou.
Em letra caprichada, Letícia escreveu: 
“Prezados Cecília e Alessandro. Desejo de todo o coração, um mundo de alegria e de felicidades para o casal que interrompeu a idéia de se casarem há dois anos, na esperança e inabalável crença de que algo como um milagre aconteceria. Uma vida emergiria e daria prosseguimento àquela história brevemente interrompida. Conduziria a vida a seu curso natural, e o casal finalmente poderia se unir nos laços do matrimônio, finalmente constituindo uma família oficial e realizando o desejo de todos, de possuírem uma foto no álbum de recordações da vida. De todos participando da festa.”

Alessandro comentou emocionado, que Letícia estava de sacanagem.
Cecília comentou que aquele era um dos presentes mais bonitos que já recebera.
Sandro, Júlia e Cléber, que acompanharam o recebimento do presente, aplaudiram o momento.
Antero, Jairo, Lúcio, Alice e Lara, também presenciaram o momento e igualmente aplaudiram.
Clotilde, Amélia e Amarildo, também apreciaram a cena.
Quanto aos presentes, Sandro, Júlia e Cléber presentearam o casal com jogos de copos/taças. Sugestão de Júlia, já que os homens não sabiam o que oferecer de presente.
Os amigos de Cecília – Antero, Jairo, Lúcio, Alice e Lara – presentearam o casal com faqueiros, e jogos de toalhas de mesa.
Clotilde presenteou Cecília com uma bandeja.
Amélia e Amarildo, presentearam o casal com um jogo de chá.
Flora e Euclides presentearam a nova colega de trabalho com um jogo de cama.
Cibele e Emival, ofereceram um jogo de banho, como presente.
Humberto ofereceu um quadro pintado por ele – que era artista plástico – de presente.
Olívia e Gilberto, presentearam a filha com roupões – um para ela e outro para ele.
Doutor Sílvio, também foi convidado, mas recusou delicadamente o convite. Porém, em que pese este fato, o homem enviou um presente para o casal. Enviou via sedex, um jogo de panelas.
No dia do casamento, Cecília usava um vestido branco rendado, de mangas compridas e decote. Vestido com anquinhas.
Auxílio por seu pai, Alessandro vestiu um fraque com um lenço na lapela. Estava impecável.
Cibele elogiou a elegância do filho.
Na igreja, o moço ficou encantado com ver Cecília em seu vestido de noiva, com seus cabelos em um coque. Nas mãos, um buquê de flores.
A moça foi conduzida ao altar por seu pai, o qual também utilizava um elegante fraque.
A igreja repleta de flores.
Cecília pediu para a igreja fosse adornada de cores.
Havia flores de vários tipos nos arranjos.
A cerimônia simples, encantou a todos.
Letícia e Flávio permaneceram no altar como padrinhos do casal.
A moça usava um vestido vermelho, frente única plissado. Flávio usava um fraque.
Olívia também estava no altar, ao lado de Cibele e Emival.
As mulheres de longo, cabelos presos. Emival de fraque.
Cecília adentrou a igreja de braços dados com seu pai.
A moça caminhou até o altar ao som de “Ave Maria no Morro”.
Um coral entoou a música que encantou a todos.
O sacerdote começou a cerimônia contando a história sobre a criação do mundo, sobre Adão – o primeiro homem – o qual pedira a Deus que criasse para ele uma companheira. Dizendo que o homem fora criado por Deus, e que para a criação fazer sentido fazia necessária a união a mulher, comentou que a união daquele casal era resultado da história da criação, da necessidade da união dos homens e das mulheres. Ressaltou dizendo que Deus não criava nada sozinho.
Houve a troca de alianças. Os filhos de Bruno e Leandro levaram as alianças para Alessandro.
Jovelina, Mercedes e Marli, também foram convidadas para a cerimônia de casamento. Presentearam o casal com uma escultura de namoradeira, entre outros artesanatos.
Cecília adorou os presentes.
As três mulheres estavam impecavelmente trajadas.
Usando belos vestidos longos, chamaram a atenção dos convidados.
Enfim estavam presentes, todas as pessoas envolvidas nas vidas de Alessandro, Cecília, Flávio e Letícia.
A igreja estava repleta de presenças queridas.
A cerimônia foi muito bonita.
O padre comentou que o casamento não era um espetáculo. Era sim, uma responsabilidade. Argumentou que o que Deus unira, não cabia aos homens separarem.
Ao término da cerimônia, o casal saiu de mãos dadas.
Na saída da igreja, uma chuva de pétalas de rosas foi jogada sobre o casal.
Por fim, Cecília jogou o buquê de flores para as convidadas. Todas se posicionaram para isto.
Quem segurou o arranjo porém, foi Letícia.
Ao verem quem havia pego o buquê, todos comentaram que era marmelada.
Jovelina e Marli caíram na risada.
Alessandro falou quase gritando para Flávio:
- Vai que é tua! Se ferrou! Vai ser o próximo a se casar. Ajoelhou tem que rezar!
Olívia retrucou dizendo que aquilo não era jeito de falar.
Alessandro comentou meio sem jeito que estava apenas brincando. Argumentou que sabia que para Flávio o casamento não era nenhuma sacrifício, assim como para ele também não era.
Olívia respondeu:
- Ah bom! Já estava achando que estava arrependido de se casar com minha filha. – respondeu gargalhando.
Todos caíram na risada.
A festa de casamento foi de arromba.
Champagne, vinho, chope, salgados, entrada e prato quente. Por último, sobremesas diversas. Tudo servido com muito luxo e requinte.
O som era de uma banda que fora contratada para executar músicas ao vivo.
Eclética, a banda tocou MPB, chorinhos, flash back’s, músicas pop brasileira e americana. Sem falar é claro, da Bossa Nova e do samba, que com certeza, não poderia faltar.
Até sambas de enredo foram cantados. Como por exemplo:

“G.R.E.S MOCIDADE INDEPENDENTE-1992
SONHAR NÃO CUSTA NADA
(Paulinho Mocidade/ Dico da Viola/ Moleque Silveira)

Sonhar, não custa nada
E o meu sonho é tão real
Mergulhei nesta magia
Era tudo que eu queria
Para este carnaval

Deixe, a sua mente vagar
Não custa nada sonhar
Viajar nos braços do infinito
Onde tudo é mais bonito, nesse mundo de ilusão
Transformar o sonho em realidade
É sonhar com a mocidade, é sonhar com pé no chão.

Estrela!
Estrela de luz, que me conduz,
Estrela que me faz sonhar
Estrela de luz, que me conduz,
Estrela que me faz sonhar

AI AMOR !

Amor, sonhe com os anjos
Não se paga pra sonhar
Eu, sou a noite mais bela
Que encanta teu sonho
Te alucina por te amar, amar, amar,

Vem, nas estrelas do céu
Vem na lua de mel
vem me querer

Delírio sensual... Arco íris de prazer
Amor eu vou te anoitecer...
Delírio sensual... Arco íris de prazer
Amor eu vou te anoitecer...

Eu vejo a lua no céu
A mocidade a sorrir
De verde e branco na Sapucaí
De verde e branco na Sapucaí

Delírio sensual
Arco íris de prazer
Amor eu vou te anoitecer.
Eu vejo a lua no céu
A Mocidade sorri de verde e branco na Sapucaí ...”

“G.R.C.E.S. X-9 Paulistana
(Composição: Leonardo Rocha, Tchello Lima, Renne Campos, Accyolly Filho, Reinaldo Ferreira, Anderson Salgadinho e Robertinho Capitão Gancho)

Venha ser mais um
Que o mistério eu vou desvendar
No velho jogo fiz um 'x'
Pra ser feliz, e encantar
Eu vi a luta entre o bem e o mal

Nas mãos da história viajei
Sonhar, sonhei
E no meu sonho cruzei mares
Ser pirata, para um amor roubar
Encontrar o grande tesouro e navegar
Aonde o vento me guiar

Se tem magia no ar, eu vou
Na imaginação, voar
Será real ou ilusão
O mundo em minhas mãos, renascerá

Calcular
É arte, uma forma de luz
Clarear
A máquina que nos conduz

Simbologia da vida
Que aos olhos nos faz proibir
Através das cartas o futuro descobrir
'X', que une ao nove
No peito bato forte...meu valor é '10'

Valeu, aplausos para um louco imaginário
Se tudo é relativo...meu carnaval
É o seu cenário
Eu sou x-9 eu sou
O show vai começar, vem sambar

Nesse balanço hoje eu vou 'xisnovear'
Pra te conquistar
Eu sou X-9, eu sou
O show vai começar
Vem sambar ...”

“Bidu Sayão e o Canto de Cristal:

O samba é amor
É nessa que eu vou
Swinga minha bateria
Tô nessa ópera
Extravasando a alegria

Bela menina
Voz de cristal
Deslumbrava multidões
O seu talento
Dom divinal
Encantou os corações

Grande guerreira
Que conquistou
Seu lugar ao sol

É festa é luz
É cor é poesia
E diva internacional

Neste palco surge ela
Bidu Sayão
Sacudindo a passarela
Tanta emoção

E a minha Beija-Flor
Vem aplaudir
Bachianas e O Guarani

Essa carioca da gema
Cultiva a vida inteira
O sonho de voltar à pátria

E o orgulho de ser brasileira
E semeou
De norte a sul deste país
Seu canto lírico feliz
E hoje é musa da Sapucaí”

“Liberdade, Liberdade! Abra as asas sobre nós (1989) - Imperatriz Leopoldinense (RJ)

Seja sempre a nossa voz, mas eu digo que vem
Vem, vem reviver comigo amor
O centenário em poesia
Nesta pátria mãe querida
O império decadente, muito rico incoerente
Era fidalguia, e por isso que surgem

Surgem os tamborins, vem emoção
A bateria vem, no pique da canção
E a nobreza enfeita o luxo do salão, vem viver
Vem viver o sonho que sonhei
Ao longe faz-se ouvir
Tem verde e branco por aí
Brilhando na Sapucaí e da guerra

Da guerra nunca mais
Esqueceremos do patrono, o duque imortal
A imigração floriu, de cultura o Brasil
A música encanta, e o povo canta assim e da princesa
Pra Isabel a heroína, que assinou a lei divina
Negro dançou, comemorou, o fim da sina

Na noite quinze e reluzente
Com a bravura, finalmente
O Marechal que proclamou foi presidente

Liberdade!, Liberdade!
Abre as asas sobre nós
E que a voz da igualdade
Seja sempre a nossa voz,
Liberdade!, Liberdade!...”

“Letra da musica Império Serrano - Samba Enredo 1986: EU QUERO

Eu quero, a bem da verdade
A felicidade em sua extensão
Encontrar o gênio em sua fonte
E atravessar a ponte
Dessa doce ilusão
(Quero, quero, quero sim)

Quero que meu amanhã, meu amanhã
Seja um hoje bem melhor, bem melhor
Uma juventude sã
Com ar puro ao redor (bis)

Quero nosso povo bem nutrido
O país desenvolvido
Quero paz e moradia
Chega de ganhar tão pouco
Chega de sufoco e de covardia

Me dá, me dá
Me dá o que é meu
Foram vinte anos
Que alguém comeu (bis)

Quero me formar bem informado
E meu filho bem letrado
Ser um grande bacharel (bacharel)
Se por acaso alguma dor
Que o doutor seja doutor
E não passe de bedel

Cessou a tempestade
É tempo de bonança
Dona liberdade
Chegou junto com a esperança (vem, meu bem)

Vem meu bem, vem meu bem
Sentir o meu astral, que legal
Hoje estou cheio de desejo
Quero te cobrir de beijos
Etecetera e tal (bis)

Me dá, me dá
Me dá o que é meu
Foram vinte anos que alguém comeu ...”

Entre outras pérolas magníficas do samba. Principalmente os clássicos.
Quando os sambas foram cantados e tocados pela banda, deu-se o ponto alto da festa.
Cecília e Alessandro monopolizaram a pista de dança, e arrasaram com seu samba no pé.
Quando foram tocados flash back’s, quem arrasou foram os pais de Cecília, que rivalizaram com Karina e Humberto, que dançaram numa pista quase sem dançarinos.
Cibele e Emival também aproveitaram para dançar.
Enquanto todos se divertiam, comiam, bebiam, dançavam, confabulavam, o casal cumprimentava os convidados.
Cecília e Alessandro estava muito felizes.
Também havia as poses para fotos.
Fotos com os convidados, com os parentes, com os amigos, com os colegas de trabalho.
Foi uma bonita festa.
Jovelina, Marli e Mercedes agradeceram o convite. Não se cansaram de elogiar a festa.
Letícia concordava com os elogios. Dizia que a festa havia sido impecável.

Luciana Celestino dos Santos
É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.

Para se Viver um Grande Amor - Capítulo 18

Voltando ao salão e a festa, Letícia estava frente à frente de Otávio.
Os dois dançaram um pouco.
Depois de algum tempo, a moça e o rapaz sentaram a mesa.
Letícia começou a conversar com o rapaz. Dizendo que estava muito decepcionada com o seu comportamento, comentou que não estava preparada para se envolver com ele.
Otávio irritado, argumentou:
- Então foi pra isso, que você me chamou aqui? Pra me dizer que quer terminar comigo? Pra me fazer de palhaço? O que você pensa que eu sou?
Letícia se assustou com a reação do moço.
Foi quando, ameaçando investir contra a moça, Carlos, Vicente e Francisco intervieram.
Segurando Otávio pelo braço, colocaram-no para fora do salão.
Gritando, Otávio exigiu que os três o soltassem. Comentou que estava engasgado com a história do restaurante.
No entanto, os três somente o soltaram quando já estavam fora do salão.
Antes disso, recomendaram aos seguranças que não o deixassem entrar, sob nenhuma hipótese, na festa.
Otávio respondeu que eles iriam se arrepender.
Com isto, aproveitando a retirada de Otávio, Flávio adentrou o salão.
Estava usando um terno.
Ao aproximar-se de Letícia, disse que não adiantava fugir, estava determinado que eles iriam ficar juntos.
Letícia perguntou rindo, que juiz havia decretado aquela sentença.
Flávio respondeu que o juiz era seu amor, e o sentimento que ele dedicava a ela.
Nisto, começou a tocar no salão, a música “A Qualquer Tempo”, do grupo 14 Bis.

“A qualquer tempo cantar, a qualquer hora nascer
Todo tempo é tempo pra gente se ver
Todo tempo é tempo pra gente se ver

A todo amor se entregar, sem medo de se perder
Cada olhar é um segredo, que sorri pra você
Cada olhar é um segredo, que sorri pra você

No meio da noite a te esperar
Não se esqueça de mim quando eu
For me embora daqui
Ah...Ah Ah...Ah Ah...ilê...ê...ê...ê (2 vezes)
Êh êh êh êh...êh êh...êh ...”

Flávio e Letícia, dançaram juntos.
Enquanto dançavam, se olhavam. Estavam emocionados.
Karina que acompanhou a cena de longe, ficou deveras feliz.
Olívia e Gilberto, ao saberem que Flávio e Letícia se acertaram, chegaram a conclusão de que os dois estavam destinados a ficarem juntos.
Cecília desculpou-se com Letícia.
Dizendo que fora injusta por havê-la julgado leviana, comentou que não fazia idéia do que ela estava passando, e que não tinha o direito de criticá-la.
Letícia respondeu com os olhos cheios de água, que só começou a namorar Otávio, por que acreditou que Flávio nunca mais despertaria, que nunca mais se recuperaria. Revelou que sofreu muito por ter que tomar esta decisão, e que ao vê-lo recuperado, acreditou que o havia perdido para sempre, que nunca mais voltariam a ficar juntos.
Chorando, comentou que sentiu como se tivesse sendo castigada por sua precipitação.
Cecília então, consolando a futura cunhada, disse que ela já havia esperado por uma recuperação milagrosa por muito tempo e que tinha o direito de retomar sua vida.
Dizendo isto, Cecília abraçou-a.
Nisto, depois de alguns momentos de silêncio, em que ambas sorriram uma para a outra, Cecília comentou que diante da recuperação de Flávio, estava interessada em tornar oficial sua união com Alessandro.
- Que bom! – comentou Letícia.
- Pois bem! Eu e Alessandro conversamos sobre o assunto e decidimos marcar o nosso casamento para depois das festas de fim de ano.
- Que maravilha! – disse Letícia.
Cecília, enchendo-se de coragem, resolveu convidar Letícia para ser madrinha.
A moça ficou surpresa.
Dizendo que não esperava pelo convite, agradeceu a oferta, não sem antes perguntar se ela não preferia convidar outra pessoa.
Como Cecília afirmou que o convite sempre fora para ela, Letícia aceitou de bom grado.
Flávio e Alessandro que estavam a alguns metros de distância das moças, também recebeu um convite.
Alessandro o convidou para ser padrinho em seu casamento. Comentando que eles só estavam aguardando a recuperação dele para se casarem no civil e no religioso, Alessandro conseguiu fazer Flávio derramar algumas lágrimas.
Emocionado, o rapaz agradeceu o convite.

Quando o casal ficou novamente a sós, Flávio comentou com Letícia, que havia sido convidado para um casamento.
Letícia respondeu que também fora convidada para ser madrinha.
Os dois ficaram tocados com o convite.

Nesta festa, Karina dançou com Humberto.
O homem disse que ela estava deslumbrante, em seu vestido preto cheio de brilhos.
Dançaram a noite toda juntos.
A mulher estava feliz por Letícia. Dizia que finalmente veria sua filha feliz...

Nisto, Gilberto e Olívia, Karina e Humberto, Alessandro e Cecília, Flávio e Letícia, rumaram para o litoral.
Gilberto e Olívia possuíam uma casa na praia.
Foi para lá que Flávio e Letícia viajaram certa vez.
Durante o trajeto, viajando em carros separados, os casais contemplaram quaresmeiras com flores brancas e rosas, a mata nativa, o verde exuberante remanescente da Mata Atlântica.
O sol desaparecia no horizonte dando lugar a noite, e na paisagem calma, se podiam ver estrelas.
Durante a viagem, Letícia se recordou de alguns dos momentos que curtiu no litoral ao lado de Flávio.
Dos passeios ao cair da tarde de mãos dadas com Flávio, da beleza dos pôres-do-sol da cidade. Do sol lançando seus últimos raios no horizonte. Do reflexo e do ouro do astro-rei nas águas límpidas.
De um dia em que o sol se despediu no horizonte, dando lugar a noite, em tons lilases, muito belos.
Letícia lembrou-se de que há muito tempo não contemplava um pôr-do-sol, que dirá um pôr-do-sol espetacular, como foram os que viu ao lado de Flávio.
Pensando nisto, disse que nunca mais deixaria de aproveitar estes pequenos momentos.
Flávio sorriu para ela.
Cecília se comprometeu com seus pais, prometendo passar uns dias na praia. Empolgada com a proximidade do carnaval, comentou que pretendia se casar depois dos desfiles.
Quando chegaram na casa, todos trataram de retirar seus pertences de dentro dos veículos. Para cada casal havia um quarto.
Chegando em casa, Olívia e Karina se prontificaram em preparar alguma coisa para todos comerem.
Prepararam uma salada com alface, cenoura, tomate, palmito, milho, salame, vagem, queijo mussarela, presunto e batata cozida.
Todos sentaram-se à mesa e se serviram da salada.
Gilberto, Alessandro, Humberto, Flávio, Cecília e Letícia, disseram que estava uma delícia.
Mais tarde Karina preparou um suco.
E assim os convidados se serviram do suco.
Gilberto ligou a televisão, e todos conversaram um pouco.
A sós com Olívia, Gilberto comentou que Letícia não podia ser condenada por ter tentado retomar sua vida ao lado de outra pessoa.
Dizendo que ela havia suportado por tempo demais aquela situação, comentou que poucas mulheres esperariam por tanto tempo. Argumentou que muitas, ao verem seu filho inerte em uma cama, ao final de poucos meses, estariam arrumando novos namorados e terminando o relacionamento.
Olívia concordou.
Gilberto emendou dizendo que até Cecília havia se convencido de Letícia não fora leviana.
- É! Não estava não! Mas ela estava mentindo para si mesma ao terminar o namoro com Flávio para começar uma relação com aquele sujeito. Além de ser um cara muito ciumento, ele ainda era agressivo. E pior! Ela nunca gostou dele.
- Ué! Como você sabe disto? – perguntou ele, intrigado.
Olívia respondeu então que Karina havia comentado com ela, que acreditava que Letícia estava tentando esquecer Flávio, começando outro relacionamento. Disse que Karina nunca aceitou o namoro da filha com o tal Otávio, e por fim, emendou dizendo que coração de mãe não se engana.
Gilberto teve que concordar.
Não havia a menor dúvida que Letícia amava Flávio e vice-versa.
Olívia comentou ainda, que esperava que o rapaz não criasse nenhum problema para os dois.
Gilberto aproximou-se da esposa, e dizendo que o trabalho deles já havia terminado, comentou que seus filhos precisavam seguir o seu próprio caminho.
Nisto, abraçou a esposa e a beijou.

Luciana Celestino dos Santos
É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.

Para se Viver um Grande Amor - Capítulo 17

Letícia por sua vez, ao descobrir que Flávio havia se recuperado, ficou perplexa. Sem saber o que pensar, pediu um tempo para Otávio.
O moço ficou revoltado.
Sentindo-se ameaçado, Otávio brigou com a moça.
Dizendo que ela estava encontrando uma desculpa para se afastar dele, respondeu que não aceitava dar um tempo.
Por fim, deixou-a falando sozinha.
Ainda que num rompante de raiva, o moço tenha deixado a moça falando sozinha, Otávio não desistira de Letícia.
Sempre podia ligava para a moça e pedia para marcar um encontro, para sair, para passear.
Letícia tentava gentilmente se desvencilhar de Otávio, embora nem sempre fosse fácil.
A certa altura, a moça não teve como recusar o convite.
Isto por que o moço lhe disse que queria se desculpar. E lá se foi Letícia se encontrar com Otávio.
Letícia porém, parecia distante. A moça dizia que estava confusa demais para se decidir.
E Otávio aceitou ao menos aparentemente a situação.
O rapaz então, passou a tentar conquistar Karina.
Em seus escassos encontros com Otávio, Letícia preferia o ambiente neutro de sua casa.
Otávio era só gentilezas com Karina, quando estes encontros aconteciam.
Invariavelmente levava flores e doces para a mãe de Letícia.
Sempre que podia, tentava puxar conversa com Karina, dizendo que ora que ela devia sentir orgulho de sua filha, ora que ela era uma ótima administradora do lar.
Letícia por sua vez, se distanciava cada vez mais do rapaz. Sempre que podia, inventava desculpas para não se encontrar com ele.
Inúmeras vezes, Letícia pediu a mãe para dizer que ela não estava.
Karina ficava revoltada com a atitude da filha. Dizendo que não gostava do rapaz, comentou que muito embora esta fosse uma verdade, não era direito o que ela estava fazendo com Otávio. Dizia que ela deveria colocar tudo em pratos limpos.
Ao tomar conhecimento da recuperação de Flávio, Karina questionou o fato de Letícia continuar compromissada com Otávio.
Insistindo em sua convicção, a mulher acreditava que a filha não gostava de Otávio, mas descrente na recuperação de Flávio, decidiu investir em outro relacionamento.
Contudo, todas as vezes em que Karina tentava tocar neste assunto, Letícia, percebendo a intenção da mãe, tratava logo de dizer que assim que pudesse, iria terminar seu namoro com Otávio.
Certa vez porém, percebendo a tristeza e a angústia de Letícia, Karina disse-lhe:
- Se você não está certa do sentimento por Otávio, não deveria criar expectativas nele.
Letícia não gostava de ouvir isto.
Em dados momentos, Karina chegou a sentir pena de Otávio.
Percebendo que o rapaz fazia todos os esforços possíveis para não perder Letícia, Karina começou a pressionar a filha para desse uma resposta a Otávio.
Letícia insistia em dizer para a mãe que não estava pronta para se casar.
Karina para a filha, que ela deveria falar isto para Otávio.
A moça contudo, não tinha coragem de dizer com todas as letras para o rapaz, que eles não poderiam ficar juntos.
Até por que, o próprio Otávio, quando percebia que a moça ia dizer algo que parecia ser sério, tratava logo de impedi-la de continuar falando, mudando bruscamente de assunto.
Letícia não sabia mais o que fazer.

Certo dia, voltando do trabalho de metrô, a moça acabou se encontrando com Flávio.
Letícia, apressadamente caminhava em uma direção, e o rapaz por sua vez, não menos apressado, caminhava em sentido contrário.
Por pouco não se trombaram.
Contudo, no meio da multidão, não conseguiram se falar.
Cada um acabou de certa forma sendo empurrado em direção contrária ao outro.
Todavia, em que pese a rapidez do encontro, foi o suficiente para que ambos se lembrassem dos momentos que viveram juntos.
Letícia seguindo seu caminho, estava alheia a movimentação do metrô.
Absorta em pensamentos, não reparou nas pessoas esbarrando umas nas outras.
Ficou apenas pensando nos momentos ao lado de Flávio.

Flávio por sua vez, estava sem carro. Razão pela qual optou pelo metrô.
O que não esperava, era no meio de uma multidão de pessoas vindas de todos os lados, encontrar Letícia.
Tal fato serviu para que o rapaz voltasse ao seu passado ao lado da moça.
Triste, Flávio acreditava que nunca mais voltariam a ficar juntos. Sentia-se traído, trocado por Otávio.
Por conta disto, a convivência no escritório de advocacia era complicada.
Flávio evitava se encontrar com Otávio, e este com o passar do tempo, começou a ficar visivelmente incomodado com a presença do rapaz.
Percebendo que Flávio retomara seu trabalho cuidadoso, como advogado, e procurava se atualizar estava fazendo cursos, notou que ele era um obstáculo em sua relação com Letícia.
E assim, embora num primeiro momento tenha se sentido desconfortável em revelar a Letícia que estava interessado nela, tendo em vista que a moça era noiva de um rapaz doente, agora Otávio não tinha escrúpulos em hostilizar abertamente Flávio.
Com isto, alguns meses após o retorno do moço ao escritório, Otávio sugeriu que ele procurasse o escritório de um amigo seu para trabalhar.
Flávio ficou surpreso com a proposta de Otávio.
Mesmo assim, teve presença de espírito suficiente para recusar a proposta. Dizendo que já recebido ofertas de trabalho, comentou que preferiria ele próprio procurar um novo emprego.
Dito e feito, Flávio então agendou uma reunião com Otávio onde solicitou definitivamente, a baixa em sua carteira de trabalho.
Surpreso, Otávio chamou Margarida para providenciar a baixa.
Desta forma, alguns dias depois, finalmente havia se desvinculado do escritório.
Obviamente, despediu-se de seus colegas.
Muitos estavam inconformados com sua saída. Consideravam-na arbitrária.
Flávio por sua vez, tentou colocar panos quentes.
Dizendo que já havia recebido propostas de trabalho, comentou que não seria difícil se recolocar no mercado de trabalho.
Bruno chegou a comentar:
- Com certeza não! Você é muito competente!
Flávio então se despedindo, apertou as mãos de seus amigos e partiu.
Com efeito, depois de se desligar do escritório, o moço começou a entrar em contato com os três escritórios que lhe apresentaram propostas de trabalho.
Isto por que, contrário a idéia de voltar a trabalhar com Otávio, mas sem condições de ficar meses sem trabalho, acabou aceitando a situação.
Durante o tempo em que permaneceu no escritório, como já foi mencionado, o rapaz evitava se encontrar com Otávio.
Por esta razão quando teve a confirmação de que estava admitido em um dos escritórios, ficou extremamente feliz.
Tanto que convidou seus pais, sua irmã e seu cunhado para almoçarem em um restaurante junto com ele, para comemorar.
Ao lá chegarem, Cecília comentou que estava pensando seriamente em marcar a data de seu casamento.
Flávio, comentou com certo ar de tristeza, que para ele estava tudo bem.
Olívia, percebendo o clima, começou a dizer amenidades. Dizendo que estava feliz com o novo passo dado na vida profissional do filho, sugeriu a Flávio que pedisse um champagne para que pudessem comemorar.
Flávio atendeu prontamente o pedido.
Nisto, ao chegar o champagne, o garçon serviu a bebida em delicadas taças que foram oferecidas aos convidados.
Todos brindaram.
Felizes, parabenizaram o moço por haver conseguido um novo emprego.

Foi neste momento, que Letícia e Otávio apareceram.
Flávio, feliz com a nova conquista, demorou para perceber a presença de Letícia.
Isto por que, estando de costas para a entrada do restaurante, não tinha como ver quem entrava no ambiente.
Cecília e Alessandro porém, perceberam. E sem conseguir disfarçar a surpresa, se denunciaram.
Foi então que Flávio perguntou o que havia acontecido.
Como nenhum dos dois se manifestou, ele voltou para a entrada e viu Letícia e Otávio sendo conduzidos por um garçom até uma mesa.
Sua expressão mudou.
Perplexo, ficou sem ação. Só conseguia olhar para a moça.
Letícia ao sentar-se, percebendo que alguém a olhava com insistência, acabou por notar a presença de Flávio. Sentiu-se muito desconfortável. Tanto que sugeriu a Otávio, que saíssem do restaurante.
 
Cecília e Olívia, ao perceberem o desconforto de Flávio, também sugeriram ao rapaz que saíssem.
Ele porém, recusou-se a sair. Argumentando que os incomodados é que deveriam se mudar, respondeu que nunca mais o expulsariam de onde quer que fosse.
 
Otávio, respondeu também, que não sairia do restaurante.
Nisto, ambas as mesas fizeram seus pedidos e foram atendidas.

A todo momento, Flávio observava Letícia, que por sua vez também o procurava com o olhar.
Até que num dado momento, incomodado com os olhares, Otávio começou a discutir com Letícia. Dizendo em alto e bom som que ela era sua noiva, argumentou que ela deveria se dar ao respeito e não ficar olhando para um sujeitinho que não tinha nenhuma relação com ela.
Letícia então, segurou o braço de Otávio, pedindo para que ele parasse de fazer escândalo.
Otávio porém continuou. Dizendo que estava cansado de ver Flávio perto de sua noiva, repetiu que brevemente eles iriam se casar.
Letícia ficou perplexa.
Puxando-o pelo braço, ela respondeu baixinho que não havia dito sim ao pedido de casamento, e que por esta razão, ele não poderia dizer que estavam noivos.
Discreta, não queria que todos ouvissem suas palavras.
Otávio então, ficou furioso.
Gritando, começou a dizer que ninguém o fazia de idiota, e que ela havia se comprometido a pensar sobre o assunto. Pressionando-a, exigiu que eles marcassem a data do casamento.
Letícia emudeceu.
Otávio então, segurando-a pelo braço, começou a arrastá-la para fora do restaurante.

Ao ver isto, Flávio irritou-se e foi atrás de Otávio e Letícia.
Olívia, Cecília, Gilberto e Alessandro, tentaram impedir que Flávio tomasse partido na discussão, mas o moço, ao ver Letícia em apuros, tratou de ir ao encontro do casal.
Chegando no estacionamento, Flávio exigiu que Otávio soltasse o braço de Letícia.
Otávio se encolerizou ainda mais. Dizendo que eles eram noivos, argumentou que ele não tinha o direito de lhe dar ordens.
Ao ouvir as palavras duras de Otávio, Flávio respondeu que ele a estava machucando.
No que Otávio retrucou:
- Eu não estou machucando ninguém!
Flávio segurou o braço de Otávio, e fazendo força, fez com ele soltasse o braço de Letícia.
Ao se ver livre, a moça correu para dentro do restaurante.
Quando passou por Cecília, a moça perguntou:
- Está feliz, com o que conseguiu fazer? Você estragou o nosso almoço, infeliz!
Ao ouvir tais palavras, Letícia respondeu que nunca fora sua intenção estragar a comemoração de ninguém, mas que temia que os dois brigassem e que precisava que alguém impedisse isto.
Gilberto disse então:
- Que qualidade de noivo você foi arrumar, hein!
Percebendo que a situação não era boa, Gilberto e Alessandro foram até o estacionamento do restaurante.
Quando lá chegaram, Otávio estava dizendo a Flávio que ele não tinha o direito de se intrometer na sua relação com Letícia. Argumentando que eles estavam felizes e que iriam se casar dentro em breve, respondeu que o momento que Flávio viveu com Letícia havia passado, e que ela tinha o direito de ser feliz com outra pessoa.
Flávio retrucou dizendo que ela não parecia estar feliz, e que ele a estava maltratando. Disse que Otávio não tinha o direito de machucar Letícia. Comentou ainda, que se ela o havia escolhido, não havia motivos para ele brigar com ela.
Otávio respondeu:
- Não se meta onde não foi chamado!
Flávio retrucou:
- Eu me meto sim! Ainda mais quando eu vejo uma covardia como aquela que você estava fazendo. Eu não gosto de homem covarde.
Otávio tentou então esbofetear Flávio, mas o moço, percebendo a tentativa, esquivou-se, para depois dar um empurrão nele.
Gilberto e Alessandro tentaram ajudá-lo a se levantar, mas Otávio recusou a oferta.
Furioso levantou-se. Dizendo que iria buscar Letícia, foi impedido de entrar no restaurante por Flávio, que respondeu que ele não iria levar a moça de lá.
Otávio nervoso, insistiu. Alegando que a havia levado ao local, respondeu que precisava levá-la de volta para casa.
Flávio respondeu que chamaria um táxi, e que ela só sairia dali, depois que ele sumisse de lá.
Otávio porém, não deu sinal de que sairia de lá por livre e espontânea vontade.
Diante de tal quadro, não restou outra alternativa a Flávio, se não, oferecer carona a moça.
O moço entrou novamente no restaurante.
Solícito, pagou as refeições de sua família e as do casal.
Depois, foi conversar com Letícia, que estava chorando.
Flávio disse então, que Otávio estava no estacionamento, mas que ela não deveria sair com ele.
Letícia respondeu:
- Eu sei! Mas como é que eu vou sair daqui sem que ele fique atrás de mim?
Flávio respondeu então, que lhe daria uma carona até sua casa.
Letícia envergonhada, respondeu que não poderia aceitar. Dizendo que ele já havia feito muito por ela, mais do que ela merecia, comentou que não tinha o direito de prejudicá-lo.
Flávio insistiu na carona.
Letícia argumentou:
- Se você fizer isto, ele vai ficar com ódio de você. E se ele tentar te prejudicar? Eu não sei o que ele pode fazer!
Flávio por sua vez respondeu:
- Eu não tenho medo de cara feia! Vamos.
Nisto, segurou a moça pelo ombro.
Letícia estava visivelmente nervosa.
Gilberto e Alessandro retiveram Otávio para que ele e Letícia pudessem sair do restaurante em segurança.
Olívia e Cecília por sua vez, ao verem-no conversando com Letícia e oferecendo-lhe carona, questionaram a atitude do rapaz.
Flávio porém, dizendo que precisava conversar com a moça, pediu que ninguém se intrometesse.
Cecília ficou inconformada.
Nisto, Flávio e Letícia entraram no carro e saíram do restaurante.
No percurso a moça chorou.
Flávio disse então que a levaria para casa.
Letícia aturdida, comentou que Otávio nunca a tratara daquela forma.
Flávio respondeu então:
- As pessoas colhem aquilo que elas plantam!
Ao ouvir isto, Letícia ficou revoltada. Dizendo que nunca plantara vento para colher tempestades, comentou que primeiro passara quase dois anos sofrendo por não ter a perspectiva de que seu noivo se recuperasse das seqüelas de um acidente de carro. Argumentando que havia implorado certa vez para que ele lhe desse um sinal de vida, comentou que dissera a ele que estava se relacionando com outra pessoa. Porém, ele nem havia se importado.
Flávio retrucou que ele não sabia do que ela estava falando.
Letícia pediu então para que ele parasse o carro. Estava decidida a voltar a pé para casa se fosse preciso.
Flávio respondeu que não. Que ele a levaria de volta para sua casa.
Letícia insistiu. Tentou levantar a trava da porta.
Flávio retrucou:
- Por que você é tão teimosa?
- Eu não sou teimosa. – respondeu Letícia, quase chorando.
Flávio percebendo isto, procurou um local onde pudesse estacionar o carro.
Estava perto do centro histórico de São Paulo. Ao encontrar um estacionamento, deixou o carro, e conduziu a moça até uma igreja.
Na região da Sé, eles contemplaram a beleza da Catedral.
Por um instante esqueceram-se de seus problemas.
Começaram a falar das esculturas, dos vitrais, do altar, do estilo gótico da construção.
Depois, recordando do motivo que os levara a descer do carro, começaram a conversar.
Flávio pediu então para que a moça explicasse, o que ela estava dizendo no carro.
Letícia perguntou:
- Então você não se lembra de nada do que eu lhe falei?
Flávio ficou surpreso:
- Do que é que você esta falando?
Letícia respondeu então, que antes de assumir o namoro com Otávio, conversou com Olívia revelando que pretendia retomar sua vida. Disse também que mesmo quando estava inconsciente, todos que iam visitá-lo, conversavam com ele como ele estivesse consciente e percebendo tudo a sua volta.
Ao dizer isto, Letícia perguntou se Olívia não havia comentado nada sobre isto.
Flávio respondeu que sim.
Continuando, a moça respondeu que ela também conversava com ele, mesmo quando ele estava inconsciente. Dizendo que tinha esperanças de que ele se recuperasse, revelou que sofreu durante quase dois anos por isto.
- Você me esperou por tanto tempo? – perguntou Flávio, visivelmente emocionado.
Letícia respondeu que sim.
- Então por que não me contaram isto?
Surpresa Letícia perguntou:
- Dona Olívia, nunca te contou que eu ia todos os dias te visitar?
Flávio comentou que sua mãe lhe contara sobre sua dedicação, de que conversava com ele. O que ele não sabia, é que esta dedicação havia sido tão intensa e duradoura. Revelando que Olívia não gostava de tocar neste assunto, comentou que ela lhe contava o mínimo possível sobre ela.
Letícia respondeu magoada:
- Eu não posso censurá-la, em que pese considerar que esconder a verdade de alguém não seja correto!
Flávio não gostou do comentário. Dizendo que sua mãe foi a pessoa mais dedicada em sua recuperação, comentou que ela abrira mão de sua vida pessoal para cuidar dele.
- Perdão! – respondeu Letícia – Eu não quis ofender! Tampouco fazer qualquer insinuação sobre o caráter de sua mãe. Ela é uma pessoa de muito valor. Mais valor do que eu! – finalizou chorando.
Flávio insistiu para que ela lhe contasse o que ocorrera.
Letícia respondeu que antes de começar a namorar Otávio, conversou com ele, mesmo inconsciente e pediu para que ele se manifestasse de alguma forma. Dizendo que precisava ter certeza de que não havia retorno, pediu-lhe um sinal de vida. Como ele não se mexesse, revelou que iria retomar sua vida com outra pessoa.
Flávio começou a chorar.
Percebeu que foi justamente a partir daí que começou a despertar.
Emotivo, comentou que fora um choque para ele despertar e descobrir que ela estava com outro. Comentou que todas as vezes em que a viu com Otávio, foi como se tivessem introduzido um punhal em seu peito.
Letícia revelou então que ao vê-lo de pé e recuperado, ficou em choque. Tentando disfarçar, relatou que isto a abalou profundamente. Chegou até a sentir medo do futuro.
Flávio então, enchendo-se de coragem, perguntou-lhe:
- E você teria coragem, depois de tudo o que aconteceu, de ainda ficar comigo?
Letícia começou a gaguejar.
Flávio pediu para que ela dissesse alguma coisa.
Nisto, com muito custo, Letícia respondeu:
- Eu não posso! Tenho primeiro que conversar com Otávio. Não posso me casar com ele!
- Não, não pode! Eu sei que você ainda gosta de mim. Se não gostasse, não olharia para mim do jeito que olha.
Letícia ficou sem jeito.
Porém ao olhar nos olhos de Flávio, deu-se conta de que não poderia continuar insistindo em uma relação com alguém que não amava.
Tanto que ao lembrar-se das palavras de sua mãe, disse:
- Ela estava certa! O tempo todo. Eu teimava em não enxergar.
- Certa? Quem?
Letícia respondeu então, que sua mãe nunca concordou com o relacionamento dela com Otávio. Dizendo que ela não estava interessada nele, chegou até a censurá-la por fazê-lo esperar por uma resposta que nunca chegaria.
Flávio parecia intrigado.
Foi então que a moça comentou que o rapaz nos últimos tempos de convalescença de Flávio, Otávio passou a acompanhá-la amiúde nas visitas que fazia para ele. Em dado momento, começou a se dizer interessado em um compromisso sério, e com o passar do tempo, passaram a namorar.
Flávio ficou incomodado com estas palavras.
Letícia porém, continuou, com isto, a certa altura, o homem a pediu em casamento, mas ela covarde, respondeu que não tinha condições de aceitar o pedido. Porém, como o rapaz insistiu para que pensasse um pouco mais, acabou concordando. Revelou porém, que não esperava por uma cena como aquela acontecida no restaurante.
Com isto, tomada de uma resolução, respondeu que iria conversar com o rapaz e terminar o namoro.
Flávio ficou feliz em ouvir aquelas palavras, mas preocupado com a reação de Otávio, pediu para ela não ficar sozinha com ele para tocar no assunto. Sugeriu isto deveria ser feito na presença de sua mãe e outras pessoas de sua confiança.
Pensando um pouco no assunto sugeriu que a conversa deveria acontecer em um lugar reservado, mas sempre com alguém por perto.
Letícia concordou.
Nisto Flávio puxou-a pelo braço e abraçou-a.
Dizendo que não podia acreditar que aquela relação bonita iria acabar de um jeito tão estúpido, revelou que sempre acreditou que tudo poderia mudar. Às vezes porém, chegou a pensar que aquela separação não tinha volta.
Dito isto, Letícia começou a chorar.

Dias depois, Letícia chamou Otávio para uma conversar.
Combinou o encontro numa festa organizada pelos amigos de Flávio.
Vicente, Francisco, Cleide, Bruno e Leandro, alugaram um salão, encomendaram algumas iguarias, bebidas, e até uma decoração.
Tudo para que se parecesse uma festa de verdade.
Preparado o cenário, Letícia vestiu-se de acordo.
Usou um vestido longo verde, com uma alça lateral.
Precavidos, os cinco rapazes só apareceram na festa, quando Letícia chegou no salão.
A moça, tentando despistar Otávio, teve grandes dificuldades em convencê-lo a sós encontrá-la na festa. Disse que tinha uma surpresa.
Otávio ao ouvir tais palavras, acabou concordando.
Com isto, foi um dos primeiros convidados a chegar.
Ansioso, ficou a esperá-la.
Quando viu a moça adentrar o salão, acorreu em sua direção.
Letícia estava nervosa.

Flávio de longe, observava tudo.
Cecília e Alessandro, acompanharam-no.

A moça permanecia reticente quanto ao comportamento de Leticia. Dizendo que não entendia por que Letícia o havia abandonado, criticava o fato dela haver escolhido namorar Otávio.
Alessandro aconselhou Cecília a não criticá-la. Argumentando que a moça estava há quase dois anos esperando por uma improvável recuperação, o rapaz argumentou que a situação dela era muito complicada.
Cecília perguntou então, se Flávio conseguia entender a razão de Letícia haver decidido namorar Otávio.
Flávio respondeu incomodado, que não queria saber sobre isto.
Mesmo assim, ao notar que Flávio estava mais feliz, prometeu auxiliá-lo.
O rapaz abraçou a irmã.
Conversando com seus colegas que trabalharam no escritório de advocacia/contabilidade, Flávio comentou o que Otávio havia feito com Letícia.
Vicente, Francisco, Cleide, Carlos, Bruno e Leandro, ficaram abismados com o comportamento de Otávio. Dizendo que há tempos ele andava estranho, se achando o único dono do escritório, comentaram que estavam pensando em excluí-lo da sociedade.
Vicente e Carlos, disseram que estavam com Otávio atravessado na garganta.
Otávio, nos últimos tempos vinha tomando decisões importantes, sem consultar os outros sócios. Agia como se fosse o único dono do escritório.
Em razão disto, concordaram em ajudar o rapaz.

Luciana Celestino dos Santos
É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.

Para se Viver um Grande Amor - Capítulo 16

Mas voltando ao encontro inesperado, ao pedir uma cerveja, Flávio se deparou com Letícia acompanhada de Otávio, o qual estava tentando puxá-la para dançar.
Distraído o moço acabou trombando nela.
Sem jeito desculpou-se, sem saber de quem se tratava.
Ao perceber que era Letícia, Flávio ficou sem palavras.
Quem não gostou da aproximação foi Otávio, que tratou de puxar a moça pelo braço, levando-a para o meio das passistas. Começou a lhe ensinar a sambar.
Flávio ficou desconcertado.
Só não foi embora, para não desapontar Cecília e Alessandro que não viram o casal.
Depois de algum tempo sambando com Cecília, Alessandro foi conversar com Flávio. Entusiasmado, Alessandro comentou que não via a hora de colocar os pés na avenida, na passarela do samba.
Flávio perguntou então do casamento.
Alessandro riu. Comentou que seria depois do carnaval.
Flávio sugeriu a quarta-feira de cinzas.
Os dois caíram na risada...

Certa vez, ao combinar um encontro com Cecília em um barzinho na esquina mais famosa de São Paulo, Alessandro começou a batucar “Saudosa Maloca”, de Adoniram Barbosa.
Enquanto batucava, Sandro e Cléber, seus companheiros de noitada, começaram a cantar:

“Se o senhor não tá lembrado,
Dá licença de contar
Ali onde agora está,
Neste adifício alto,
Era uma casa velha, um palacete assobradado

Foi ali seu moço, que eu Matogrosso e o Joca,
Construímos nossa maloca
Mais um dia, eu nem quero me alembrá
Veio os home co’as ferramenta
O dono mando derrubar

Peguemos todas as coisas, e fumos pro meio da rua apreciá a demolição
Que tristeza, que nóis sentia
Cada taubua que caía, doía no coração

Matogrosso quis gritar,
Mais encima eu falei,
Os home tá co’a razão, nóis arranja outro lugar
Só se conformemo, foi quando o Joca falou
Deus dá o frio, conforme o cobertô

E hoje nóis pega as paia da grama do jardim
E pra esquecê, nós cantemos assim
Saudosa maloca, maloca querida
Dim dim dom, onde nóis passemos dias feliz de nossas vida...”

Um dos rapazes foi acompanhado de uma moça de nome Júlia.
Animados os rapazes prosseguiram com a cantoria.
Cantaram e beberam.
Júlia comentou com Cecília, que Cléber e seu amigo Sandro só pensavam em samba.
E assim continuaram a roda de samba.

“Silêncio
O sambista está dormindo
Ele foi mas foi sorrindo
A notícia chegou quando anoiteceu

Escolas
Eu peço silêncio de um minuto
O Bixiga está de luto
O apito de Pato N'água emudeceu

Partiu
Não tem placa de bronze
Não fica na história
Sambista de rua morre sem glória
Depois de tanta alegria que ele nos deu

Assim
Um fato repete de novo
Sambista de rua, artista do povo
E é mais um que foi sem dizer adeus

Silêncio...

Silêncio No Bixiga
Compositor: Geraldo Filme”

A certa altura Sandro, já um tanto alcoolizado, levantou-se e gritou:
- Viva Geraldo Filme, sambista esquecido por muitos, mas adorado por outros! Abençoado Largo da Banana!
Depois, caiu sentado em cima da cadeira.
Cléber e Júlia caíram na risada.
Cecília assustou-se com a queda de Sandro. Pensou que ele havia se machucado.
Porém, quando o rapaz se levantou novamente sugerindo um brinde, começou a rir também.
Depois de um tempo, Sandro precisou ser conduzido por Cléber para casa.
Júlia seguiu seu caminho, e Alessandro levou Cecília até a casa onde a moça morava.
Com efeito, o quarteto vivia se esbarrando nos ensaios na quadra da escola de samba.
Foi lá que Cecília conheceu-os.
Enquanto ensaiava seus passos como passista, e Alessandro ensaiava seus batuques como componente de bateria, os três amigos, também ocupavam seus lugares como componentes de alas da escola.
As vésperas do carnaval, os ensaios se intensificavam.
Ensaiavam na rua, debaixo de chuva até.
Cecília era um encanto rodopiando.

Um dia, ao levar Cecília de volta para casa, Alessandro, que já estava um pouco alto, ao deixá-la em frente ao portão de sua casa, começou a cantar esta célebre música de Luiz Melodia Estácio, Hollida
y Estácio:

“Se alguém quer matar-me de amor
Que me mate no Estácio
Bem no compasso, bem junto ao passo
Do passista da escola de samba
Do Largo do Estácio

O Estácio acalma o sentido dos erros que eu faço
Trago não traço, faço não caço
O amor da morena maldita do Largo do Estácio
Fico manso, amanso a dor
Holliday é um dia de paz
Solto o ódio, mato o amor

Holliday eu já não penso mais...”

Como estava bêbado, a voz de Alessandro soou trêmula.
Cecília porém, achou graça.
Quem não gostou da cantoria na porta da casa, foi sua mãe Olívia.
Dizendo que ela estava voltando muito tarde para casa, comentou que ao ouvir a cantoria de um bêbado, tratou logo de ir ver o que estava acontecendo.
Estava aguardando-a.
Quando Cecília entrou em casa, a mulher logo quis saber quem era o sujeito.
Cecília respondeu que não era ninguém, apenas um amigo.
Olívia por sua vez, não foi nem um pouco com as fuças do rapaz.
Cecília porém, nem ligou. Achou Alessandro bacana.
Tanto que continuou saindo com o rapaz.
Com o passar do tempo, passaram a namorar.
O convívio ultrapassou os encontros no galpão, na quadra da escola.
O casal passou a freqüentar rodas de samba. Animados, chegaram até a acompanhar apresentações do samba de vela, onde rola improvisação e muito samba, até a vela se findar.
Animados, Cecília e Alessandro iam de carro até Santo Amaro, local onde aconteciam os encontros. Sandro, Cléber e Júlia também seguiam para o local.
Era uma grande diversão. Lá eles diziam que estavam tendo aulas de samba. Descobriam mais sobre sambistas de raiz, sobre os bons sambas. Ficavam ouvindo a roda de sambista até a vela se apagar.
Olívia ficava por conta com isto.
Dizendo que a moça tinha que cuidar da vida e não ficar vivendo de ilusão, comentou que ela estava sempre voltando muito tarde para casa.
Cecília dizia que estava somente se divertindo.
Olívia contudo, não gostava nem um pouco daquela convivência.
A mulher não gostava do temperamento boêmio do moço, e tampouco de seu gosto pela bebida.
Cecília não se importava com isto. Dizendo que ele só bebia com seus amigos, comentou que houve vezes em que os dois saíram juntos, e sem a companhia da turma de Alessandro, ele não bebia.
Olívia sugeriu então, que ele não saísse mais com os amigos.
Cecília se irritou com a mãe. Dizendo que era normal os rapazes beberem, discutiu com Olívia.
A briga só não se tornou maior por que Gilberto interveio.
Flávio cansou de presenciar os desentendimentos entre Olívia e Cecília.
Com o passar do tempo, porém, a mulher acabou aceitando o rapaz.
Na época em que Flávio sofrera o acidente e durante todo o período em que o rapaz guardou leito, Alessandro foi muito presente. Sempre solícito, ofereceu ajuda, auxiliou no transporte do rapaz até o apartamento, conduzindo o enfermeiro. Ajeitou o rapaz na cama, fez companhia a Olívia visitando o rapaz. Ajudou Olívia a dar banho em Flávio, e até fez-lhe companhia quando ela precisou se ausentar e ele podia ficar ali, cuidando do moço.
A mulher então percebeu que a despeito do jeito fanfarrão de Alessandro, o moço era um bom rapaz.
Certo dia, ao notar a dedicação de Alessandro com Flávio, ao vê-lo conversar com um rapaz inconsciente, convidando-o para uma balada, e instigando o amigo a se manifestar, Olívia percebeu o seu valor.
Chegou a conclusão de que não se deve julgar as pessoas superficialmente.
Atenciosa, agradeceu ao empenho do rapaz. Mesmo assim, preocupada com suas bebedeiras, comentou que ele devia diminuir um pouco a bebida.
Alessandro achou graça na preocupação de Olívia, mas não se ofendeu.
Cecília porém, ficava muito brava quando ela dizia que Alessandro bebia muito.
Olívia aceitou Alessandro. Tanto que não se opôs a idéia do casal ir morar junto.

Nisto, conforme dito antes, Flávio foi acompanhar o casal em um ensaio para o desfile.
Cecília não cabia em si de contente. Animada, comentava com Flávio e com os amigos Júlia, Cléber e Sandro, que não via a hora em entrar na avenida.
Flávio, percebendo o entusiasmo de Cecília, perguntou:
- Mas não é sempre a mesma coisa?
Cecília respondeu que não. Disse que a cada ano era uma emoção diferente. Diante disto, perguntou a Flávio se ao estar por anos ao lado das pessoas a quem amamos, se mudava o sentimento em relação a elas.
Cecília então recebeu a resposta triste de Flávio, dizendo que não.
O moço disse então, que entendia agora, por que ela ainda tinha tanto entusiasmo.
Cecília ao olhar para Flávio, deu-se conta de que havia falado demais. Tentando se desculpar, comentou que não dissera aquilo para magoá-lo, e sim para demonstrar o quanto aquilo era importante para ela.
Flávio respondeu que ela não precisava se preocupar, pois estava tudo bem.
Preocupada com o irmão, foi preciso que ele insistisse com ela, para que a moça fosse ensaiar seus passos.
Alessandro interveio dizendo:
- Vamos! O ensaio já vai começar!
E assim, pegou a moça pelo braço.
Flávio então se encantou com o samba no pé dos passistas, com o desfile da comunidade.
Como é lindo ver a majestade dos casais de mestre-sala e porta bandeira, os rodopios, a elegante exibição do pavilhão da escola.
As venerandas senhoras, integrantes da ala das baianas, carregando a história do samba de São Paulo em suas cabecinhas ornadas de branco. Cabeças coroadas onde está impregnada a memória de uma cidade que já foi conhecida como a Terra da Garoa.
Flávio se encantou com toda aquela atmosfera.
Para variar, em tempos de verão, choveu.
Choveu forte.
E mesmo assim, o povo continuou sambando.
Resultado. Chegaram todos encharcados em casa.
Mas Flávio se divertiu.
Cecília ficou satisfeita em ver o irmão aproveitando o momento, como há tempos não fazia.

Ao saber que Letícia estava namorando Otávio, Flávio ficou muito triste.
Para complicar, estava tendo dificuldades para encontrar trabalho.
Otávio por sua vez, mesmo ciente do pedido de demissão de Flávio, recusou-se a assinar sua carteira de trabalho. Argumentando que ele era um ótimo funcionário, respondeu que não aceitaria seu pedido de demissão.
Flávio ficou furioso. Dizendo que ele não tinha o direito de fazer o que estava fazendo com ele, comentou que ele poderia perfeitamente pleitear judicialmente a rescisão do contrato de trabalho.
Otávio concordou.
Porém, pediu para o rapaz pensar melhor. Pediu para não agir precipitadamente. Argumentou que em razão do fato do rapaz ter permanecido tanto tempo sem trabalhar, teria dificuldades em arrumar trabalho. Que precisava se a atualizar. Dizendo que ele poderia fazer uma experiência voltando a trabalhar no escritório e se atualizando, comentou que ao se sentir melhor preparado, se ainda quisesse sair do escritório, poderia fazê-lo.
Flávio argumentou que aquilo que Otávio estava fazendo com ele era uma covardia.
Porém, sem alternativa, e passado alguns meses sem conseguir trabalho, Flávio acabou aceitando a proposta.
Voltou a trabalhar no escritório.
Mas a convivência com Otávio não era nada fácil.
Isto por que, apesar do rapaz ter imposto sua permanência no escritório, Otávio não lhe dava oportunidade de crescer profissionalmente.
Só lhe passava casos complicados e com pouco retorno financeiro.
Quanto a proposta de ser sócio, Otávio comentou que somente poderia retomar o assunto quando Flávio se inteirasse novamente dos assuntos do escritório.
Quando Francisco, Vicente, Carlos, Cleide, Bruno e Leandro tomaram conhecimento disto, questionaram a atitude Otávio.
Dizendo que ele estava sendo inflexível com Flávio, comentaram que o moço já havia dado mostras mais do que suficientes de sua competência.
Otávio argumentou porém que o moço ficara afastado por dois anos do mercado de trabalho. Que as coisas haviam mudado e que ele precisava se atualizar. Depois disto, se se mostrasse apto para a atribuição, poderia até, se tornar sócio.
Os rapazes ficaram inconformados. Mesmo quem não era sócio, ficou inconformado com a posição de Otávio.
Vicente e Carlos chegaram a comentar que aquilo estava mais parecendo vingança.
Flávio porém, comentou que não se importava com isto. Dizendo que não pretendia permanecer muito tempo no escritório, respondeu que só ficaria ali para organizar sua vida. Após, arrumaria outro emprego.
Vicente e Francisco comentaram que era o melhor que ele poderia fazer por ele mesmo.

Luciana Celestino dos Santos
É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.

Para se Viver um Grande Amor - Capítulo 15

Otávio por sua vez, ocupado com seu namoro com Letícia, nem sequer imaginava que Flávio havia despertado de seu estado de torpor.
Isto por que, sempre que os rapazes faziam menção de comentar algo sobre Flávio, Otávio incomodado, interrompia a conversa falando de assuntos correlatos ao escritório. Perguntava sobre a contabilidade do escritório, de cálculos atuariais sobre alguns processos que em estava trabalhando, sobre como os processos do escritório estavam caminhando, etc.
Não deixava os moços falarem.
Parecia ter medo de descobrir o que se passava com o ex-colega de escritório.
Otávio estava obcecado com o trabalho e com Letícia.
Percebendo que era censurado por Carlos, Vicente, Francisco, Cleide, Bruno, Leandro, e até por Margarida – a secretária do escritório, Otávio parou de comentar seus progressos na relação com Letícia.
Os mesmos nunca criticaram diretamente o moço, mas não demonstravam interesse em seus relatos.
Fato este que deixava Otávio deveras irritado. Por sua vez, sempre que os colegas tentavam fazer algum comentário a respeito de Flávio, fazia questão de interromper a conversa.
Diante desta resistência a ouvir falar no colega, Cleide comentou:
- Parece que é bruxo! Muito conveniente não querer ouvir o que temos para falar sobre Flávio.

Por sua vez, o que mais afligia Flávio, era saber que escondiam dele informações sobre Letícia. Afinal de contas, por que ela não o visitava mais?
O moço sofreu um grande baque ao saber que havia ficado inconsciente por tanto tempo.
Ao perceber que havia perdido tanto tempo de sua vida, ficou deprimido.
Questionava-se o tempo todo. Como pude ficar tanto tempo inconsciente? Aflito queria saber tudo o que havia ocorrido durante o tempo em que ficou ‘ausente’. Ansioso, perguntava a todo o momento sobre Letícia.
Com isto, Olívia não contou que Letícia estava namorando outro rapaz. Sabia porém, que não poderia sonegar esta informação de Flávio por muito tempo.
O moço estava impaciente e ansiava por informações.
Relembrando os tempos em permaneceu inconsciente, Flávio comentou que inúmeras vezes se viu andando em um lugar repleto de verde, de flores. Repetiu que em um de seus sonhos aparecia chorando, e Letícia perguntava-lhe por que estava chorando.
Contou que sonhou que estava de mãos dadas com sua irmã, ainda menino, caminhando pelo lugar. Por este lugar de sonhos.
Lá, brincava e corria com Cecília, por todos os lugares.
Não conseguia entender o por quê disto.
Foi então que rememorando suas pesquisas, bem como o fato de que muito do que acreditava ser um sonho, era na verdade uma viagem astral, ficou intrigado. Tentando descobrir de onde conhecia aquele lugar, passou a descrevê-lo para Alessandro e Cecília, que se comprometeram em localizar o lugar e levá-lo para visitá-lo.
Isto por que Flávio acreditava que aquele lugar existia.
Cecília porém comentou que não se lembrava de haver brincado em nenhum lugar como aquele descrito por seu irmão.
Ainda assim, prometeu auxiliá-lo em sua busca.
Flávio, com o passar do tempo se tornou mais falante.
Certo dia, mais uma vez relembrando de seu estado letárgico, contou que sonhou diversas vezes em que, caminhando nesse mesmo lugar, vestido de branco, se deparou com Letícia.
Porém, para seu espanto, a moça chorava. Chegava a soluçar.
Percebendo o pranto, Flávio se aproximou da moça, tocou em seu rosto e disse:
- Não chore, eu venho te buscar!
O rapaz revelou que o sonho tinha variáveis.
Ora abraçava a moça após prometer buscá-la, ora se afastava lentamente.
Muito embora não quisesse ficar longe de Letícia, sentia como se estivesse se afastando.
Descrevendo a moça, dizia que Letícia aparecia com seus cabelos longos, vestida de forma vaporosa.
- Linda como sempre! – dizia ele.
Olívia ouviu estas palavras com um nó na garganta.
Como dizer ao rapaz que Letícia havia encontrado outro rapaz?
A mulher estava angustiada. Tanto que nas conversas ao telefone com Cecília, dizia que não sabia como contar ao filho por que Letícia não o visitava mais.
Ao ouvir tais palavras, Cecília respondia que ela não conseguiria esconder a verdade por muito tempo e que cedo ou tarde, Flávio descobriria o que de fato acontecera.
E assim foi. Dito e feito.
Cansado das respostas evasivas de Olívia no que diz respeito à ausência de Letícia, Flávio estava cada mais impaciente com a ausência da moça.
Irritado, passou a dizer que Olívia estava escondendo alguma coisa.
Flávio continuava a fazer fisioterapia. Aos poucos voltou a andar. Primeiramente, precisou andar de muletas. Depois, ganhando mais confiança, começou a andar se apoiando nas paredes, nos móveis.
Cansado de permanecer trancado em seu apartamento, ou se deslocando de casa para o hospital, pediu a Olívia para visitar Letícia.
A mulher porém, resistiu a idéia. Argumentando que não era aconselhável o rapaz se deslocar até lá, comentou que assim que a moça se desembaraçasse de seus compromissos, que ela viria visitá-lo.
Flávio porém, retrucou. Dizendo que estava cansado de mentiras, insistiu para que sua mãe dissesse o que estava acontecendo. Aflito, pediu para a mãe não lhe escondesse nada.
Angustiado, perguntou se a moça estava doente.
Olívia continuava em silêncio.
Flávio implorou:
- Mãe, por favor! Me conte o que está acontecendo. É grave? O que está acontecendo? Letícia está bem?
Ao perceber que não poderia mais continuar escondendo a verdade do filho, Olívia revelou que a moça havia desfeito o compromisso com ele.
Flávio ficou perplexo.
- Como assim?
Olívia passando a mão no cabelo de Flávio, respondeu:
- Ah meu filho, por que você não é mais aquele menino? Por que tinha que crescer e passar por tudo isto? Não foi o bastante, me deixar com cabelos brancos?
O moço, percebendo a gravidade da situação, insistiu para que sua mãe não lhe escondesse nada.
Olívia disse então que Letícia estava namorando outro rapaz.
Flávio insistiu para saber quem era o rapaz. Se era alguém conhecido.
- Que importa isto? – respondeu Olívia aflita.
Flávio nervoso, insistiu na pergunta.
Brigou com Olívia até obter uma resposta.
Sem alternativa, Olívia acabou confessando que o tal rapaz era Otávio.
Flávio ficou perplexo.
Pensou: “Seria o mesmo Otávio, seu colega de trabalho? O mesmo que lhe dera a oportunidade de ser sócio no escritório?”
Olívia, para seu desespero, confirmou que o ele temia.
- Sim era ele.
Flávio começou então a chorar.
Olívia, abraçando, tentou confortá-lo.
Em vão.
Por dias o rapaz não quis saber de sair de casa, mal comia.
Isolado, Flávio ficou pensando na vida. Em como sua vida havia mudado. Que agora precisaria partir do zero. No trabalho e no amor.
Conversando com Olívia, descobriu que o período de internação fora coberto por seu plano de saúde, e que as despesas com o apartamento, entre elas conta de água, luz, telefone, condomínio, foram pagos pelo escritório.
Descobriu que o supermercado, entre outras despesas eram cobertas pelo escritório.
Flávio foi informado ainda, que seu carro ficara totalmente destruído, sem ter como ser consertado.
No tocante a isto, Olívia comentou que Cecília orientou-o acionar a seguradora para obter a devida indenização pelo sinistro. Com isto, procuraram todos os documentos relativos ao carro, inclusive o contrato.
Comentou que conseguiram obter o ressarcimento parcial do prejuízo, não sem antes ameaçar ingressar com uma ação no judiciário.
Olívia comentou ainda, que para conseguir levantar o valor do seguro, precisou entrar com um processo de interdição de Flávio, para que com isto pudesse administrar seus bens e assim, receber a indenização do seguro, entre outras coisas. A mulher explicava tais fatos ao moço, sempre ressaltando que Cecília e seus patrões – Flora e Euclides, foram de grande ajuda.
Com efeito, Flávio descobriu que durante muito tempo, todas as suas despesas eram cobertas pelo escritório.
Olívia contou haver descoberto que Flávio havia feito um seguro no qual eram cobertos acidentes pessoais e morte. Razão pela qual a família teve que novamente se mobilizar e providenciar toda a documentação relativa ao mesmo. Com isto, a mulher destacou que somente quando o seguro pagou a referida indenização, é que suas despesas passaram a ser cobertas por outra fonte pagadora.
Porém o convênio médico continuava a ser pago pelo escritório.
Olívia contou que ao saber do acidente, seus colegas prometeram que continuariam pagando o salário de Flávio enquanto fosse necessário. O moço ficou surpreso com o fato.
Flávio embora triste, admirou-se com as atitudes proativas de Cecília. Chegou a comentar que ela estava amadurecendo.
Ao descobrir porém, que Letícia estava de namoro com Otávio, Flávio percebeu que aquela situação, que aquela sensação de amargura não poderia continuar.
Precisava retomar sua vida e arrumar um novo trabalho.
Olívia estava preocupada.
O rapaz parecia indiferente a tudo.
Ora chorava, ora ficava furioso. Acreditando que se não tivesse ficado tanto tempo ausente não teria perdido Letícia, começou a se culpar.
Olívia ficava mortificada com isto.
Dizendo que fora uma fatalidade, sua mãe comentou que embora parecesse que aquele sofrimento não teria fim, um dia a dor acabaria e ele conseguiria enxergar as coisas com mais clareza.
Flávio contudo, parecia não acreditar nas palavras da mãe.
Olívia porém, não deixou Flávio se entregar a tristeza.
Insistia para que o moço comesse, que não deixasse a fisioterapia de lado, que saísse de casa. Dizia que ele precisava espairecer e esquecer todo o sofrimento pelo qual havia passado.
Flávio porém, estava triste demais para levar aquelas palavras a sério.
Contudo, toda tristeza um dia chega ao fim.
Com isto, com o tempo, recuperado, Flávio passou a procurar trabalho.
Encontrar uma ocupação porém, não estava nada fácil.
Isto por que, havia permanecido por dois anos ausente. Ausente da vida, e do mercado de trabalho. Como explicar este tempo ausente?
Magoado com Otávio, Flávio não queria voltar ao escritório onde trabalhava.
Olívia argumentou porém, que ele precisaria retornar ao lugar, para ser dada baixa em sua carteira de trabalho.
Flávio mesmo contrariado, concordou. Sabia que sem esta providência, ficaria ainda mais difícil arrumar um trabalho.
Com isto, um mês depois de muito procurar trabalho, Flávio decidiu voltar ao escritório onde trabalhou.
O que ele não esperava porém, era depois de cerca de meia hora dentro do lugar, após passar pelo departamento de Recursos Humanos solicitando providências no tocante a carteira de trabalho, deparar-se com Otávio e Letícia juntos. Rindo.
A moça ao ver Flávio diante dela, consciente, andando, ficou chocada. Tentou dizer alguma coisa mas não conseguiu.
Nervosa, começou a tremer. Empalideceu.
Otávio também ficou perplexo com a novidade.
Também ficou sem palavras.
Seu espanto só não foi maior do que o de Letícia.
A moça sem conseguir controlar seu estado emocional, perdeu os sentidos, vindo a desfalecer. Flávio, ao perceber que a moça desmaiara, ficou aturdido.
Aflito, aproximou-se da moça, e tocando em seu rosto, começou a chamá-la:
- Letícia! Letícia! Acorde!
Percebendo que a moça não acordava, sugeriu que alguém trouxesse um pouco de água.
Margarida, a secretária, atendeu prontamente o pedido.
Flávio então, espirrando um pouco de água no rosto da moça, conseguiu fazer com que ela despertasse.
Ao despertar, Letícia deparou-se com um Flávio preocupado.
Nervosa, perguntou o que estava acontecendo.
Flávio então respondeu:
- Espantoso, não é mesmo? Depois de um longo tempo ausente, praticamente um morto, o morto retornou a vida. Impressionante! Mais impressionante seria se você estivesse acompanhando tudo. Mas você não estava lá, não é mesmo?
Letícia não gostou do tom, mas sentindo-se culpada, não disse nada.
Flávio continuou:
- Pois é! O homem desencantou. Despertou. E agora eu vou aproveitar cada minuto da minha vida. Não vou mais perder tempo. Não é mesmo Otávio?
Otávio então se defendeu:
- Flávio! Não fale assim! Letícia nunca te abandonou e eu tampouco me aproveitei da situação... Acontece que acabamos nos apaixonando. Isso acontece.
Flávio fitou Letícia.
Dos olhos da moça vertiam lágrimas.
Com tremor na voz, perguntou:
- Por que ninguém me contou? Se eu soubesse, juro que teria ido visitá-lo.
Flávio retrucou com ironia:
- Ah, é mesmo? Iria me visitar? Como se faz com um parente distante? Eu não quero que façam algo por mim como se fosse uma obrigação!
O moço, ao terminar a frase, estava com a voz tremula, quase chorando.
Transtornado, o rapaz procurou sair do local, o mais rapidamente possível.
Não queria prolongar ainda mais o seu sofrimento.
Porém, ao contrário do que sua mãe esperava, o moço não foi diretamente para seu apartamento.
Embora não tivesse ido de carro para o escritório, como aconselhara sua mãe, o moço rumou para outro lugar.
Passeando pelo Trianon, o rapaz ficou a se lembrar do encontro ocorrido momentos antes. Também lembrou-se de quando começou a namorar Letícia. De quando passearam a noite pela cidade, aproveitando as bonitas decorações natalinas. Prédios decorados, pontes. Chegaram até a apreciar uma apresentação de coral.
Sozinho, Flávio ficou com os olhos marejados.
Não podia acreditar no que estava acontecendo.
“Por que eu?” Chegou a se perguntar.
No cair da tarde, quando chegou em casa, encontrou Cecília, Alessandro, Olívia e Gilberto, aflitos com sua demora.
Flávio ficou surpreso com a presença de todos em sua casa.
Olívia argumentou que havia ficado preocupada com sua demora.
Flávio porém, contemporizou dizendo que apenas havia se distraído com seus amigos.
Durante dias ficou remoendo que havia acontecido no escritório.
Mesmo assim, procurou retomar sua vida e continuou a procurar emprego, enquanto aguardava a baixa e formalização da rescisão de seu contrato de trabalho.
De vez em quando saía. Às vezes com seus ex-colegas de trabalho. Carlos, Francisco, Vicente, Cleide, Bruno e Leandro, viviam convidando-a para tomar um chope, ir ao cinema, jantar, enfim, dar uma saída.
De quando em vez saía com sua irmã e Alessandro. Aproveitava para vê-los ensaiar numa quadra de escola de samba.
Enfim, seguia, ou tentava seguir sua vida.
O que ele não contava era encontrar novamente Letícia em uma quadra de escola de samba.
Acompanhado de Cecília e Alessandro, que iriam participar de um desfile de carnaval, o moço foi acompanhá-los nos ensaios.
O evento foi realizado em um galpão, o qual estava repleto de gente.
Cecília e Alessandra iriam desfilar juntos. Há anos freqüentavam a comunidade e participavam dos desfiles.
Antes do acidente, sua irmã chegou a lhe sugerir algumas vezes que desfilasse. Dizendo que não havia emoção maior do que sentir a energia de uma escola de samba, o ritmo de uma bateria, comentou que esta era uma das maiores alegrias de sua vida.
Cecília dizia que o samba lhe proporcionou as melhores coisas de sua vida.
 
Inclusive foi num ensaio que a moça conheceu seu companheiro Alessandro.
Cecília empunhava a bandeira da escola. Embora fosse passista, naquele dia estava cobrindo a falta da porta-bandeira, para que o parceiro, o mestre-sala, pudesse ensaiar.
Alessandro ficou encantado com aquela moça, de saia longa vaporosa, e blusa frente única, com muito samba no pé e gingado.
A desenvoltura da moça em apresentar o pavilhão da escola, sem enrolar em nenhum momento a bandeira no mastro, os rodopios, as mesuras. Cecília gentilmente apresentava a escola.
O mestre sala também tinha samba no pé, rodopiava e numa atitude de reverência, quase se ajoelhava aos pés da porta-bandeira.
Alessandro porém, só tinha olhos para ela.
E foi assim, depois de um ensaio, que eles se conheceram.
Ele então se aproximou, e puxando papo, perguntou se ela estava sempre por ali.
Cecília respondeu que sim.
Alessandro então comentou:
- E como eu nunca te vi por aqui?
A moça respondeu que era passista, e que naquele dia estava cobrindo a falta de uma colega.
Alessandro comentou então que adorava carnaval e que também estava sempre ali. Dizendo ser um exímio dançarino, comentou que desfilava.
A moça perguntou então em que ala ele sambava.
Ele então respondeu que há dois anos saía na bateria da escola de samba.
E assim, começaram uma animada conversa.
Alessandro começou a falar de sambas antigos, e do quanto gostava do carnaval. Que a bateria era o coração de uma escola de samba, e que adorava sentir o ritmo da escola. Comentou que adorava as escolas de samba tradicionais de São Paulo, mas também gostava de algumas novatas, não sabendo se decidir sobre qual era a preferida.
Cecília começou a rir do rapaz, dizendo que ele era muito volúvel.
Alessandro, um pouco incomodado com o comentário, disse apenas que era um adorador do samba paulista, e que ao contrário do que dissera Vinícius de Morais, São Paulo não é o túmulo do samba. É apenas um lugar onde o samba nascera de um jeito diferente, imortalizado pelo inesquecível Adoniram Barbosa, entre outros.

Luciana Celestino dos Santos
É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.

Para se Viver um Grande Amor - Capítulo 14

Nisto, enquanto Olívia trechos de um livro de poesias para Flávio, o moço começou a mexer os olhos.
Foi um leve movimento, mas foi o suficiente para chamar a atenção de Olívia.
Surpresa com a reação, tratou de ligar para Gilberto e para sua filha Cecília.
Porém, ao contrário do que imaginara, a reação de ambos foi de cautela.
Perguntando se não fora impressão dela, comentaram que era preciso cuidado, para não serem criadas falsas expectativas sobre o estado de Flávio.
Ao ouvir palavras tão céticas, Olívia ficou aborrecida.
- O que eles pensam? Que fiquei louca?
Dito isto, aproximou-se do filho e segredou-lhe ao ouvido que ele precisava reagir, ou perderia Letícia para Otávio.
Dias depois, Olívia notou que o rosto de Flávio estava contraído. Estranho! Parecia contrariado.
Ao perceber a mudança, Olívia assustou-se. Pensou: “Meu Deus! O que estará acontecendo?
Semanas depois, durante a sessão de exercícios rotineiros, o enfermeiro percebeu uma lágrima correndo de um dos olhos do rapaz.
Surpreso, Jair tratou logo de chamar Olívia.
A mulher ficou surpresa ao ver a lágrima correndo do olho de Flávio.
Emocionada, começou a chorar.

E assim, Flávio era constantemente exercitado pelo enfermeiro.
O homem movimentava as pernas e os brancos do rapaz.
Na cama hospitalar Flávio era constantemente mudado de posição.
Olívia e Cecília, assim como Gilberto, não se cansavam de contar histórias para o rapaz.
Era assim o dia-a-dia do moço.
Nesta época Letícia raramente visitava Flávio. De tanto insistir, Otávio conseguiu fazer com que Letícia se afastasse de Flávio.
Por esta razão a moça não sabia de nada do que se passava com o moço.
Não sabia que Flávio estava começando a reagir.

Ainda enciumado com o afeto que Letícia dedicava a família de Flávio, e as visitas ao rapaz, Otávio comentou que se sentia mal em se sentir ameaçado por alguém que não podia reagir. Que se sentia desconfortável em se descobrir gostando da ex-noiva de seu colega.
Mas argumentando que Flávio poderia nunca se recuperar, Otávio comentou com Carlos que não poderia perder a chance de ser feliz com Letícia. Dizia que ela era uma pessoa muito especial, e que não se encontram muitas pessoas como ela por aí.
Carlos concordou. Só não concordou com o fato de seu amigo estar investido na noiva de um colega de trabalho.
Mas Otávio respondeu que não podia escolher de quem gostar.
Com isto, Otávio, percebendo que estavam juntos há um certo tempo, propôs a moça que se casassem.
O moço, preparando um jantar para a moça, Karina, e para seus pais, aproveitou o ensejo para pedi-la em casamento. Ou melhor dizendo, encomendou um jantar.
Encomendou um medalhão ao molho madeira e arroz á grega. Como acompanhamento, um bom vinho. De sobremesa uma mousse de maracujá.
Karina escolheu usar uma calça social cinza e uma blusa salmão.
Letícia usou um vestido curto estampado rosa, de uma manga só. Prendeu os cabelos em um coque displicente, deixando à mostra o ondulado de seus fios compridos. No pescoço uma correntinha dourada com um pingente com a inicial de seu nome.
Ao vê-la Dominique elogiou a elegância de Letícia.
Enquanto ceavam, Otávio comentou que aquela era uma ocasião muito importante para ele. Dizendo que estava preparado para viver uma nova vida, comentou que estava disposto a dividir sua vida com outra pessoa.
Dominique comentou que seu filho estava muito enigmático.
Karina parecia apreensiva.
Com isto, após os convivas comerem a sobremesa, Otávio convidou a todos para um brinde.
Retomando a conversa do jantar, o moço comentou que quando dissera que pretendia dividir sua vida com outra pessoa, não estava brincando.
Com isto, foi até seu quarto e voltou com uma pequena caixinha.
Fazendo suspense, abriu vagarosamente a caixa mostrando um anel prateado com um imponente brilhante engastado em seu centro.
Dominique comentou que se tratava de um anel muito lindo.
Foi então que levemente hesitante, Otávio perguntou a Letícia se ela gostaria de se casar com ele.
Letícia constrangida, respondeu que não sabia se estava preparada para se casar.
Otávio visivelmente decepcionado, comentou que eles já estavam juntos a um bom tempo, e que já era hora dele unir sua vida a de alguém.
Marisa e Irineu – empregados – se ocuparam em servir bebidas aos convidados e guarnecer a mesa do jantar. Ao presenciarem a cena da rejeição, ficaram constrangidos.
Dominique e Olivier, em que pese a resposta da moça, ficaram felizes com a idéia de verem seu filho casado, e ao verem a decepção no rosto de Otávio, sugeriram que ele desse um tempo para a moça pensar.
Letícia então, sem ter alternativa, concordou. Prometeu que no prazo de um mês, daria uma resposta.
Dominique considerou a posição da moça acertada.
Ao ouvir um mês, Otávio tentou argumentar.
Karina percebendo que aquilo poderia não acabar bem, comentou que um mês era um bom prazo para que todos pudessem refletir sobre o pedido e ver se era realmente isto que queriam.
Otávio então retrucou dizendo que casar-se, era sim o que queria.
Karina emendou:
- Então está bem!
Ao saírem da casa de Otávio, Karina perguntou a Letícia, o porquê de um prazo tão longo para dar uma resposta.
A moça não quis responder.
Karina não insistiu.
Sabia porém, que Letícia não amava Otávio. Entendia o ponto de vista da filha. Para ela, Letícia via Otávio como tábua de salvação, com prêmio de consolação pela relação interrompida abruptamente com Flávio.
Certa vez, após Letícia começar a namorar Otávio, Karina comentou que ela não devia se envolver com o rapaz se ainda gostava de outro.
Letícia respondeu que não sabia o que ela estava dizendo.
Karina resolveu calar-se...

Nisto, aos poucos Flávio começava a dar pequenos sinais de melhora.
Ora era um olho que se contraía, uma lágrima que corria de seu rosto...
Um dia o rapaz mexeu uma das mãos.
Semanas mais tarde, balbuciou palavras desconexas.
Para a família, cada um desses pequenos progressos, eram um jorro de esperança para aquelas almas desesperançadas.
Até Cecília e Gilberto que eram mais céticos, começaram a acreditar que Flávio estava se recuperando.
Seria apenas uma questão de tempo para Flávio abrir os olhos e retomar sua vida.
Gilberto comentou que Flávio poderia retomar sua vida.
- Pena que não será de onde ele parou! – comentou Cecília.
- Mas será de onde for possível! – respondeu Olívia.
Com isto, conforme o tempo ia passando, Flávio, dava mais sinais de que estava se recuperando.
Realizava pequenos movimentos como mexer os olhos, os braços, a perna.
Até que um dia, aquilo que parecia impossível aconteceu.
Depois de uma discussão entre Olívia e Cecília, em que a moça criticava o fato de Letícia não visitar mais Flávio e que Olívia dizia que a moça iria começar uma nova vida com outro rapaz,
Flávio inesperadamente abriu os olhos.
Para surpresa das duas, o moço finalmente despertara.
Felizes as duas se colocaram ao lado do rapaz. Esqueceram-se da briga.
Atordoado, Flávio parecia desperto, mas não esboçava reação.
Este fato preocupou Olívia. Tanto que tratou de chamar o enfermeiro para ver o rapaz.
Jair observou os olhos do rapaz e passou a testar e seus reflexos. Depois começou a fazer algumas perguntas ao rapaz. Não sem antes perguntar se o rapaz o estava entendendo.
Flávio depois de um certo tempo, respondeu com dificuldade:
- Sim!
Este sim, encheu Cecília e Olívia de alegria.
Mesmo ansiosas em conversar com Flávio, as duas conseguiram se controlar e aguardar os procedimentos médicos.
Com isto, Jair perguntou como ele se chamava, onde morava, se sabia onde estava, o nome dos pais, estado civil, entre outras perguntas.
Embora com certa dificuldade, Flávio respondeu a todas as perguntas.
Cecília deu um beijo no rosto do irmão.
Nisto com o passar do tempo, Flávio foi aos poucos retomando suas atividades normais.
Como havia permanecido dois anos deitado em uma cama, precisou fazer fisioterapia para voltar a andar, e aos poucos começou a ingerir alimentos sólidos.
No início tinha dificuldades para falar, para escrever, precisava de ajuda para caminhar, para andar pelo apartamento. Também se lembrava dos acontecimentos recentes com dificuldades.
Aos poucos foi se informando sobre as transformações do mundo, neste tempo.
Pouco a pouco passou a ser estimulado com leituras de crônicas, romances, poesias, matérias jornalísticas.
Chocou-se ao tomar conhecimento dos dois anos em que ficara inerte em uma cama.
Tranquilizá-lo foi tarefa complicada.
Nisto, Flávio perguntava a família como andavam as coisas, como estavam todos – seus amigos, Letícia, etc.
Passou a ser visitado por seus colegas de trabalho, por Carlos, Vicente, Bruno, Leandro, Cleide e Francisco.
Aos poucos foi descobrindo que muita coisa havia mudado.
Com o tempo, começou a se abrir mais. Comentou sobre os sonhos que tivera, das sensações que sentira.
Certa vez chegou a dizer que teve a impressão de se ver fora do corpo.
Comentou que ao se ver naquela condição, que sentiu muito medo. Revelou que chegou a pensar que nunca mais voltaria. Pensou que estava morrendo, disse.
Disse que se sentia perdido, e que durante o tempo em que ficou aprisionado em uma cama, sonhou com a cidade a noite, com os lugares por onde passara, que estava com sua família, com sua mãe, seu pai, sua irmã, com Letícia, seus amigos, entre outros.
Quando o moço comentou de um sonho que tivera, percorrendo o centro de São Paulo, e que havia aparecido em sonhos para sua mãe, Olívia comentou que havia sonhado a mesma coisa.
Flávio ficou perplexo.
O moço disse que em um dos sonhos que tivera com Letícia, disse que ela não deveria se preocupar que ele estava voltando. Comentou que um dia sonhou que estava chorando, e que a moça perguntava o que estava se passando com ele.
Flávio comentou que os sonhos pareciam reais, que tinha sensação de que realmente estivera por aqueles lugares conversando com aquelas pessoas. Disse que não parecia que tinha limitações, que nos sonhos podia ser livre.
O rapaz disse ainda que muitos sonhos eram confusos.
Olívia comentou que aquela estranha coincidência só poderia significar uma coisa. Comentou que isto provava que ele não estava inerte, embora fisicamente parecesse que sim.
A mulher comentou que teve o mesmo o sonho e argumentou que aquilo não podia ser uma simples coincidência.
Quando contou do sonho para Cecília e Gilberto, ambos ficaram impressionados com o relato e comentaram que aquilo de fato era uma coincidência.
Gilberto comentou que talvez Flávio estivesse tentando dizer alguma coisa para ela.
Olívia argumentou que quando comentara o sonho que tivera com Flávio, Gilberto lhe disse que era apenas um sonho, e que não deveria se preocupar.
O que ela não sabia, era que ele também ficou impressionado com o sonho. Só não queria preocupá-la.
Cecília intrigada, chegou a dizer se não era o caso de pesquisar para saber o que aquilo queria dizer.
Olívia perguntou se havia necessidade disto.
A moça respondeu que talvez conhecendo melhor o assunto, isto poderia auxiliar Flávio a ser recuperar.
Gilberto concordou. Disse que pesquisar mal não faria.
Ao comentar com Alessandro ‘a coincidência’, o moço disse que o que acontecera fora uma viagem astral provavelmente, e não um sonho.
Curiosa, a moça perguntou mais detalhes.
Alessandro que entendia um pouco do assunto, começou a lhe explicar.
Comentou que se tratava de um processo de viagem extracorpórea. Disse que Flávio durante o período em que esteve preso a cama, tentou se comunicar com seus parentes. Daí a coincidência de sonhos de Flávio e Olívia.
Surpresa, Cecília comentou se não era um processo perigoso, no qual a pessoa poderia morrer ou não voltar.
Alessandro disse então, que havia um cordão de prata envolvendo o corpo material e o espírito, e que este cordão, ao sinal de qualquer perigo, trazia o espírito de volta ao corpo. Comentou ainda que o espírito era livre e que poderia ir para onde quisesse.
Percebendo o desassossego de Cecília, Alessandro comentou também que o espírito era acompanhado e via coisas que lhe eram franqueadas ver. Disse que todos os que realizavam viagens pelo plano astral eram conduzidas por guias espirituais que os protegiam e não permitiam que percorressem regiões com padrão vibratório inferior, ou seja, não caminhavam por caminhos perigosos.
Ressaltou que é mais perigoso caminhar entre os vivos, do que conhecermos a nós mesmos. Disse que este processo era feito de diferentes formas, e Flávio apesar de sua aparente inação, estava dando prosseguimento à sua vida. Estava procurando se conhecer melhor.
A moça perguntou-lhe por que não havia dito nada sobre isto para sua família.
Alessandro comentou que o ceticismo era muito comum em relação a este e outros assuntos. Dizendo que nem todos entendiam, e que se tratava de um tema envolto em muito preconceito, decidiu não comentar. Disse ainda, que não queria alimentar o preconceito de ninguém.
Cecília comentou então que não tinha o direito de censurá-lo por acreditar em algo que ela não entendia. Disse ainda que não sabia que ele conhecia do assunto.
O moço respondeu então que havia muitas coisas que ela não sabia a seu respeito. Disse fazendo graça e fingindo ser um tipo misterioso.
Cecília percebendo a gozação, mandou ele parar com a palhaçada.
Alessandro começou a rir.
A moça não gostou da brincadeira.
Com efeito, Cecília passou a pesquisar o tema na internet. Alessandro também empreendeu uma pesquisa a pedido da moça.
Quando se sentiu suficientemente esclarecida, resolveu conversar com Olívia e Flávio, que ficaram deveras interessados no assunto.
Com efeito, por várias vezes, Flávio revelou que sonhava muito, e que nestes sonhos, parecia que ele não estava ali jazendo naquela cama. Comentou que algumas vezes chegou a ouvir à distância o que ela, sua irmã, seus amigos, e Letícia diziam.
Comentou que por várias vezes tinha a sensação de estar fora do corpo.
Cecília, Gilberto e Olívia ouviam a tudo com muito interesse.
Com efeito, depois das explicações de Cecília e de também ter realizado uma pesquisa sobre o tema, Flávio começou a entender melhor o que havia acontecido.
Certa noite, o moço teve um sonho no qual dirigia o seu antigo veículo e inadvertidamente desviava de outro veículo, vindo a bater em um poste.
Resultado! Acordou assustado e gritando.
Olívia, que permanecia no apartamento do filho, foi até o quarto de Flávio para verificar o que estava acontecendo.
Lívido, Flávio comentou que havia sonhado com o acidente. Tremendo, não conseguia entrar em detalhes sobre o sonho.
Olívia abraçou-o e dizendo para que não assustasse, comentou que isto era sinal de que sua memória estava intacta. Feliz, a mulher comentou que tudo voltaria a ser como era antes.
Nos dias, meses que se seguiram, Flávio realizou muitos exercícios com Jair. Fisioterapia intensa.
Passou pelo médico.
O moço tinha ganas de retomar sua vida, queria voltar a trabalhar. Estranhou e muito a ausência de Letícia.

Luciana Celestino dos Santos
É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.